28 agosto 2014

Último Tango em Paris


Olá, leitores queridos. Trago para vocês neste post de hoje a resenha de um dos meus livros preferidos, precisava [re]ler e compartilhar com vocês as sensações que esta obra me trouxe [e traz até hoje]. Li Último Tango em Paris em meados de 2006, na época eu ainda não sonhava em ter blog, mal usava a internet, e foi uma leitura bastante agradável, desprendida e cheia de curiosidade, por se tratar da indicação de um amigo, que me emprestou o livro e não me deu tantos detalhes acerca da história, dizendo apenas que foi um livro baseado em filme [sim, o contrário] dos mais polêmicos e famosos da carreira de Marlon Brando... Então resolvi ler [e hoje tenho minha própria edição]...

A história é sobre um homem chamado Paul que perdeu sua esposa recentemente, ela se suicidou no hotel que eles administravam. E fala também sobre Jeanne, uma jovem garota noiva de um cineasta, que está a perambular pelas ruas parisienses, meio inquieta, deixando-se levar pelo ar decadente da cidade rumo a lugar nenhum em específico... Eles nunca tinham se visto ou sequer ouvido falar um do outro, e entre tantas dezenas de pessoas passando pela rua, algum fio do destino resolveu entremear a vida de ambos... 
"Duas das pessoas que cruzavam a ponte, movendo-se na mesma direção, já estavam unidas pela cadência mútua, embora nem mesmo o suspeitassem, embora nem sequer se conhecessem, não podendo, até, explicar esta curiosa conjunção de tempo e de circunstância que as aproximara uma da outra. A ponte, o dia, o céu de Paris e as condições da sua própria existência significavam, para cada uma delas, algo de inteiramente diferente ou, talvez mesmo, nada. Na verdade, qualquer possibilidade de um encontro teria parecido verdadeiramente infinitesimal."
Parecendo vagar sem rumo, os dois desconhecidos acabam indo parar no mesmo lugar, um prédio decadente e suburbano, a fim de olhar um apartamento. Cada um tinha razões distintas sobre o imóvel e eis que eles acabam se encontrando [novamente] frente a frente nesse apartamento, depois de pegarem a chave com uma mulher na portaria não muito envolvida e atenta às pessoas que frequentam o tal prédio... 
" - Quem é você? - perguntou ela, apavorada e procurando dominar-se, enquanto recuava lentamente em direção à porta. - Você assustou-me, - acrescentou, falando no tom mais calmo que lhe era possível, mas não tardou a reconhecer o homem que encontrara na ponte. - como é que você entrou? - Pela porta. A sua voz era profunda e vibrante. Falava o francês com um sotaque estrangeiro, com dureza e um aparente desprezo pelo idioma."

Após alguns minutos de diálogo, a tensão parece crescer dentro daquele ambiente sufocador... Os dois estranhos se analisam mutuamente, e logo percebe-se no ar a atração que emana de um para o outro. O desfecho parece inevitável...

"Suas palavras pairaram no ar como se fosse num convite. Paul chegou junto dela num segundo, tomando seu rosto nas suas possantes mãos e beijando-a na boca. [...] nenhum som chegava junto deles, a não ser o de suas próprias respirações. Pareciam suspensos no tempo, tal como a beleza desgastada da sala, isolados do mundo e das suas próprias vidas em separado. [...] Ele tinha em si um odor [...] que ela não podia identificar, mas que era mais masculino do que o cheiro característico de qualquer outro jovem que ela conhecera, algo que, na realidade, a excitava ainda mais."
A narrativa do autor Robert Alley é carregada de volúpia e deixa o leitor amarrado a cada parágrafo, impossibilitando quem segura o livro nas mãos de ter outra reação que não a de continuar a leitura de maneira frenética e instigante... Ao menos a blogueira que vos fala teve essa sensação...
"Agarraram-se um ao outro como animais. Jeanne subiu pelo tronco do seu corpo, apertando os quadris de Paul com seus joelhos, abraçando seu pescoço como uma criança perdida. Paul encostou-a contra a parede e entrou mais profundamente nela. Durante alguns instantes, lutaram confusamente, como se em combate, mas depressa chegaram a um acordo e começaram laborando em conjunto. Seus corpos avançavam e recuavam como componentes na mais íntima das danças. O ritmo tornou-se mais frenético, com o mundo esquecido e tudo o mais sem significado. Paul e Jeanne arquejavam e soltavam exclamações surdas, embatendo violentamente contra a parede que protegia sua paixão. Finalmente, mergulharam para lá das origens do seu próprio esforço, morrendo gradualmente e sem remorsos sobre o dilacerado tapete cor de laranja. [...] Minutos antes, tinham-se juntado na mais carnal das uniões e, agora, já fora dos confins do apartamento, mostravam-se tão distantes quanto completos desconhecidos."
Nos capítulos seguintes passamos a conhecer os protagonistas desse tórrido 'romance' de forma alternada. Ora descobrimos mais sobre a vida futura de Jeanne que está às portas de um casamento tradicional e sem muita paixão, pois seu noivo Tom vive às voltas com sua equipe de filmagens, sonhando acordado com as tomadas e ângulos de sua câmera, sem preencher a vida de sua noiva com a paixão luxuriosa que ela encontra no apartamento com Paul. 

a química entre os atores é incrível...
                            
E conhecemos a angústia de Paul em ter encontrado sua esposa morta na banheira de casa, sequer um bilhete deixado por Rosa a fim de explicar o porquê daquilo. ter que lidar com a sogra que está cuidando do funeral da filha, a convivência com os seus inquilinos, entre eles um casal negro, em que o homem toca saxofone... Importante ressaltar que a trilha sonora do filme, com a direção de Bernardo Bertolucci, é do músico Gato Barbieri [clique aqui e confira a trilha], jazz com pitadas de tango do começo ao fim, deixando o filme ainda mais primoroso, a trilha sonora dá o toque de sensualidade que embala o casal protagonista, interpretado por Marlon Brando e Maria Schneider.

Trilha sonora de Gato Barbieri

Sem contar a polêmica com a cena da 'manteiga' que foi um furo na época que o filme foi lançado, sendo vetado em vários países, incluindo o Brasil, pois alegaram um desrespeito com a instituição da sagrada família, além das fortes cenas de cunho sexual e nudez apresentadas, e pelo teor 'herege' dos diálogos dos personagens, sobre sexo, moral e igreja...


Voltando ao livro, essa polêmica também ocorreu com a publicação, claro. Porém, de forma menos explícita que no filme. Mas não pretendo contar os detalhes dessa parte da 'manteiga' e demais cenas 'imorais' e deixo que vocês descubram por si mesmos ao lerem/verem a história... Os diálogos do casal são esquisitos, com assuntos que perturbam Jeanne, Paul é um sádico que gosta de deixá-la de 'sobreaviso', há momentos em que ele age como se fosse matá-la e deixar seu corpo abandonado naquele apartamento caindo aos pedaços... E ninguém saberia de nada caso o crime realmente ocorresse, mas ele de fato não quer matá-la, apenas assustá-la, pois se diverte com o medo nos olhos de Jeanne. As emoções afloradas dela o excitam, meio que uma válvula de escape para o pesadelo de sua vida que ele deixa na porta do prédio, e só o recolhe de volta quando vai embora...


Um fato bem peculiar é que em momento algum eles sabem de suas histórias, sequer seus nomes são ditos. Jeanne até tenta certa vez contar algo de si mesma, mas Paul sempre a retrai, enérgico. Eles são perfeitos estranhos, compartilhando fluídos e não sabem seus nomes, idades, endereços... É como se naquele apartamento eles deixassem de existir para o mundo lá fora, e ali só houvesse a união sexual que conecta ambos...
"Não se tocavam, agora, mas ambos tinham a perfeita consciência do corpo do outro, da sua proximidade e da intrigante possibilidade. Esse era, na realidade, o elo que havia entre eles."
O apartamento era um refúgio para Paul e Jeanne, um homem de meia-idade, viúvo e perdido em solidão e Jeanne, uma garota presa a conveniências, a um futuro 'seguro e metódico' mas sem emoção... Ele, 45 anos, ela, vinte e poucos, compartilhando do cheiro de mofo de um prédio velho, pouco visitado e habitado, numa rua do subúrbio da rica cidade parisiense. Art Nouveau estampando as ruas daquela parte antiga da cidade, o cinema dos anos 70 pela câmera de seu noivo e uma chama de prazeres sem obrigações futuras com aquele desconhecido... O instante vivido transformado em eterno, até o momento em que ambos saem da 'redoma reconfortante de sexo e entrega dos corpos'. Paul, que de início repugnava a possibilidade de conhecer o mundo externo de Jeanne, começa a enxergar uma vida fora do apartamento com ela, e nesse momento, Jeanne começa a enxergar os defeitos daquele homem, de cabelos quase brancos, com o peso da idade sobrepondo-se entre eles, além de outros fatores... Fora do apartamento, o encanto esvaneceu...


Sentindo-se perseguida pelas ruas e becos de Paris, eles ainda dançam uma última música, um Último Tango, até o desfecho surpreendente que os aguarda... 

"-Eu sou eu, você é você. Eu e você. Sem nome, sem profissão, sem vínculo nenhum com a vida aqui fora. Nós dois."






25 agosto 2014

Resultado da Promoção do livro infantil "Folhas de Castanheira"

Demoramos mas não falhamos! Vamos divulgar o resultado do sorteio do livro infantil Folhas de Castanheira que comentamos aqui.
Tivemos um mês de promoção e ficamos muito felizes com a participação de todos! Mais uma vez, agradecemos a todos que participam de nossos concursos culturais e sorteios.
O sorteio foi realizado às 23:13 desta segunda-feira, 25/08/2014 pelo Random.org conhecido site que auxilia sorteios para promoções na internet.
E quem vai levar esse adorável livro é...

Mônica Miranda 
Osasco/SP


Resultado:




Parabéns Mônica!

E para quem participou, não ganhou mas tem interesse em adquirir o livrinho, entre em contato com o escritor David Rocha.




Boas leituras e até a próxima!

Sobre o Caminho de Santiago de Compostela

O texto a seguir foi escrito pelo nosso convidado Fábio Michelete, autor do romance “Aprendi a me Amar – Em busca da felicidade”.

Recentemente, tenho me dedicado a caminhadas longas. Um amigo me introduziu ao grupo, que dedica algumas manhãs a caminhadas, que vão de 15kms a (por enquanto) 41kms.

Quando o corpo atinge seu ritmo ótimo de funcionamento, a mente se equilibra. Com o devido treino, você deixa de lado o que estava fazendo antes e o que fará depois da caminhada, sintoniza com o entorno, mimetiza com ele, você não é mais indivíduo: é natureza, fluindo pela estrada, passo a passo; é sangue, fluindo pelas artérias a cada pulso; é silêncio que a tudo permeia, interrompido pelo ruído de suas pegadas.

A caminhada como transformação. Caminhar por horas tem claras vantagens além da prática esportiva. O peregrino logo identifica a óbvia associação da caminhada de longa distância como uma forma de uma meditação em movimento. Seu expoente cultural máximo é simbolizado pela divulgação e prática dos caminhos de peregrinação – dentre eles o mais famoso – o Caminho de Santiago de Compostela.



“Lendas do Caminho de Santiago” (Editora Madras) é uma descrição de mitos cristãos, coletados por um estudioso da “Rota Jacobeia” (Iacobus é a origem Latina do nome de Santiago). Uma sequência de histórias associadas a monumentos, igrejas, pontes e pontos de interesse no caminho. 

Seguindo a apresentação objetiva do mito, há uma interpretação do autor, tentando extrair algum ensinamento ou atribuir relevância ao mesmo. O autor tenta sugerir uma unicidade simbólica entre os mitos. Como se o caminho e suas histórias tivessem uma coerência, possivelmente de inspiração divina, que explicavam sua importância e longevidade. Essa ideia interessante, provavelmente, é o que explica seus anos de estudo e dedicação ao tema.

O resultado, no entanto, ficou burocrático. Não cheguei a experimentar a unicidade proposta, e algumas das histórias pareceram pueris, cansativas. É importante contextualizar que minha espiritualidade não se traduz muito facilmente nesses referenciais, mas mesmo assim me esforcei, procurando por alguma identificação com minhas experiências de caminhada. Mesmo assim, não consegui ter forte interesse pelo conteúdo do livro. Talvez escrito por um erudito em área tão especifica, tenha reduzido seus raros leitores àqueles com referenciais semelhantes.

A menos que esteja interessado em saber detalhes religiosos do caminho, não recomendo a leitura, pois perde-se aquele frescor de uma experiência vivida. “A lenda de Santa Orosia”, “o cajado de São Francisco”, “O gigante Ferragut”, “O castigo de Santa Columba”, alguma dessas histórias tem raízes fortes para você? Se a resposta for negativa como era para mim...talvez deva tentar outra coisa.

Com um tema simbolicamente tão rico, não é de admirar que tenha sido objeto de ampla literatura e produção cultural. Há guias, descrições de pessoas que fizeram o caminho, dicas, etc. São experiências muito pessoais, mas gostosas de acompanhar. Esbarrei por algumas já: desde uma leitura antiga de “O Diário de um Mago”, que sinceramente foi prazeroso, mas deixou poucas marcas (há anos da leitura) – até o contato mais recente, por acaso, do filme “The Way” (2010).

Cena do filme "O Caminho de Santiago" (The Way) - 2010

Uma metáfora para a vida. O caminho de Santiago, imagino, faz-nos viver o presente enquanto caminhamos por longos 800km, dia após dia. Em seu percurso, você com sua persona: dedicará tempo a ela e suas necessidades? Seus medos? Ou empreenderá a jornada ao desconhecido? Dá pra fazer tudo isso. Dá pra hospedar-se em bons hotéis e fazer turismo, dá pra seguir apenas mais um clichê cultural, dá pra carregar na mala contingências para quaisquer desconfortos. 

Ao final, você colhe o que plantou. Os méritos são concedidos com justiça. Como ao final de uma sessão de cinema, de um período de embriaguez, ou da leitura de um livro, há a difícil reconexão com a vida. O caminho verdadeiro, me disseram é esse que inicia quando se termina a peregrinação. 

Uma alma dedicada ao essencial jogará fora aquilo que você carrega de supérfluo. Sua vida não será a mesma.

24 agosto 2014

O estrangulador, de Sidney Sheldon

Apesar de não ser o primeiro título que leio de Sidney Sheldon, é o primeiro que resolvi resenhar aqui no blog. O estrangulador foi uma leitura muito rápida, pois além de ser um livro de pouco mais de 100 páginas, é uma trama policial infanto-juvenil [amo] que me instigou até o fim, fluindo muito bem.

Existe um maníaco matando mulheres nas ruas de Londres, e a única coisa que a polícia descobriu é que as mortes acontecem quando chove durante a noite. Aparentemente não existe nenhuma ligação entre as vítimas e então a polícia resolve 'recrutar' para o caso o sargento Sekio Takagi, um rapaz jovem mas com uma mente brilhante, capaz de resolver esses crimes. Naturalmente ele aceita o caso, e em meio a desvencilhar-se de um jornalista chato, ele precisa descobrir o assassino antes que ele faça mais vítimas...

Quando o boletim de meteorologia avisa que vai chover, o perigo se aproxima, ameaçador... Durante as investigações, Sekio percebe que as mulheres mortas tem uma espécie de marca nas costas, mas não se sabe que objeto provocou aquilo, e nesse meio tempo, mais uma mulher é morta. Ao chegar ao local do crime, Sekio encontra um tomate caído. Poderia ser uma pista? Ou apenas um fator corriqueiro?

Agora, vamos ao assassino. Alan Simpson lê o jornal e sorri ao ver mais uma de suas mortes estampando a matéria. Pensa em como está limpando o mundo das mulheres, pois todas elas são pecadoras e merecem morrer. Por causa de um incidente que viu quando era criança, envolvendo sua própria mãe, em meio a  uma chuva torrencial, cresceu em sua mente a ideia de livrar o mal do mundo, e para isso, ele precisa matar...

O livro não trata de fazer o leitor descobrir o assassino, e sim, sobre a caçada de Sekio contra o criminoso. Além disso, surge uma vítima que não foi morta por pura sorte. Sekio acaba se encantando com ela e então a história vai girar em torno do assassino querendo terminar seu trabalho antes de ser identificado pela polícia e pela garota. E o tomate? Sekio descobre em sua investigação o padrão de Alan Simpson. Ele aborda mulheres na saída de um supermercado e oferece o guarda-chuva para acompanhá-las até em casa, e daí comete os crimes... O tomate foi uma pista importante...


Não posso me prolongar na história senão daria muitos spoilers. E me desculpem se acabei contando algo que possa vir a ser um spoiler para vocês, mas nada do que contei tira o prazer da leitura, nem é algum fato importante para descobrir o desfecho logo de cara. Achei algumas coisas meio clichês na obra, com relação ao envolvimento do sargento com a garota que sobreviveu ao primeiro ataque de Alan, mas nada que me tirasse a vontade de ir até o final. Alan Simpson vai ser pego? Ele vai conseguir aniquilar sua única testemunha? Sekio encontrou a mulher de seus sonhos na figura da garota que Alan quer matar?

Isso você só descobre se ler... Ótima recomendação para um intervalo entre leituras mais densas... O livro é uma publicação da Ed. Galera Record e da Ed. Ática


Até a próxima, pessoal...

23 agosto 2014

Cada Segredo, de Laura Lippman

Desde "Chucky, O Brinquedo Assassino" (1988) e sua sequência interminável de assassinatos macabros, os bonequinhos fofinhos de infância começaram a servir de pano de fundo para histórias de terror. Quem não se lembra das acusações contra o boneco Fofão que, de acordo com testemunhas convictas, era "objeto do demônio", uma espécie de pacto com o sinistro firmado por seus fabricantes? O boneco esconderia um punhal satânico embaixo do pescoço e que serviria para estimular assassinatos. Na época, o boato se espalhou de tal forma que pouca gente percebeu a "semelhança" - assim, só por curiosidade - de Fofão com o boneco cinematográfico Chucky.

Chucky e Fofão

Especulações à parte, o universo infantil foi tomado pelo pânico, terror e sangue frio. Mesmo assim, como podemos acreditar que criancinhas, meros anjos indefesos, sejam capazes de praticar crimes, e ainda por cima hediondos? O filme "O Anjo Malvado" (1993) atira um dardo nessa direção quando surpreende a todos com a história de um menino perverso, estrelado pelo então natalino Macaulay Culkin. Essa mesma reflexão também é levantada pela escritora norte-americana Laura Lippman em seu romance "Cada Segredo" (original Every Secret Thing, tradução de Márcia Alves, Editora Record, 2011, págs. 406), onde um assassinato é cometido por duas garotas de onze anos de idade. No enredo, as pré-adolescentes Alice Manning, uma garota acima do peso, tímida e repleta de complexos, e sua colega, a problemática Ronnie Fuller, fruto de uma família desequilibrada e fora de senso, cometem um homicídio a sangue frio e são condenadas à prisão. 

Tudo começa em uma festa de aniversário: depois de serem expulsas, Alice e Ronnie voltam para casa por meio de uma avenida isolada e perigosa. Decidindo cortar caminho, as duas param diante de uma casa ornamentada e rica, encontrando do lado de fora um carrinho com uma bebê dentro. Alguns dias depois, a bebê, uma garota chama Olivia, é encontrada morta dentro de uma casa abandonada. A culpa recai sobre as duas jovens colegas, culminando em amargos sete anos em reformatórios. Com a liberação delas, muitos segredos obscuros vêm à tona, tendo em vista que novas crianças começam a desaparecer misteriosamente.

A escrita de Lippman é firme, desperta curiosidade e instiga o leitor. Ainda assim, tive dificuldade em seguir o ritmo de leitura em algumas partes, pois a autora aposta em muitos detalhes e torna a sequência cansativa. A biografia de Alice e Ronnie conseguiu chamar bastante minha atenção, já que parecem casos encontrados em prontuários de hospitais psiquiátricos ou instituições de assistência infantil. Além das duas garotas, há personagens secundários com dramas próprios, como a detetive Nancy Porter, encarregada do caso; a mãe de Alice e sua advogada de defesa, além da mãe da pequena Olivia.

A autora Laura Lippman
Laura Lippman também toca em temas delicados, como preconceito de raça - já que a bebê morta era negra - e de classe social - sofrido por Alice e - especialmente - por Ronnie. Dividido em capítulos, Cada Segredo segue em ordem cronológica, com alguns flashbacks importantíssimos para a trama. O leitor também pode dar de encontro com as vozes interiores das personagens, tornando o texto ainda mais coordenado.

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