08 maio 2017

O Indigitado, de Carlos Heitor Cony

O Indigitado foi o segundo livro que li do escritor brasileiro Carlos Heitor Cony. Eu o li a primeira vez por volta de 2009 e recentemente resolvi reler. Na verdade esse livro faz parte de uma série chamada cinco dedos de prosa no qual cinco autores brasileiros foram convidados para escreveram cada um um romance que focasse em um dos dedos das mãos. Carlos Heitor ficou com o dedo indicador.

A história é sobre um garoto que foi trocado no berço por ciganas. O bebê em certa tarde ficou aos cuidados de uma tia que não notou a troca mas quando a mãe do menino chegou notou logo que o filho não era seu, principalmente por uma característica que seu bebê roubado tinha e o que ficou para trás não. O seu filho não tinha o dedo indicador da mão direita.

A família comunica a polícia há toda uma comoção mas no fim das contas o bebê e as ciganas sumiram e o garoto cigano acabou sendo criado por esses outros pais.
Aos sete anos nosso protagonista acaba descobrindo que não é filho de seus pais e descobre sobre a troca o que faz com que ele sinta que ele não possui uma identidade certa...Então ele põe na cabeça que precisa encontrar o outro.

O autor traça uma história simples mas que prende atenção. Narra da infância a vida adulta do personagem que até quase o meio do livro não sabemos do nome. A escrita é linear,direta e sem firulas, o protagonista cheio de ironia e certo desinteresse pelas regras do mundo e no fim acabamos lendo a história sem parar devido o absurdo da situação porque o rapaz já jovem, não desiste de sua busca e em certo momento da história ele descobre que está sendo que procurado também.

Em suma o Indigitado é um livro curioso. Não posso dizer que possui um final brilhante mas não desagrada. É daqueles livros em que o trajeto é mais interessante que a chegada.

25 abril 2017

XII Bienal Internacional do Livro do Ceará por Tamara Costa


Oi gente, tudo bem? O pessoal aqui do Dose adora uma Bienal do Livro e sempre que possível  há cobertura da de São Paulo que é onde a maioria dos integrantes moram (ou moraram). Eu sou do Ceará mas nunca havia ido a esse evento...então esse ano aproveitei que estava com uma folga e fui.

A XII Bienal Internacional do Livro do Ceará ocorreu de 14 a 23 de Abril  no Centro de Eventos do Ceará em Fortaleza com o Tema: "Cada pessoa uma livro; O Mundo, a biblioteca"

Eu fui no dia 16 (domingo) com meu irmão. Quis muito ir no dia 23 também, porque o Daniel Galera um dos meus escritores preferidos estaria presente mas eu já estaria de volta a minha cidade e não foi possível.

Chegando lá nossa primeira parada foi no estande do III Festival de Ilustração de Fortaleza lá estava tendo a exposição de desenhos e pinturas de vários artistas locais e quem quisesse podia deixar seu trabalho por lá, sendo profissional ou amador. Meu irmão desenha muito bem e deixou uma arte sua.


Depois disso fomos passear aleatoriamente. Eu procurei estandes de editoras mais conhecidas mas os únicos que achei foi do Grupo Editorial Record e do Grupo Companhia das Letras, os outros estandes eram de livrarias locais ou grandes conhecidas como a Saraiva. Isso me decepcionou um pouco porque esperava encontrar mais estandes de editoras porque imaginei que seriam mais temáticos.


Havia um estande sobre a Biblioteca de Acervos Especiais que é uma exposição de livros raros que estava acontecendo (talvez ainda esteja) na Faculdade Unifor, o estande era só para informar mas havia duas amostras de livros raros lá e lógico que paramos para dar uma olhadinha.
Não achei os estandes chamativos o suficiente para tirar fotos. Gostei da biblioteca itinerante mas no geral achei que eles estavam sem graça, eu esperava grandes temas, locais divertidos para fotos e não vi isso.


Agora quanto aos preços...sempre soube pelos comentários que Bienal não é sinal de livro barato mas achei absurdos os preços. Quando se tratavam de lançamentos não havia livro com o preço menor que 45 reais...tinha sim os estandes com a conhecidas promoções de 20, 10 e 5 reais, mas a desorganização era grande, as filas enormes e por mais que se achasse muito livro bacana nunca era aquele que você ia pensar "puxa vida, aquele livro que eu procuro a eras".

Meu irmão comprou dois livros e eu saí apenas com um: uma edição de Histórias Extraordinárias do Poe da Editora Tordesilhas que eu queria muito. Não saiu barato mas eu fiz meus cálculos e online sempre a achava caro e ainda tinha o frete, pelo menos dessa vez não teve o frete.

Olha o lindão aqui posando para a foto :D
Por mais que eu tenha achado mais pontos negativos que positivos, foi divertido o passeio. Alguém aí foi? Como foi a experiência?

Até a próxima!

15 abril 2017

Cujo, de Stephen King

Recebi pelo selo Suma de Letras o livro Cujo, do aclamado e já tão falado aqui no Dose Stephen King. Esse título estreia uma nova coleção da editora Companhia das Letras, a Biblioteca Stephen King... Situada no Maine, uma fera espreita a fim de atacar suas vítimas. Cujo é um são Bernardo que foi mordido por um morcego raivoso, e acaba infectado... Sem ninguém descobrir o que houve com o pobre animal, o desenvolvimento de sua doença acaba fazendo algumas vítimas...

Tad Trenton é um menino de apenas 4 anos. Ele anda assustado com uma figura sombria que anda aterrorizando o closet de seu quarto... Seria o espírito de Frank Dodd, serial killer que aterrorizou a cidade tempos atrás e que virou uma espécie de lenda urbana na cidade?

Um dos pontos interessantes na narrativa e que a tornam frenética é a maneira como King conduz a trama, pela perspectiva de inúmeros personagens, que a principio parecem não ter ligação alguma entre si, mas são inseri dos numa teia de fatores que colidem  num desfecho impressionante, cruel e triste... Além do horror em si, pelo fato do cão atacar suas vítimas, ainda nos deparamos com o horror dos relacionamentos sociais que se despedaçam ou culminam para o fim, além de 'passear' pela mente confusa de um dócil cachorro que presenciamos desabrochar numa fera terrível e sem limites...

Outro ponto importante a frisar é a caracterização dos personagens, não apenas o núcleo principal [a família do menino], como também a família dona de Cujo, a vizinhança, demais moradores da cidade que acabam tendo um papel crucial para o enredo se desenvolver... A própria cidade pode ser considerada um personagem, com suas descrições de cenário, acontecimentos passados que ainda evocam na memória dos moradores atuais e o clima soturno de 'lugar esquecido por Deus'...


A edição está impecavelmente bonita, com detalhe em baixo-relevo na capa, uma entrevista feita por Christopher Lehmann-Haupt e Nathaniel Rich para a The Paris Review em 2006, que nos faz conhecer um pouco do escritor e seu processo de escrita/criação de histórias... Existe uma adaptação em filme, datada de 1983... O final do filme é diferente do livro, sendo assim uma surpresa para aqueles que conheciam a história por causa da película...

Em suma, Cujo foi uma das obras mais densas e alucinantes que já li do autor, e certamente vai entreter bem aqueles que se aventurarem a folhear as suas páginas...