27 setembro 2016

Os Anjos: Guardiães da Esperança, de Terry Lynn Taylor

Protetores, guardiães, seres de luz, entidades amigas, guias... Os nomes podem variar de acordo com a crença ou convicção filosófica, mas a ideia de que existem espíritos que guardam e protegem a humanidade é milenar. Em "Os Anjos: Guardiães da Esperança" (original Guardians of Hope: The angel's guide to personal growth, tradução de Júlio Fischer, editora Pensamento, págs. 208), a autora esotérica Terry Lynn Taylor vai abordar a temática angélica por meio de uma ótica mais transcendental e menos religiosa.

O livro é dividido em partes temáticas que comentam desde a origem dos anjos até o ensino de práticas para estar mais perto de nossos amigos espirituais. Em uma linguagem acessível, nada enfadonha e tampouco catequista, Lynn Taylor usa exemplos para aproximar o leitor de sua fala, abordando a existência angélica de forma familiar, quase palpável. A autora dedica um capítulo inteiro para falar sobre os anjos como guardiães dos doze passos, práticas que retomam àquelas apresentas em grupos de apoio (o AA é um exemplo).

Apesar da leitura estar conectada a um rastro mínimo de crença - se você for cético ou niilista, esse livro não deve estar entre suas leituras urgentes -, Os Anjos: Guardiães da Esperança segue fluido, cumprindo sua proposta de fazer autoajuda sem encher o saco ou ditar regras. Se você não se importar em ler passagens que vão exigir um pouco de desprendimento terreno, vá em frente. Ótima leitura para descanso mental e busca de novas perspectivas espirituais.

23 setembro 2016

O Sucesso, de Adriana Lisboa

Olá leitores :) Trouxe hoje pra vocês uma resenha de livro de contos...e verdade seja dita, livros de contos são sempre mais difíceis de resenhar. No entanto vou tentar passar da melhor maneira possível as minhas impressões para vocês.

O Sucesso é meu primeiro contato com a escrita da escritora brasileira Adriana Lisboa. Eu já a conhecia de nome mas ainda não tinha tido a chance de ler nada dela. 
Esse livro em questão me chamou atenção pela sinopse porque parecem ser contos bem diversos e pelo título acabei intuindo que a atmosfera dos contos giravam em torno do tema desse título. Acabei me enganado porque na verdade o título é apenas o nome de um dos contos.

O livro possui 9 contos dos quais eu gostei mais de 5, o que achei bem positivo. 
O que mais curti foram: O enforcado que é narrado por um homem que ao visitar o bairro onde morava quando mais jovem, passa a lembrar de uma antiga namorada que gostava de jogar cartas de tarô. Então ele acaba indo parar justamente na porta de uma cigana que também joga cartas e começa a se sentir atraído pela mesma. Esse foi o conto que mais gostei, sem nem pensar duas vezes. Achei a escrita de Adriana aqui um pouco melancólica, nostálgica e ela deu um desfecho na história que me fez tremer nas bases. Aquele ano em Rishikesh é narrado por um rapaz lembrando dos últimos dias que passou com sua avó, doente terminal. É muito bonita a maneira como ele conta sua relação com a idosa e sua admiração e ceticismo com as histórias que a velhinha contava. Uma dica, quem curte beatles, vai gostar muito desse ^^ (eu nem sou fã e adorei). A Mocinha da foto é um conto bem curtinho e despretensioso sobre uma mulher que começa a notar sinais de traição no seu esposo. O Escritor, sua mulher e o gato é o conto mais longo do volume, é um conto bem intenso. Aqui a narração é feita por um fotógrafo recém-divorciado, que escolhe o trabalho de viajar pra fazer fotos de um escritor esquecido que recebeu um grande prêmio por sua obra-prima. Gostei muito desse conto porque ele é bastante visual, acho que pelo narrador ser um fotógrafo, aqui a autora deu destaque nas descrições porque conseguimos visualizar tudo em detalhes como se estivéssemos vendo lindas fotografias em preto e branco. Também me surpreendeu muito por seu desfecho inesperado. Por fim, para caráter de desempate, o conto Glória que é narrado por uma ex-doméstica que durante os anos 60 viveu um romance que tomou proporções muito dramáticas e que agora, anos mais tarde voltou para assombrá-la. 

Eu não me senti no direito de contar mais porque acho que qualquer detalhe a mais pode quebrar aquela surpresa, aquele momento ápice que certas histórias trazem. Mas posso dizer com certeza que Adriana Lisboa é uma escritora de mão cheia e que sabe conduzir bem o leitor por suas narrativas. Não gostei mesmo de todos os contos igualmente porque querendo ou não, como leitor e como pessoa, tem coisas que nos chamam mais atenção e outras não e foi isso o que ocorreu nos outros contos dessas coletânea, o conto o Sucesso por exemplo, não me tocou, achei que ele foi muito simples e sem surpresas e não entendi bem porque justo ele foi escolhido para nomear o livro.
Mas um fato é, lerei muito mais dessa autora.

Alguns grifos:

Será que fingir ignorância era mais uma vez a melhor defesa? O problema era que doía igual. Apesar da aceleração do tempo.
Pg. 56 - Conto: A Mocinha da foto

É o amor dele por aquela arte que a comove. Por aquele mundo. Pelo que aqueles objetos carregam de sentido e de vida indecifrável.
Pg. 78 - Conto: Feelings

Não era possível morrer só pela metade. Enterrar-se pela cintura e observar o apodrecimento de cinquenta por cento do corpo enquanto os outros cinquenta por cento vão ler jornal ou tomar um porre ou tirar férias.
Pg. 118 - Conto: O escritor, sua mulher e o gato 
Até mais! :**

Esse livro é um lançamento de Jul/2016 e foi uma cortesia da nossa Parceria com a Companhia das Letras.

14 setembro 2016

Gigantes Adormecidos, de Sylvain Neuvel

Gigantes Adormecidos me chamou a atenção primeiramente por causa da capa, mas a sinopse me intrigou um pouco também. Como não tenho o costume de ler ficção científica, sempre fico um pouco receosa porque as poucas experiências que tive com o gênero, não foram ruins, no entanto eu senti pouca empatia com os protagonistas dos livros porque normalmente os acho um pouco frios, não sei se pelo caráter das descrições mais sucintas mas a questão é que eu sempre senti isso ao ler livros desse tipo. Mas não senti isso lendo esse livro em questão.

A primeira coisa que me chamou a atenção, foi a maneira que a história foi apresentada. Cada capítulo, ao invés de ser um capítulo, é um arquivo. Uma entrevista, uma entrada em um diário ou uma notícia em um jornal. Já li livros em forma de cartas, livros apenas com diálogos mas em forma de entrevistas eu não lembro de ter lido ainda, então achei interessante. Acho que essa é a razão dessa série ser chamada Os Arquivos de Têmis, achei bacana porque dá aquela impressão de algo de caráter sigiloso, secreto e outro ponto que logo desperta a curiosidade, é o fato de os arquivos não serem exatamente em uma sequência e durante o decorrer da história há muitos pulos o que nos faz pensar que nos próximos livros esses arquivos "perdidos" vão aparecer e revelar muitas surpresas.

No epílogo da história, Rose Franklin narra um acontecimento de sua infância quando aos 11 anos ao andar de bicicleta, é atraída por uma estranha luz turquesa e cai em uma cratera enorme, ao ser resgatada, Rose ao ver as fotos tiradas pelos bombeiros descobre que ficou horas sentada em uma enorme mão metálica. Anos mais tarde essa mesma personagem, agora uma PhD em Física foi chamada a participar de um projeto para juntar os pedaços do que parece ser um robô gigante, pois uma subtenente e seu subordinado encontraram um antebraço enquanto estavam em uma missão.
Imagem linda que há no livro
O entrevistador do livro é um homem que ninguém (mesmo os entrevistados) sabem o nome, esse homem é quem aparentemente controla toda a operação mas em nenhum momento sua identidade é revelada, então uma equipe é montada para que seja feita a busca pelas partes desse robô gigante e de acordo com as pesquisas da Dra. Franklin, tudo indica que o mesmo seja muito antigo e não foi criado na terra.
No entanto essas partes do robô, por estarem espalhadas pelo mundo são um grande problema porque para terem acesso a essas peças, as pessoas da equipe precisam invadir territórios de outros países e é por aí que os conflitos da história começam a aparecer.
Muitos questionamentos são levantados, tantos pelos personagens como o próprio leitor que se põe a pensar também, principalmente quando certos "acidentes" começam a acontecer para manter a operação funcionando. 

Eu gostei muito da maneira como os personagens são explorados, porque se eu sentia falta de certa carga emocional em personagens de livros de sci-fi, com certeza Neuvel me deu isso. Os personagens são humanos demais, com todos seus questionamentos, dúvidas e sentimentos contraditórios. Eu particularmente gostei muito da subtenente Kara Resnik, porque ela é um osso duro de roer rs e por mais que ela seja bem doida, adorei o humor ácido dela. Mas temos outros personagens bem interessantes também, que surpreendem muito no decorrer da trama.

O final do livro é a cereja do bolo. O gancho que o autor deixou pra iniciar a história do segundo livro, foi totalmente inesperado, agora eu quero é ver como ele vai conduzir isso tudo que ele criou. O segundo livro de acordo com o site do próprio autor vai se chamar Waking Gods e espero que saia logo por aqui ;)

Até mais!

Esse livro é um lançamento de Jun/2016 e foi uma cortesia da nossa Parceria com a Companhia das Letras.
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