23 novembro 2014

Autores quando crianças...

Resolvi trazer para vocês alguns dos meus escritores favoritos quando ainda eram pequenos. Espero que gostem da seleção...

Oscar Wilde
Autor de uma de minhas obras preferidas, O retrato de Dorian Gray, não poderia deixar de citá-lo aqui. Ele parecia uma menininha...


A Rainha do Crime Agatha Christie também não poderia deixar de aparecer neste post. Ela era uma gracinha, não acham?


 Meu adorado Franz Kafka, que viria a se tornar famoso graças a sua obra-prima A metamorfose. Sem dúvida, é um dos meus autores preferidos.



Anne Frank pode ser considerada uma escritora criança, pois seu único livro, O diário de Anne Frank foi escrito quando era uma menina, e ela não chegou a ver seu diário publicado, por ter morrido num campo de concentração nazista. Um livro que chocou e encantou o mundo. Não dava pra deixar a pequena Anne fora deste post... 



A tão séria Clarice Lispector é outra a quem devo uma postagem aqui no blog. Nascida na Ucrânia, veio ao Brasil ainda pequena e naturalizou-se aqui. Uma de suas obras mais conhecidas é A hora da estrela. 


 Vejam como o autor de On the Road era um fofo quando pequeno. Jack Kerouac ficou conhecido como o criador da geração beat, e eu sou completamente apaixonada por seus livros. Queria um Jack lindo desses pra mim. *risos*



O meu querido velho Buk já foi novinho. Charles Bukowski, conhecido por sua escrita suja e grotesca foi uma criança muito fofinha também, não acham? Pena que quando cresceu ficou feiosinho, mas o seu talento é indiscutível. Apesar de não ter possuído uma beleza notável era um tremendo 'pegador', tendo uma vida repleta de mulheres, álcool e corridas de cavalos... 



Bem, espero que tenham curtido o post. Até a próxima...



22 novembro 2014

Uma Prova de Amor, de Emily Giffin

Você já passou pela experiência de abrir um livro com toda a empolgação que seu organismo é capaz de demonstrar e, momentos depois, receber um balde de água fria na cabeça? Baldes sucessivos vão sendo derramados em cima de você e todo aquele entusiasmo de outrora começa a assumir novos contornos. Foi assim que me senti ao começar e finalizar a leitura de "Uma Prova de Amor" (original Baby Proof, tradução de Maria Angela Amorim de Paschoal, editora Novo Conceito, 2013, págs. 432), da badalada autora Emily Giffin

A derrocada foi pior porque tive ótimas impressões dos livros anteriores - "Questões do Coração" (2011) e "Presentes da Vida" (2011) -, e fiquei com uma expectativa adolescente ao abrir a embalagem caprichada de "Uma Prova de Amor". As queridas amigas Maria Valéria e Tamara escreveram textos saborosos sobre o livro aqui e aqui (respectivamente), e eu me empolguei bastante. As resenhas não me decepcionaram, o que já não aconteceu com a narrativa. A história é básica: Cláudia Parr, editora de sucesso, aproveita o melhor da vida até alcançar a fase balzaquiana. Ao começar uma infinidade de relacionamentos amorosos, Cláudia sempre esbarra no estilhaço de tensão que rompe todos os seus casos: ela não quer ser mãe. A imagem de crianças correndo pela casa, gritando por doces e riscando paredes com lápis de cera personifica-se como o pior pesadelo de Cláudia. Por alguma razão, nenhum dos homens com quem se relaciona pensa o mesmo, até que ela encontra Ben - um arquiteto charmosão também decidido a não ter filhos.

Ao lado de Ben, Cláudia se sente completa e feliz, e os dois terminam contraindo matrimônio. No entanto, após alguns anos, a doce rotina festiva muda e o que antes parecia ser uma decisão irredutível passa por profundas modificações. A trama gira em torno das consequências da nova situação encarada pelo casal. Apesar da temática ser interessante, a autora escorrega na banana ao encher o livro de clichês, diálogos vazios, personagens melodramáticos e inúmeras contradições. De mulher aparentemente decidida, Cláudia vai se mostrando uma apaixonada dependente, mesquinha sentimental, ciumenta e dona de todas as caras e bocas dignas de protagonistas de novelas.

O começo do livro foi particularmente difícil para mim, justamente por concentrar os momentos mais ocos da obra. O decorrer do texto vai amenizando alguns fiascos do início, mas as minhas expectativas já tinham sido derrubadas e não foram recuperadas. Para quem já escreveu sobre traição, amor e amizade com tanta sensibilidade e agudeza, Emily Giffin tombou feio.

20 novembro 2014

Anne Frank - O outro lado do diário





A primeira vez que tive contato com a menina Anne foi em um artigo de jornal na biblioteca da escola onde eu estudava, e ao ver aquele rosto senti como se algo me dissesse que eu precisava conhecer sobre sua vida, que ela havia sido alguém na história que eu deveria saber quem era... Eu era uma criança de 11 ou 12 anos, e logo simpatizei com a photo preta e branca daquela menininha judia, que aos 15 anos morrera num campo de concentração nazista, durante a Segunda Guerra Mundial... O jornal não dava detalhes mas falava sobre O diário de Anne Frank, escrito por ela enquanto escondida com sua família em um anexo de um prédio em Amsterdã... 


A garota de 11 ou 12 anos cresceu e hoje vos escreve nesse blog. Com a minha integração ao mundo da internet [sim, faz muito tempo desde os meus 11 anos...], pude saber mais a respeito de Anne e sempre tive vontade de ler seu diário, então meu querido namorado me presenteia em meu aniversário de 24 anos. [sim, demorei 13 anos pra finalmente ler O diário de Anne Frank] e posso dizer que foi uma experiência única, repleta de lágrimas e dor, e ao mesmo tempo de felicidade por saber que ela não foi apenas uma vítima anônima da guerra, como tantos outros judeus... 


E eis que um dia desses encontro no sebo que costumo frequentar o livro Anne Frank - O outro lado do Diário. Miep Gies e Alison Leslie Gold. A história da mulher que ajudou a esconder a família Frank. Pensei: não é possível, outro livro sobre Anne que eu desconhecia? Seria a mesma história do Diário que já tenho em casa? Mas, resolvi trazer, pois estava por apenas 5 reais, meio gasto, grifado por sua dona anterior... Se fosse repetido, eu doaria pra alguém, mas não foi...

O outro lado do Diário seria a versão de Miep Gies, mulher que ajudou a família Frank quando estava escondida, e que era secretária de Otto Frank na época. De extrema confiança, ela e seu marido arriscaram a vida, junto com alguns funcionários da empresa, a ajudar não só os Frank, mas também a família Van Pels e um dentista amigo de Otto, Fritz Pfeffer. Foram oito pessoas que conviveram escondidas durante 25 meses num espaço pequeno, sem privacidade e tendo o medo como constante companhia...

Miep começa o livro falando sobre si mesma, de quando teve que sair do convívio de sua família após o final da primeira guerra, sendo adotada por uma família holandesa. Ela era austríaca. Fala sobre sua juventude, de quando conseguiu o emprego na pequena firma de Otto Frank e de como conquistou a confiança e estima de seu patrão. Fala também sobre os demais funcionários do escritório e sobre a invasão das tropas nazistas em Amsterdã. Os horrores da guerra e a fuga para o anexo de seus amigos, e o período em que os ajudou, buscando comida - cada vez mais difícil de encontrar - a fim de alimentar a todos...

Miep Gies



Entre as páginas, podemos perceber que Miep descrevia Anne a todo momento como sendo uma garota que crescia rapidamente, tanto física como psicologicamente, e tendo que enfrentar as dificuldades que a guerra impunha, Anne acabou amadurecendo de forma precoce, mas sem perder a ingenuidade e fé na bondade das pessoas...




Confesso que em várias passagens do livro senti uma espécie de desconforto sobre a maneira que os judeus eram humilhados pelos nazistas. Eles perderam tudo: os bens, os amigos, o direito de ir e vir, parentes, a própria vida. Tendo que se esconder, fugir, passar fome, serem torturados e conviverem com o medo de serem levados pelos trens de gado pra caminho desconhecido... para a morte... É revoltante saber disso, e não sei se eu conseguiria suportar tanto como eles fizeram... Não só os judeus, mas os holandeses passaram várias dificuldades. A principal delas era a fome, pois a comida do país era prioridade para os soldados alemães... O holandês que se recusasse a contribuir com a Alemanha e o partido nazista também era punido, e Miep passou por maus bocados por conta de sua recusa em se aliar ao partido...

A última parte do livro é sobre a captura da família e amigos, eles foram traídos por alguém que até hoje não se conhece a identidade... O único sobrevivente foi Otto Frank, que tinha esperanças de encontrar ao menos suas filhas Anne e Margot vivas, já que sua esposa Edith havia perecido num dos campos de concentração... Infelizmente sabemos que suas esperanças foram vãs... no final de fevereiro Margot, então com 18 anos, morreu de tifo no campo de Bergen-Belsen, e Anne faleceu poucos dias depois de sua irmã, sozinha, fraca e sem esperanças que alguém de sua família tivesse sobrevivido. Ela não sabia que seu pai havia sido libertado pelo menos um mês antes... Anne encontrou a morte sozinha, desamparada, seu fim foi triste e cruel...


Anne Frank


O outro lado do diário emociona porque é um relato honesto e profundo sobre uma mulher que viu de perto os horrores cometidos contra os judeus naqueles anos terríveis. É o relato de uma sobrevivente da guerra, embora não tenha sido presa nem perseguida, mas que convivia com a ameaça contínua de ser pega ajudando judeus, fato que poderia lhe causar a morte, inclusive... Recomendo a leitura para todos que se sintam sensibilizados pela história da menina judia que conquistou o mundo com os seus relatos descritos enquanto esteve escondida. Uma garota que ajudou e até hoje ajuda a muitos leitores de seu Diário, a superarem as dificuldades que a vida nos impõe, e a sempre ter esperança em dias melhores, mesmo que eles não venham... Não seria um sentimento vão, mas sim de como ser forte em meio a tantas adversidades e sofrimento...

Deixo para quem quiser assistir, um documentário sobre a vida de Anne Frank...




19 novembro 2014

As coisas que encontro dentro dos livros

A maioria dos livros que leio não são novos. Emprestados da biblioteca da família, indicações da irmã ou de um amigo, exemplares comprados em sebos. Um dos charmes de ler livros usados é encontrar as marcas das leituras anteriores.


Por que aquele trecho foi grifado? Eu daria tanta atenção a esta frase? Qual o motivo de uma orelha dobrada, uma página marcada? Quanto custava o livro? Em Cruzeiros? Cruzados novos?

Quando não se tem um marcador à mão, serve qualquer artifício. Uma nota fiscal na versão moderna, daquelas que saem das maquininhas de cartão. Uma nota fiscal das antigas, escritas à mão. Um bilhete, uma reflexão, uma anotação no canto da página. 

Os leitores vão deixando marcas. As épocas também. Já encontrei anotações minhas, de leituras prévias, que não tinham mais o menor sentido. Aparentemente minhas ideias amarelam como as folhas dos livros. Ainda bem que ainda posso acrescentar novos capítulos, ou reeditar minhas melhores versões.

Uma vez, ao embarcar no avião, havia um livro em francês, esquecido no bolsão à frente. Folheei-o rapidamente, e tive tempo de fantasiar um jeito de divulgar nas redes sociais (versão moderna das mensagens na garrafa), na tentativa de encontrar seu dono. Próximo à contracapa uma foto. Pessoa bonita, bem vestida. Seria o dono? Seria um amigo especial? Bem pesado, minhas chances eram remotas, e preferi avisar a comissária. Ela me disse que tentariam pegar o distraído ainda no desembarque. 

Será que conseguiram?

18 novembro 2014

Clássico da literatura brasileira: Inocência


Inocência, escrito em 1872 pelo Visconde de Taunay é uma obra de temática regionalista que traz no próprio título uma homenagem à protagonista da trama, Inocência, filha de um homem de pensamento rígido, que não deixa ninguém se aproximar de sua filha, pois ela está prometida a um rapaz conhecido seu. O problema é que o viajante que o pai acolhe em sua casa se apaixona pela moça, e começa a padecer numa paixão proibida e sem a certeza de estar sendo ou não correspondido... 

Confesso que no primeiro capítulo quase desisto do livro. Eu gosto de obras descritivas, mas esse se superou. Mas segui em frente e não me arrependi pois já no segundo capítulo a leitura começa a fluir muito melhor... Taunay descreve a paisagem onde a história é ambientada, Mato Grosso, mesclada com o romance de Inocência e Cirino. A narrativa é fluida, deixa o leitor tentado a ler o capítulo seguinte, até descobrir o desfecho da história.

O pai de Inocência acaba hospedando um 'gringo' e pelo comportamento lisonjeiro desse para com Inocência, logo fica desconfiado de Meyer, achando que ele está com más intenções para sua filha, e confessa sua desconfiança a Cirino, que aproveita essa oportunidade para cortejar a moça sem que a desconfiança do pai dela recaia sobre si. Pereira passa o tempo inteiro seguindo os passos de Meyer, que na sua ingenuidade, não percebe que o pai de Inocência está lhe observando irritado...

Meyer é naturalista e passa os dias à caça de espécies raras de borboletas, e o período em que passa hospedado na casa de Pereira é longo, Pereira já não sabe o que fazer para se conter e expulsar aquele homem 'atrevido' de seu lar, a ética lhe impede de botá-lo para fora se lhe deu acolhida por tempo indeterminado. Nesse ínterim, Inocência, que vinha adoentada vem se curando graças aos remédios prescritos por Cirino, que na verdade não é médico formado, mas uma espécie de curandeiro... 

O que se pode perceber na obra é a maneira como as mulheres eram tratadas como se fossem propriedade do pai, em que o direito de escolher com quem casar lhe é negado. E uma 'desonra' ocorrendo na casa traria a morte, inclusive da própria Inocência, caso ela contestasse a decisão do pai de casá-la com Maneco, o tal noivo que estava longe e Pereira não via a hora de voltar para realizar o casamento e impedir que Meyer conquistasse sua filha... Mal sabia ele que os olhos dela estavam voltados para Cirino... O livro traduz bem a sociedade e costumes da época, numa pequena cidade de interior perdida no meio do Brasil... O desenrolar da história não pode ser contado pois seria spoiler... Não há muito mais a falar do livro, mas recomendo a leitura, não desistam por causa do capítulo Um. *risos*



Alfred d' Escragnolle Taunay, nasceu no dia 22 de Fevereiro de 1843 na cidade do Rio de Janeiro. Foi memorialista, romancista, sociólogo, historiador e político,  e um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras.tendo criado a cadeira número 13, do qual Francisco Otaviano é patrono. De família nobre cresceu num ambiente repleto de privilégios e logo mostrou interesse nas Artes. Formado em Letras, cursou também Matemática e ingressou na Escola Militar. adotou o nome literário de Visconde de Taunay. Além de Inocência, escreveu também A retirada da LagunaNarrativas militaresOuro sobre azul, entre outros. Faleceu na cidade onde nasceu, em 25 de Janeiro de 1899... 

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