09 fevereiro 2016

Os 100 menores contos brasileiros do século

Tão rápido quanto amor de carnaval...
É assim em Os cem menores contos brasileiros do século, livro que é uma coletânea de microcontos de diversos escritores com proposta e organização do escritor pernambucano Marcelino Freire e publicado pela Ateliê Editorial desde 2004. 
Os contos, ou melhor, microcontos foram escritos por cem importantes escritores do cenário brasileiro como Moacyr Scliar, Dalton Trevisan, Millôr Fernandes, Xico Sá, Andréa Del Fuego, Laerte, Mário Bartolotto, Luiz Ruffato e muitos outros escritores... 

Conheci o livro através do próprio Marcelino Freire quando participei da oficina ministrada por ele em outubro/2005 na Biblioteca de São Paulo. Até escrevi meu microconto na oficina, mas deixa pra lá, sou tímida para divulgar e ainda mais porque não chego aos pés dos grandes escritores que participaram desta coletânea. 

Este é um livro que você pode carregar na bolsa ou no bolso, e sempre que tiver uma pausa durante o dia pode ter uma dose de romance, sarcasmo, humor e etc em forma de microconto. É praticamente um Twitter no papel, só que a diferença é que ao invés de 140 caracteres, os contos têm até 50 letras (sem contar o título). 


Quem é Marcelino Freire?

Marcelino é o pernambucano mais paulistano que muitos paulistanos por aqui. Já está há mais de 20 anos em São Paulo e conhece muito bem os redutos culturais da cidade.
Autor de 7 livros entre eles Angu de Sangue e Nossos Ossos (que já li), vencedor do prêmio Jabuti de Literatura em 2005 pelo livro Contos Negreiros. É organizador da Balada Literária evento que reúne música, literatura e arte que acontece geralmente em novembro todo ano na capital.
Frequentador de uma das Rotas Literárias de São Paulo: Mercearia São Pedro (que pretendo visitar em breve!) onde costuma comemorar os lançamentos de seus livros! 
Marcelino é super divertido também e ótimo professor das técnicas da escrita.


Um dose de literatura...

Aqui transcrevo um dos microcontos do livro de autoria de Luiz Ruffato escritor que inclusive já comentamos algumas vezes por aqui através do Livros em Pauta

ASSIM:
Ele jurou amor eterno
E me encheu de filhos
E sumiu por aí.

pág - 52


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07 fevereiro 2016

Uma história de terror - Corações Feridos, de Louisa Reid

Li "Corações Feridos", da escritora Louisa Reid (original Black heart blue, tradução de Thiago Mlaker, Editora Novo Conceito, 2013) nos últimos dias de dezembro do ano passado. Para minha surpresa e pavor, a experiência foi estarrecedora. Fiquei satisfeita por ter encontrado muito mais do que um drama adolescente e mirabolante no romance, além de perplexa pelo desenrolar da narrativa - digna de filme de terror. Quem assistiu o longa-metragem "Um Crime Americano" ou já deu de cara com notícias sobre violência dentro de grupos religiosos (informações que temos todos os dias, das mais diferentes maneiras), vai sentir o mau estar percorrendo as veias durante a leitura de "Corações Feridos".

O livro conta a triste história das irmãs gêmeas Hephzibah e Rebecca, jovens atormentadas por torturas, violências e toda sorte de abusos domésticos. Os nomes de origem bíblica escondem o horror vivido pelas irmãs ao conviver com um pai agressivo e molestador, e uma mãe passiva e cúmplice em crueldades.

Hephzi, como o próprio nome sugere, é dotada de beleza e deleite. Rebecca, por sua vez, vive mendigando na sombra da irmã. Tímida e introvertida, Reb é evitada por todos por ter nascido com a Síndrome de Treacher Collins, uma doença genética caracterizada por deformações no crânio e na face. Resultado de malformação congênita, a síndrome faz com que seus portadores necessitem de atendimento multidisciplinar, envolvendo cirurgiões craniofaciais, fonoaudiologistas, oftalmologistas, cirurgiões dentistas e acompanhamento psicológico. Rebecca não possui nada disso. Ao contrário: ela e Hephzi estão encarceradas em negligência e esquecimento. 

Sonhando em fugir daquela vida, Hephzibah consegue convencer os pais a permitirem que ela e a irmã frequentem à escola. Nesse meio tempo, a jovem escapa para ir às festas, conhece garotos e aparenta uma vida normal. O que ninguém suspeita, nem mesmo os fiéis da igreja do qual o pai de Hephzi e Reb é pastor, é o pesadelo ao qual elas são diariamente submetidas.

Alternando falas e pensamentos das duas irmãs, a narrativa consegue prender a atenção e jogar na cara do leitor denúncias importantes. Quanto mais você avança na leitura, mas será tentado a continuar indignado e revoltado; enojado e triste. O livro vai te ajudar a pensar sobre situações que você finge que não vê e mentiras que elabora como se fossem verdades. Nesse ponto, "Corações Feridos" alcança pontos de vantagem em relação a outras publicações do gênero.

A resenha detalhada - com direito a pormenores do enredo - foi escrita pela Maria Valéria. Recomendo a leitura. E mais uma dica: fique de olho no nome Louisa Reid. Ele pode trazer outras boas surpresas!

03 fevereiro 2016

Queremos conhecer você!

Olá queridos(as) leitores do Dose Literária!

Em quase 5 anos de existência do blog, já fizemos muitas amizades bacanas com nossos leitores, muitos já enviaram resenhas, já fizeram parte do nosso time e etc, mas ainda tem uma parcela de leitores que gostaríamos de conhecer para que possamos melhorar ainda mais o direcionamento das nossas postagens.

Seria muito bacana e nos ajudaria muito se você pudesse responder a pesquisa abaixo até 3/3/2016.

E olha, prometemos sortear entre os leitores que responderem esta pesquisa um marcador de livros do blog - dá uma olhadinha do  lado direito do site ;)

Caso não consiga visualizar o formulário - responda aqui

Agradecemos a todos!


02 fevereiro 2016

Caixa do Correio #6 - Americanah - Parceria Cia das Letras

Em parceria com a editora Companhia das Letras, recebi o livro Americanah da escritora Chimamanda Ngozi Adichie este mês e já comecei a ler. Quando terminar a leitura publicarei minhas impressões sobre o livro. Estou ansiosa para dividir com vocês!

Meu primeiro contato com a escritora foi através da conferência que apresentou ao TEDO perigo de uma única história. Além disso, li e comentei aqui o pequeno livro adaptado de suas conferências: We should all be feminists Sejamos todos feministas

Chimamanda Ngozi Adichie nasceu em Enugu, na Nigéria em 1977. É autora dos romances Meio sol amarelo (2008), Hibisco Roxo (2011), Americanah (2014) e Sejamos todos feministas (2015) todos publicados no Brasil pela editora Companhia das Letras. O livro Meio sol amarelo foi adaptado para o cinema em 2013 e o       romance Americanah teve os direitos comprados para adaptação cinemtográfica pela atriz Lupita Nyong'o, vencedora do Oscar de melhor atriz por Doze anos de escravidão.  Suas obras foram traduzidas para mais de trinta línguas, apareceu em diversas revistas como New Yorker e Granta, além do reconhecido prêmio Orange Prize.


A M E R I C A N A H 

Lagos, anos 1990. Enquanto Ifemelu e Obinze vivem o idílio do primeiro amor, a Nigéria enfrenta tempos sombrios sob um governo militar. Em busca de alternativas às universidades nacionais, paralisadas por sucessivas greves, a jovem Ifemelu muda-se para os Estados Unidos. Ao mesmo tempo que se destaca no meio acadêmico, ela depara pela primeira vez com a questão racial e com as agruras da vida de imigrante, mulher e negra. 
Quinze anos mais tarde, Ifemelu é uma blogueira aclamada nos Estados Unidos, mas o tempo e o sucesso não atenuaram o apego à sua terra natal, tampouco anularam sua ligação com Obinze. Quando ela volta para a Nigéria, terá de encontrar seu lugar num país muito diferente do que deixou e na vida de seu companheiro de adolescência...

Aguardem resenha...

Americanah e Sejamos todos feministas

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01 fevereiro 2016

Poemas, de Lord Byron...

A 22 de janeiro de 1788 nascia George Gordon Byron, famoso poeta inglês mais conhecido como Lord Byron... Mesmo tendo nascido em Londres, passou boa parte de sua vida na Escócia. Aos três anos perde seu pai e aos dez, ganha o título de lorde, juntamente com as propriedades de seu tio-avô. Seu primeiro volume de poemas é publicado em 1807, mas não foi reconhecido de forma positiva pela crítica da época... Dois anos depois viaja pela Europa e pelo Oriente Médio, inclusive a Grécia, cuja paisagem e hábitos lhe causaram uma forte impressão... 


Ele começa a escrever um longo poema autobiográfico que lhe rendeu fama imediata. Em 1815, acaba se casando com Anne Isabella Milbanke mas um ano depois sua mulher o abandona, devido a rumores de uma relação incestuosa que ele mantinha com sua meio-irmã, Augusta Leigh. Se envolve com uma condessa italiana, engaja-se de maneira superficial à política dos carbonários, e em 1819 publica os dois primeiros cantos de sua obra-prima mais conhecida: Don Juan. Acaba por falecer na Grécia, devido a uma febre, um ano depois de lutar com os gregos pela independência do país, em 1824... 

Apresentado o autor, venho falar sobre uma obra que possuo em meu Acervo: Poemas, publicado pela Editora Hedra. Trata-se de uma edição de bolso composta de várias composições de grande significado para o poeta. Há também antologias e excertos de Don Juan e poemas retirados da obra Hebrew Melodies. No Brasil, a poesia de Byron foi forte influência para autores como Castro Alves, Álvares de Azevedo, Bernardo Guimarães, entre outros. A obra de Byron recebeu elogios de Goethe e Shelley [que era amigo do poeta]... 

O livro conta também com um prefácio de Péricles Eugênio da Silva Ramos, que discorre sobre a vida do autor, desde a infância até sua viagem ao Oriente Médio, sua relação com a meia-irmã e seus relacionamentos amorosos... Boa parte da geração de românticos da nossa literatura se inspirou na obra Byroniana. Em seus escritos, estão presentes a dúvida, descrença, blasfêmias e certo humor negro... Seus poemas são embriagantes e trazem certo fascínio melancólico e mórbido ao leitor... 


A edição da Hedra é bilíngue e traz várias notas de rodapé acerca de algumas particularidades encontradas nos poemas... Dentre eles, uns dos mais belos, a meu ver, são Ela caminha em formosuraAssim não mais iremos vaguearAdeusE morreste tão jovem e formosaTrevas e Versos inscritos numa taça feita de um crânio. Há também cartas e sonetos escritos para Augusta... 

Encerrando o post, deixo um trecho de um de seus poemas mais memoráveis... Espero que tenham gostado da resenha... Algum de vocês conhece o autor e/ou sua obra? Têm vontade de ler?

Mais um esforço, e livre estou depois
"Mais um esforço, e livre estou depois
Da angústia que me parte o coração em dois;
Um último suspiro a ti e ao teu amor
E à vida ativa retornar então:
Serve-me agora misturar-me sem calor
Com seres pelos quais jamais tive atração:
Já que toda alegria aqui eu vi fugir,
Que dor futura ainda pode me atingir?"

"One struggle more, and i free
From pangs that rend my heart in twain;
One last song sigh to love and thee,
Then back to busy life again.
It suits me well to mingle now
With things that never pleased before:
Though every joy is fled below,
What future grief can touch me more?"
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