19 dezembro 2014

Sua meta é matar Orson Welles... F., de Antônio Xerxenesky...

E a melhor leitura do mês não poderia ter sido melhor. F. Sim, o nome do livro é apenas isso: F. Escrito por Antônio Xerxenesky e publicado pela Editora Rocco, esse livro de apenas 240 páginas fala sobre a história de Ana, uma brasileira que mora nos Estados Unidos e que é matadora de aluguel. Numa simples ligação anônima, ela vai lá, faz o serviço e ganha uma grana, e vai se sustentando com isso. Ela tem apenas 25 anos, mas já viu sangue e violência com uma naturalidade de quem faz arte com a morte... 

Ambientada nos anos 80, a história faz referências a alguns fatos históricos ocorridos no Brasil, como a infância da protagonista no período da Ditadura Militar, quando seu pai [adepto das idéias dos 'milicos'] morre, e conhece um tio no velório dele, que de início se mostra suspeito, mas por quem ela nutre amizade tempos depois, por meio de cartas escondidas da mãe, e graças a ele, vai morar em Los Angeles, sem que sua mãe desconfie para onde ela está indo, já que não gosta de seu cunhado. Posteriormente descobrimos que a relação entre os irmãos não era boa, em virtude de seu tio José ser admirador dos 'camaradas' perseguidos no período da ditadura, ao contrário de seu pai, senhor da moral e bons costumes, mas que por trás das cortinas de conservadorismo, não passava de um crápula asqueroso e doentio [não darei detalhes do porquê pois seria um baita spoiler]. Com o tio, Ana aprende a atirar, vai pra Cuba e passa um tempo por lá treinando táticas de guerrilha e sobrevivência. Muito do que faz em sua vida atual, deve a essa época... 

Ana tem uma irmã, a quem ela chama de Lúcia, e descreve a trajetória suicida dela, de quando ela cortou os pulsos, de quando tentou pílulas e em paralelo à história de seu novo 'trabalho encomendado', faz incríveis alusões à Ian Curtis, do Joy Division com o problema da irmã... E falando em trabalho, a tarefa que lhe designaram por meio de telefonemas anônimos seria de matar Orson Welles, famoso cineasta da época. O grande produtor do filme Cidadão Kane. Ana, disfarçada de tradutora e amante do cinema, viaja para Paris a fim de cumprir seu objetivo, se vê envolvida com o mundo da 7ª arte, e quando consegue se aproximar de Welles, a convivência com ele torna a tarefa mais difícil... Então, ela passa a questionar sua missão, e a medida que o prazo estipulado por seu empregador misterioso chega ao fim, ela se vê desesperada querendo voltar atrás, e se vê perdida, sem saber como se livrar desta empreitada...

O livro é excelente, e foi meu primeiro contato com o autor, do qual já me rendi apaixonada. A escrita de Xerxenesky [eu amei esse sobrenome, sério] é fluída, leve e entremeada de devaneios da protagonista Ana, onde na terceira parte do livro ela não sabe mais o que é real e o que não é. Na primeira parte do livro, a história é sobre a vida dela e da família, de como ela virou assassina de aluguel e de quando ela recebe a proposta para matar Orson Welles. Na segunda parte, presenciamos a relação da vítima com seu algoz, onde Ana passa a questionar a arte do cinema, sua interação com dois jovens que ela conhece na capital parisiense, sem contar que ela acaba se envolvendo afetivamente' com um deles, Antoine. Nessa parte, ela passa a se envolver com o conceito do que seria Arte, visita museus, estuda sobre o assunto, pois precisa agir como uma apreciadora da arte, em especial pelo cinema de Welles. 

A terceira e última parte é sobre o desfecho. Será que ela mata o cineasta? Desiste? Que fantasmas assombram sua mente, fazendo-a transtornada? E sua irmã, consegue finalmente se matar? O título do livro faz referência a F for Fake, um filme de Orson Welles. F, de falso, pois ao conhecer o mundo mostrado pelo cineasta, Ana passa a questionar se a existência não seria apenas um acidente 'de percurso', onde tudo é permeado de simulacros suspensos no ar, sem consistência alguma... O autor escreve pela perspectiva de Ana; na realidade, é ela que nos escreve, como uma espécie de diário, que precisa desaparecer assim que finalizado, matando a Ana que nos conta sua história, para que outra mulher ressurja dela... 

Para quem curte uma leitura cheia de metáforas, referência à cultura pop dos anos 80, intrigas, cinema e em especial, o cinema de Orson Welles, é uma boa leitura. Aos que não conhecem e mesmo assim, quiserem se aventurar nessas [entre]linhas, o deleite será o mesmo... "É bonito. Mas é arte?" Pra mim, [F]oi... 






13 dezembro 2014

Feliz Aniversário, Maria Valéria!


Não foi um ano fácil para o Dose Literária. Perdemos um dos pilares deste projeto que começou tímido, mas conquistou muitas pessoas pelo amor à leitura, carinho e amizade.

Mesmo dolorida e confusa com a perda da Eni, no fundo eu sabia que teria de continuar e a única pessoa que embarcou comigo naquele momento, foi a Valéria. Respondeu confiante que iria continuar - e mal sabe ela que me deu ainda mais força.

Sim, a Maria Valéria. Uma das pessoas mais apaixonadas por livros e literatura que conheci e também uma das mais inteligentes. Uma revolucionária em sua cidade, desafiando a todos com suas atitudes – boas atitudes. Cabelos de arco-íris e desenhos pelo corpo para mostrar a si mesma e a todos que se ama e exala conhecimento.

Hoje quero parabeniza-la não só pelo aniversário, mas também pelo interessante projeto que organiza em Paudalho-PE: Roda de Leitura, que todo mês reúne leitores para debates, discussões e sorteios de livros. 

Querida Val, em nome de todos que estão neste barco ainda, desejo a você muito sucesso e prosperidade e que você continue batalhando, não perca a esperança mesmo que alguns dias sejam difíceis. Já disse Renato Russo em uma de suas letras: 

Nunca deixe que lhe digam que não vale a pena
Acreditar no sonho que se tem
Ou que seus planos nunca vão dar certo
Ou que você nunca vai ser alguém
(...)
Quem acredita sempre alcança!

Feliz Aniversário!
Patrícia, Mara, Fabio e Jéssica
Dose Literária

12 dezembro 2014

A morte de Ivan Ilitch





- "Assim como a dor piora cada vez mais, minha vida toda foi progressivamente piorando. Há um ponto de luz, lá longe, no início da vida, mas, depois disso, tudo foi ficando cada vez mais negro e afastando-se cada vez mais, em proporção inversa à distância que me separa da morte, pensou Ivan Ilitch. E a imagem de uma pedra caindo em velocidade crescente tomou conta de sua mente. A vida, uma série de sofrimentos cada vez maiores, acelera rapidamente para o final e este final é o sofrimento mais terrível. "Eu estou caindo..."."

A morte de Ivan Ilitch, Tolstoi.



Considerada por muitos como a novela mais perfeita da literatura mundial, A morte de Ivan Ilitch fala sobre a vida insossa de um burocrata russo, que em busca de viver de forma correta e perfeita, de acordo com as convenções sociais é acometido de uma enfermidade que o leva à morte. O livro narra a trajetória de Ivan desde seu último suspiro.

Decerto um dos melhores livros que tive o prazer de conhecer esse ano, A morte de Ivan Ilitch traz críticas à sociedade do século XIX, em que as pessoas buscavam viver da maneira como a sociedade impunha, mesmo que pra isso suas próprias convicções e felicidade fossem para o ralo. A começar pelo enterro de Ivan, pessoas que se diziam suas amigas em vida pensavam em como lidar com o enfastioso ritual fúnebre e todas as suas etapas obrigatórias de prestar pêsames à viúva, velar o morto e seguir no cortejo até o cemitério.


"Agora era ele quem tinha de morrer. Comigo vai ser diferente - eu estou vivo", pensava cada um deles, enquanto as pessoas mais próximas, os assim chamados amigos, lembravam que agora teriam de cumprir todos aqueles cansativos rituais que exigiam as normas de bom comportamento, assistindo ao funeral e fazendo uma visita de condolências para a viúva."

Mas quem foi Ivan Ilitch? Outrora um membro do Tribunal de Justiça, filho de um oficial em Petersburgo, conselheiro de um membro de uma instituição qualquer, dessas que nada servem a não ser para pagar salários nada supérfluos para pessoas supérfluas que mantinham além do cargo supérfluo e alto uma grande patente de status na sociedade. Ivan e seus 'amigos' eram homens da nata, detentores de títulos vazios que os envolviam em reuniões com outros de sua espécie e suas damas pavoneadas, em festas e banquetes regadas a futilidade e fofocas sobre o mais recente escândalo do momento.

Percebe-se uma ironia refinada na escrita de Leon Tolstoigênio e autor dessa grande obra. Ele discorre sobre o cotidiano insosso da sociedade russa daquele período, do qual ele próprio fez parte. Mas, voltando a Ivan: era o filho do meio, seu irmão mais novo era dado à jogatina, o mais velho já seguiria os passos do pai, de não fazer nada e ganhar o suficiente por isso para bancar uma vida de estabilidade. Ivan não possuía a rebeldia do caçula, tampouco a formalidade do primogênito. Educado para o Direito, acabou sendo ajudado pelo pai para ocupar o cargo de secretário particular do governador e depois de juntar seus pertences, se mudou para uma província.

Ivan seguia a vida sem dificuldades, cumprindo suas obrigações, avançando na carreira e gozando de um alto padrão social. Teve algumas mulheres na vida, mas veio a casar com uma que assegurasse um bom casamento, mesmo sem amor ou afinidades. Subindo cargo a cargo, mudando-se com freqüência, Ivan levava a vida de forma medíocre, na realidade. À vista de todos, tinha uma estrutura perfeita e adequada, mas será que era o suficiente viver nesses moldes e ser feliz?

Seu modo de vida era respeitável e aprovado pela sociedade. Para ele isso bastava. A esposa organizava a cama, a casa, lhe deu prole, de acordo com o que o senso comum exigia. Mas Ivan gostaria de inovar um pouco trazendo para sua casa coisas que pareciam originais e únicos, mas que o tornavam apenas mais do mesmo. Na sua tentativa de manter as aparências de refinamento tão cobiçados pela elite, enfeitava sua residência de forma que ela ficasse original, mas no fim acabava sendo mais uma das tantas casas de ricos e falsos ricos, que pretendiam mostrar uma imagem que não correspondia a realidade, na maioria das vezes.

"O maior prazer de Ivan Ilitch era dar pequenos jantares, para os quais convidava pessoas de boa posição social e, assim como sua sala de visitas parecia-se com todas as outras, também suas agradáveis festinhas nada tinham de originais."
Quando ele se dá por doente, logo sua vida vai declinando e se esvaindo. Buscava com amigos médicos alguma informação sobre sua enfermidade [nunca definida], e a medida que o tempo passa, ele piora. Cai acamado, e daí para a morte é apenas um passo... E o tempo que lhe resta passado na cama é que faz com que Ivan finalmente perceba o quão medíocre foi sua vida. Ele entra numa espécie de reflexão sobre suas convicções, seus planejamentos, e o desespero toma conta dele. Ele não aceita que está morrendo. E se sente amargurado em ver que a vida dos outros está normal, ninguém tem pena de sua condição e isso o deixa ainda pior.

"Morte. Sim, morte. E nenhum deles entende, ou quer entender. E não sentem pena nenhuma de mim. Estão todos se divertindo." (Podia ouvir, mesmo com a porta fechada, distante, a cadência de uma música e seu acompanhamento.) "Eles não se importam. No entanto eles também vão morrer. Idiotas! A única diferença é que acontecerá um pouquinho mais cedo pra mim e um pouquinho mais tarde para eles. Só isso. Mas a vez deles vai chegar. Agora, porém, estão se divertindo. Insensíveis!" A raiva cortava-lhe a respiração. Sentia-se insuportavelmente infeliz. "Não pode ser que todos os homens sejam sempre condenados a passar por esse horror!".

E a cada semana, Ivan percebia que os parentes, empregados e amigos ficavam numa torcida silenciosa, de que ele morresse de uma vez e os poupasse de suportar mais aquilo. Injeções de morfina para aliviar suas dores não eram suficientes. Dormia pouco. Um de seus empregados, bastante leal, o ajudava em situações que beiravam o constrangimento, pois Ivan se sentia humilhado de precisar de alguém para ajudá-lo nas necessidades humanas mais básicas. Mas Gerassim nunca reclamava e não abandonou seu patrão em momento algum.

A lembrança de dias felizes se encontrava na primeira infância. Mas quando Ivan olhava pra trás, a vida de adulto já não lhe parecia agradável e perfeita como julgava na época vivida. Seus momentos finais foram dolorosos, Ivan gritou por três dias antes de expirar. E no final, ele sentiu pena de sua família, e viu que deveria mesmo partir, a fim de acabar com aquilo, e também com sua dor... E no fim, ele já não temia a morte, e pôde enfim, compreender a vida...

05 dezembro 2014

Uma outra forma de amar... Três contra Todos, de Deco Rodrigues...

Ao receber o livro Três contra todos, do autor Deco Rodrigues, não sabia que teria uma leitura tão deliciosa em mãos. O livro fala sobre amor, acima de tudo. Rafaela tem uma paixão platônica por Eduarda, que sempre frequenta a gráfica em que ela trabalha. O problema é que Eduarda está de olho em Lucas, outro cliente do local. E embora Eduarda seja linda e bem-sucedida, Lucas está interessado naquela reservada atendente Rafaela, que parece não gostar muito dele...

A premissa é mais ou menos essa. No decorrer dos capítulos, que são divididos pela perspectiva de cada um dos protagonistas, vamos acompanhando o desabrochar de uma linda amizade que vai culminar num relacionamento profundo e não livre de olhares críticos e preconceituosos... O agravante da situação é que há uma criança envolvida no meio, Luan - filho de Lucas - e logo a intolerância de alguns personagens secundários trarão problemas aos amigos apaixonados... 

Aos poucos vamos conhecendo também o cotidiano desses personagens, seus medos, fantasias, inseguranças e problemas. Em paralelo, a etapa de conhecer a si mesmos, de realizar suas fantasias e deixar alguns tabus para trás. 

A escrita de Deco é envolvente, ele descreve as cenas mais tórridas do romance de forma magistral. Vários trechos vão abalar as estruturas do leitor, numa linguagem erótica que explora bem a sexualidade dos envolvidos... Deco nos surpreende, encanta e mostra que é possível se sensibilizar e enxergar beleza nos relacionamentos mais inusitados, que possam fugir ao padrão de 'tradicional'...


"Não pensei duas vezes e em segundos estava dividindo o chuveiro com Eduarda. Minha excitação era visível, com nossos corpos se encostando enquanto a água caía sobre eles."
Por se tratar de um livro curto [apenas 93 páginas], é natural levar em conta o amadurecimento a curto prazo dos personagens, bem como a rapidez com que eles se 'conhecem', interagem, fazem amizade e se envolvem, mas é tudo contado de forma tão atrativa e natural, que esse pequeno detalhe não chega a prejudicar a narrativa. 

O começo do livro pode passar ao leitor a impressão que a história trata apenas de sexo com três pessoas, mas ele consegue ir além. Esclarece questões sobre o Poliamor, e é uma crítica bem construída sobre questões de preconceito, adoção/guarda de crianças, e conceito de família. Deco nos presenteia com uma obra original, escrita de forma sucinta e ao mesmo tempo cativante. É impossível não se identificar com Lucas, Eduarda e/ou Rafaela, ao menos em algum momento da história... Essa familiaridade dos personagens com o leitor faz com que este se sensibilize com casos reais sobre o assunto na vida real...

Inspirado em fatos reais, o livro desafia a dualidade dos romances convencionais e prova que é possível manter uma relação a três com maturidade, respeito e confiança, cabendo às partes envolvidas chegarem a um consenso. Se todos estão satisfeitos, por que não fazer acontecer o amor em sua totalidade? 

Sem espaço para vulgaridades e conveniências sociais/moralistas, Três contra Todos é pura poesia, sexo, ardor e traz momentos de reflexão sem parecer didático ou piegas... 

A única ressalva que faço com relação ao livro é que em certa parte dele, quando ocorre um fato importante com a família de Rafaela, o acontecimento não foi abordado com muita profundidade. Embora tal episódio soasse discrepante ao contexto do livro como um todo [já que o foco da história é sobre a relação a três], achei que o autor poderia ter deixado as emoções de Rafaela mais afloradas com o ocorrido, mas ela age com certa 'frieza', embora seja explicado no decorrer da história como era a relação dela com a mãe e o irmão... Porém, esse detalhe não diminui a qualidade da leitura, foi apenas uma observação pessoal... 

Três contra Todos é uma obra para mentes abertas a novas possibilidades, experiências e rompimento de barreiras. Uma verdadeira desconstrução [sadia] sobre as várias formas de amar... 

Até a próxima, pessoal...

01 dezembro 2014

9 e 1/2 Semanas de Amor

Fiz uma compra no último mês de um livro chamado 9 e 1/2 Semanas de Amor, obra que inspirou o filme homônimo que foi sucesso na década de 80, trazendo Mickey Rourke em sua melhor forma, fazendo par com a atriz Kim Bassinger. Eu sou apaixonada pelo filme e nem sonhava que havia o livro, então, quando vi uma pessoa vendendo, resolvi comprar, e não me arrependi da leitura... 





Escrito por Elizabeth McNeill, um pseudônimo, 9 e 1/2 Semanas de Amor é o relato de uma experiência amorosa/sexual que aconteceu com a autora na década de 1970, em que ela conhece um homem, por acaso, e se envolve numa aventura sexual de jamais apagar da memória... Ela era uma executiva bem-sucedida na carreira que em uma bela manhã, numa feira livre, se depara com um homem charmoso que tempestuou sua vida por mais de dois meses. Ela vai morar com ele e se entrega a um jogo sadomasoquista feroz, onde nunca havia se imaginado antes. Em momento algum do livro ela o denomina, o conhecemos apenas por Ele. 

A escrita de Elizabeth hipnotiza o leitor. Você se sente totalmente inserido nas páginas, como se estivesse envolvido também com o casal. Jogos de sedução e dominação estão presentes em toda a narrativa, dando um gosto de êxtase ao leitor... A história chocou o público quando publicada e mesmo tendo se passado trinta anos, a impressão que a obra nos passa ainda é de fazer corar e ao mesmo tempo curiosidade em saber onde essa aventura vai dar... O livro excita. Os diálogos são quentes sem pecar por exagero ou clichês...

"Na primeira vez em que estávamos na cama juntos, ele segurou minhas mãos acima da minha cabeça. Eu gostei. Gostei dele. Ele era mal-humorado de um jeito que me pareceu romântico; era engraçado, inteligente, interessante e me dava prazer."
Publicado originalmente em 1978, sua repercussão foi tão alta que logo havia um filme sendo produzido, e deixo o conselho a vocês que aqui leem, que o melhor é ver o filme depois da leitura. A química entre os dois atores realmente me pareceu familiar e fidedigna com a obra escrita. Eu via Rourke e Bassinger enquanto lia... Devo confessar que após terminar o livro fiquei com uma sensação estranha, de não ter 'visualizado' enquanto lia, alguns trechos apaixonantes do filme. Existem situações que vi no filme que não aparecem na obra, e isso acabou me frustrando um pouco, mas não interfere na qualidade do livro, isso é apenas uma impressão minha. 




Foram mais de dois meses compartilhando experiências bizarras, orgásticas e difíceis de se repetir algum dia. A executiva com ares de poder e liberdade se via acorrentada e algemada durante a noite... e gostava disso... ao mesmo tempo em que era surrada e cedia aos caprichos Dele, era também tratada com ternura, alimentada, vestida, banhada e embalada. Eram duas mulheres em uma só. Durante o dia, vestia a capa de executiva competente, a noite era entregue, submissa e feliz...

"- Como você sabia?Como sabia que eu ia me entregar a você como me entreguei?- Eu me vi em você."
O filme é bem mais romantizado, mas no livro é possível perceber traços de patologia na relação dos protagonistas. Até que ponto pode chegar uma paixão avassaladora e o quanto ela mexe com nosso psicológico e com nossas decisões? Em suma, é um livro a ser saboreado de maneira extasiante, mas com um toque de reflexão acerca das interações humanas mais profundas... 


Deixo com vocês um clipe da música-tema. Sintam-se embalados com essa música ao lerem 9 e 1/2 Semanas de amor... Há quem prefira o livro e deteste o filme, há o inverso... me deleitei com ambos... 







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