25 março 2017

Sarau das Pretas

Na última quinta-feira, tive oportunidade de conhecer o Sarau das Pretas no Sesc do Carmo aqui em SP. Fomos ao sarau como conexão com nossa matéria da faculdade Literaturas Africanas Lusófonas, por isso foi uma noite enriquecedora tanto para nosso aprendizado quanto para nossa bagagem cultural, afinal, temos que viver e conhecer o que acontece em nossa cidade / bairro / rua, não é mesmo?

Imagem do site esquerdiario.com.br

O Sarau das Pretas é um coletivo formado por mulheres negras com o propósito de levar a poesia da periferia através de um sarau itinerante, promovendo assim os trabalhos de artistas negras.
Estas poetisas são: Débora Garcia, Jô Freitas, Thata Alves e Elizandra Souza.
O coletivo já está há 1 ano na estrada e no dia 31 de março elas vão celebrar esta resistência com uma super festa no espaço Aparelha Luzia no centro de SP - mais informações aqui

Sarau das Pretas em  "Eu, Tu, Elas" Sesc do Carmo - 23/03/2017


Sarau das Pretas - no Sesc Carmo

A noite começou com uma chuva de pétalas amarelas, com as poetas vestidas de amarelo entoando as canções em homenagem aos orixás do ano: Oxum e Oxossi, referências das crenças de origem africanas. Após a bela apresentação de dança e música com tambor africano jambo executado pela percussionista Taissol Zyggi e as poetisas – o sarau foi aberto.

Thata Alves
As poesias foram recitadas por cada membro do coletivo e o microfone foi aberto ao público. Todos são bem-vindos no Sarau das Pretas, e como disse Débora Garcia - "as palmas são garantidas".
Deusa Poetisa foi convidada a recitar e fiquei muito impressionada com sua poesia forte e sua maneira de recitar. Deusa abrilhantou ainda mais a noite.
Alguns poemas do livro Coroação - Aurora de poemas de Débora Garcia também foram recitados e aproveitei para adquirir uma cópia pra mim (sou dessas, rs).




Farei o possível para comparecer a este evento e espero que vocês consigam ir também ;)

23 março 2017

Fogo contra Fogo, de Jenny Han e Siobhan Vivian - Livro 03 - Trilogia Olho por Olho

Escrevi resenhas sobre os livros 1 (aqui) e 2 (aqui) dessa série em 2013 e 2014, então quem começar a ler aqui, talvez se pergunte o porque desse hiato de mais de dois anos para a resenha do último livro...e eu respondo: não havia saído a versão traduzida aqui no Brasil :(

Eu andava tão ansiosa para o fim dessa série que até tentei lê-la no original em inglês no bookeen, mas não sou lá um primor em traduções e acabei perdendo a paciência rs. Então esperei pacientemente (só que nem tanto...) que a Editora Novo Conceito lançasse o livro 3 e agora eis que trago aqui para vocês a minha opinião para essa série que começou mediana pra mim, se tornou foda e o no último livro me permitiu ver se gostei ou não do todo.

O final do Dente por Dente, foi perturbador e inesperado por dois motivos: morre alguém e descobrimos que um personagem x não é exatamente o que pensávamos que era. Isso me fez pirar pela continuação, porque, como leitora eu realmente estava querendo ver como a Han e a Vivian iam fazer para fechar essa história direitinho e sem estragar nada devido ao fato de elas terem feito um livro adolescente sobre vingança, ganhar traços sobrenaturais na história :o

Aqui no Fogo contra fogo, aquele papo de vingança acabou para Kat e Lilia que estão arrependidas e assustadas demais com os rumos que toda essa "brincadeira" tomou, no entanto, Mary some e enquanto as duas tentam achar a amiga sumida, lhe dar com a morte ocorrida no livro passado e voltarem as suas vidas normais enquanto se preparam para o último ano na Ilha Jar, vamos acompanhando seus pontos de vistas em capítulos intercalados.

Um ponto negativo que senti nesse volume, foi o fato das autoras terem se concentrado muuuito no romance de um certo casal, as primeiras cento e tantas páginas foram basicamente disso e eu fiquei levemente de ovo virado por aquela melação toda ¬¬ porque achei muito exagero esse romance que nasceu da noite pro dia e que os dois personagens parecem perder o juízo quando estão perto um do outro...sei lá, acho que isso de amor requer uma certa maturidade e não acredito muito nesses "amores adolescentes eternos" (mas isso é coisa minha né?).

Retomando...passando-se esse "porém", quando os capítulos começaram a se focar em Mary ganharam aquela adrenalina que me pegou no livro dois e nos capítulos de Kat (que é mesmo minha personagem preferida da série), eu dei muitas risadas.

Quanto a parte da vingança, ela continua e dessa vez mesmo que Kat e Lilia não queiram participar, elas vão acabar cada vez mais envolvidas e vão ter que fazer o possível para se protegerem e proteger outro personagem da história que nem faz ideia que está correndo risco de vida! Sobre a parte sobrenatural que eu disse que não achava que as autoras iriam segurar as pontas, até que foram bem conduzidas e apesar de em alguns momentos eu ter achado algumas coisas um pouquinho exageradas, no geral, deu certo.

Para por um ponto final, o Fogo contra fogo foi satisfatório. Quando cheguei no epílogo quase me indignei com o rumo que alguns personagens tomaram mas quando cheguei na última página acho que entendi onde as autoras quiseram chegar e eu senti que os personagens cresceram um pouco, daí achei que foi um bom fim. Para quem curte séries, acredito que essa não vai decepcionar.

E vocês, já leram? O que acharam do final? Até mais! :***

20 março 2017

Dose de Poesia: Canção de Outono


Oficialmente estamos no outono aqui no hemisfério sul. Os dias mais escuros, as folhas secas e o vento trazem inspiração para muitos artistas e escritores. Separei dois poemas de mesmo título, porém de autores diferentes para celebrarmos a chegada do outono e apreciarmos a arte da poesia. 

Canção de Outono - Cecília Meireles

Perdoa-me, folha seca,
não posso cuidar de ti.
Vim para amar neste mundo,
e até do amor me perdi.

De que serviu tecer flores
pelas areias do chão,
se havia gente dormindo
sobre o próprio coração?

E não pude levantá-la!
Choro pelo que não fiz.
E pela minha fraqueza
é que sou triste e infeliz.
Perdoa-me, folha seca!
Meus olhos sem força estão
velando e rogando àqueles
que não se levantarão…

Tu és a folha de outono
voante pelo jardim.
Deixo-te a minha saudade
– a melhor parte de mim.
Certa de que tudo é vão.
Que tudo é menos que o vento,
menos que as folhas do chão…


Canção de Outono - Paul Verlaine
(traduzido por Guilherme de Almeida)

Estes lamentos
Dos violões lentos
Do outono
Enchem minha alma
De uma onda calma
De sono.

E soluçando,
Pálido, quando
Soa a hora,
Recordo todos
Os dias doidos
De outrora.

E vou à toa
No ar mau que voa.
Que importa?
Vou pela vida,
Folha caída
E morta.

*O site Vermelho.Org publicou um artigo interessante sobre as traduções dos poemas de Paul Verlaine.