29 abril 2016

Só garotos, autobiografia de Pati Smith

A Editora Companhia das Letras nos brindou com a publicação de uma autobiografia da cantora, compositora e poeta Patti Smith. Nascida em Chicago, foi uma artista que viveu numa geração marcada por gritos de rebeldia, impulsividade e liberdade. Mas ao contrário de vários que cruzaram seu caminho, ela soube manter a razão naquele universo de entorpecidos...

O livro é dividido em cinco partes. Na primeira delas, conhecemos sua origem, numa família tranquila, os problemas comuns a adolescentes da década de 60 e de quando toma a decisão de ir morar em Nova York.

Na segunda parte ela fala sobre Robert Mapplethorpe, seu companheiro por longos anos, em que dividiram alegrias e dores, a fome e a esperança em dias melhores... Juntos, eles compartilharam sanduíches de queijo e alface, mobiliaram seus quartos com móveis retirados do lixo, leram juntos, amaram-se de maneira plena e com entrega total... A relação dos dois descrita por Patti é capaz de emocionar os leitores mais insensíveis...

Juntos foram morar no Hotel Chelsea, palco de diversas celebridades [e outras nem tanto assim], que percorriam aqueles corredores, em busca de uma emoção, uma picada, uma transa ou até mesmo uma conversa informal... vidas que se entrelaçavam e que compartilhavam do mesmo sentimento de rebeldia contra a guerra, contra a pseudomoralidade, em busca da arte que era considerada inovadora e 'para poucos'. Musicalidade repleta de poesia... 




Até que veio o momento de deixar o Chelsea. As poucos, Patti e Robert se distanciaram, mas o elo jamais se quebrou... e quando ele estava prestes a falecer [descobriu que estava com AIDS], Patti fez a promessa de que um dia iria escrever um livro sobre ele, sobre ambos... E eis que temos Só Garotos, que nasceu dessa promessa, de imortalizar seu companheiro, que a salvou de diversas maneiras e a fez sentir-se importante e protegida na gigantesca selva de pedra intitulada Nova York...

A edição está belíssima, conta com várias fotografias do Acervo da cantora e traz também algumas memórias acerca de suas [poucas] viagens. É cheio de referências a artistas como Jimi Hendrix, Janis Joplin, Brian Jones e Andy Warhol. A 'cena' na Factory, Chelsea, Max's, e no Teatro La MaMa permitiu que o casal conhecesse muita gente que marcou o mercado da indústria cinematográfica, musical e artística das décadas de 60/70 e 80... 

Em suma, até para aqueles que desconhecem o trabalho de Pati Smith podem se sentir familiarizados com suas experiências, cativados por suas lembranças e enternecido com a trajetória da artista, bem como com a de Robert... Certamente, é uma leitura que vale a pena... 


27 abril 2016

Para Poder Viver: A jornada de uma garota norte-coreana para a liberdade

Cia das Letras - 308 páginas - ed. 2015
"A Coréia do Norte é um dos países mais fechados do mundo. Ao final da Segunda Guerra Mundial, Estados Unidos (EUA) e União Soviética (URSS) alimentaram tensões internas entre o Norte e o Sul da então unificada Coréia, levando à eclosão da Guerra da Coréia em 1950. Após três anos de conflito – no qual estiveram envolvidos EUA, pelo lado sul-coreano, e URSS e China, pela Coréia do Norte -, foi acordado um armistício que resultou na divisão do país em duas partes. Mais de um milhão de mortos foram registrados em ambos os países, bem como a enorme destruição da infraestrutura da Coréia do Norte."
(Fonte: Carta Capital)

Confesso que o tema Coréia do Norte sempre me instigou bastante, é difícil para alguém que vive no Ocidente “democrático” (polêmicas sobre a situação política à parte) entender como um ser humano tem seus direitos primários usurpados por um governo tão covardemente. Para entender a história de Yeonmi, temos que nos imaginar vivendo neste que é considerado um dos piores lugares do planeta para se viver. 

Então, imagine-se vivendo em um lugar onde se fraciona comida, luz, água, onde se impõe as pessoas o que devem pensar, no que devem acreditar, o que fazer, onde trabalhar, onde morar e até com quem devem se relacionar; onde não existe comunicação com o mundo exterior, internet só para o alto escalão do governo, televisores com canais feitos pelo governo, com conteúdos do governo; rádio obrigatoriamente ligado 24 horas por dia com propaganda ideológica; imagine-se vivendo em um lugar onde se é executado em praça pública por assistir um filme americano; imagine-se vivendo num lugar do qual não se pode sair, e a única opção viável para a sobrevivência é a fuga desesperada e perigosa pelo deserto, muitas vezes com destino a lugar algum. Imagine-se viver sem nosso mais sagrado direito: o da liberdade. Essa é história da vida de Yeonmi Park, que em detalhes conta sua luta e as coisas que teve que fazer para como diz o título de seu livro, poder viver.


Nascida em 4 de outubro de 1993 na pequena cidade de Hyesan, Park como cita no início, nunca havia pensado em liberdade, nem sequer sabia o seu significado; suas ambições sobre uma vida diferente da que ela e sua família tinham, começaram a florescer depois que seu pai foi preso acusado de contrabando e ela com a irmã mais velha e sua mãe se viram em estado de completa miséria. Park diz em sua biografia ter tido durante sua infância alguns “pequenos gostos de liberdade”, como quando assistiu pela primeira vez a uma fita contrabandeada da vizinha China do filme Titanic. Mas foi a prisão do pai que a ideia passou a ser uma luta de vida ou morte pela sobrevivência.


A fome foi um dos grandes obstáculos na vida de Yeonmi e de sua família. No capítulo As noites mais escuras, ela conta como sobreviveu ao frio e à fome quando sua mãe se via obrigada a deixá-las sozinhas para conseguir dinheiro após a prisão do pai. A Coréia do Norte passou por uma das piores crises da fome na década de 1990, levando milhares de pessoas à subnutrição e à morte. O sonho de Yeonmi nessa época? Poder comer todo o pão que pudesse.


Atualmente Yeonmi atua como ativista dos direitos humanos e vive com sua família nos Estados Unidos. Em seu discurso ao Young World One, organização que luta pelos direitos humanos, ela relata seu sofrimento e pede ajuda para a situação dos refugiados na China que ao serem descobertos são repatriados e mandados de volta para a execução na Coréia do Norte. 

Uma história emocionante do começo ao fim. O relato honesto de uma sobrevivente. Essa é a vida de Yeonmi Park que eu tive a honra de conhecer, inspiração para a vida.

Assista seu discurso legendado aqui:



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25 abril 2016

Lugares Escuros, de Gillian Flynn


Lugares Escuros da escritora Gillian Flynn, era uma livro que eu estava muito interessada em ler. Na verdade, eu queria era ler qualquer livro dessa escritora, porque desde que vi o filme Garota Exemplar baseado em um romance seu, fiquei extasiada com a capacidade dessa autora de criar uma história tão incrível com tão poucos elementos.

No enredo temos a história trágica de Libby Day, atualmente uma mulher de 31 um anos soterrada na depressão por nunca ter superado um trauma do seu passado, o massacre da sua família...e pior ainda, a dor por imaginar que o assassino tenha sido seu próprio irmão.
Aos 30 e poucos anos, Libby não viveu. Não trabalha, não tem amigos, não tem nenhuma família pois a única que tinha, sua tia, ela afastou quando mais nova devido aos problemas que causava. 
Libby vive apenas das doações que as pessoas mandaram durante os anos para a pobre menina órfã de 7 anos, a pequena Libby.
No entanto quando ela é alertada que suas reservas financeiras estão chegando ao fim, ela se lança em tentativas desesperadas para ganhar algum dinheiro pois sabe que não tem condições mentais de trabalhar.
É nesse momento da trama que ela recebe o telefonema de Lyle Wirth que lhe fala sobre o Kill Clube. Uma espécie de clube para fanáticos por massacres, assassinatos em série e crimes não resolvidos. Nesse grupo Libby acaba por descobrir que é vista por muitas pessoas como vilã e não como vítima, por ter denunciado seu irmão quando criança enquanto provas mostram que ele pode não ter sido o culpado...A mulher é cética no começo mas para conseguir dinheiro (e alguma paz) ela resolve aceitar a proposta dos membros do grupo e partir em uma busca para descobrir pistas sobre quem realmente assassinou sua família e o que ocorreu naquela fatídica noite há 24 anos.
A escrita de Flynn é ótima, a autora intercalou os capítulos sendo que os de Libby eram no presente e em primeira pessoa e os do passado são em terceira e pelo ponto de vista de sua mãe Patty e seu irmão Ben no dia anterior ao massacre, até o dia em si. 
Aos poucos vamos recebendo as peças desse quebra-cabeça que vai se juntando muito devagar mas a cada revelação é um choque para o leitor. Achei incrível a maneira como a história é conduzida e apesar de não ter curtido algumas reviravoltas que explicam o final, achei que a autora acertou em vários pontos. E a mensagem passada com a história ficou bem clara, as vezes uma simples mentira pode arruinar uma vida inteira...

A minha edição é a com a capa do filme. Ganhei em um sorteio no twitter da Editora Intrínseca ^^. Já vi o filme e indico também, porque foi muito bem adaptado e foi bem fiel a história original.

Por hoje é só povo :P Até mais!

23 abril 2016

The Long Tunnel, de John Milne

Os amigos Paul, Sheila e Charles estão encerrando mais um ciclo universitário. Depois dos exames finais, as tão sonhadas e badaladas férias de verão - os norte-americanos têm uma fixação pelo tema - chegam. Paul decide convidar os amigos para passar uma semana no chalé do tio, um local solitário, sem vizinhança, telefone ou internet. Animados, Sheila e Charles topam e, na data combinada, partem para a casa de campo.

No caminho, a dupla encontra vários soldados depositando sacos dentro de um caminhão. Em uma cafeteria, eles descobrem que se trata de transporte de valores, ou seja, um tutu alto. No entanto, outra surpresa acontece: Paul não apareceu na estação de trem para encontrar os amigos. Desconfiados, mas sem nervosismo, Sheila e Charles decidem seguir o mapa e caminhar até o chalé. Ao chegar ao local, eles são surpreendidos pela presença de um homem estranho na casa. O tal sujeito diz que eles erraram a rota e que ali não há nenhum Paul.

Tal mentira descarada levanta suspeitas na dupla e eles decidem investigar a fundo o mistério do desaparecimento do amigo. O que eles descobrem? Junte ambiente isolado e ruralista + transporte de valores + ferrovia sem movimentação + desaparecimento de uma pessoa. Pronto. Você matou a charada de "The Long Tunnel", publicação de John Milne pela Macmillan Readers - edição de 2005. A obra está escrita em inglês básico e você poderá passar o tempo de forma divertida enquanto treina a fluência em outro idioma.

16 abril 2016

Caixa de Correio #10 - Mr. Mercedes, de Stephen King

Na última semana, minha caixa postal brindou minha ida à agência dos Correios com algo a mais do que cupons de desconto, flyers de shows e folhetos de propaganda. Em parceria com a Companhia das Letras, recebi "Mr. Mercedes", livro I da trilogia Bill Hodges. O autor? Uma dica: seu nome já alcançou tal nível de reconhecimento que, na capa do livro, vem em fonte maior e posição estrategicamente privilegiada. Sim, ele mesmo, o "ômi". 

Stephen King, de 68 anos, felizmente não sofreu de "Síndrome de Bartleby" e nem de "Síndrome de Lobo da Estepe" (coloca no google, vai valer à pena), e continua produzindo e escrevendo sobre assassinos, sangue, vísceras e "desespero da multidão". Comecei a folhear Mr. Mercedes (sim, o nome está ligado ao carrão do grupo alemão) e adentrar dentro da história. Acabei fazendo associações com os enredos de detetives no estilo Harry Hole (personagem famoso da série criada pelo escritor norueguês Jo Nesbo) e de médicos na linha House MD (série televisiva). De quebra, você pode esperar a saga de um profissional brilhante, no caso, o detetive aposentando Bill Hodges, mas entregue ao vício e à autodestruição.

A orelha do livro já mata um pouco da charada - eu imagino -, mas isso só vai ficar claro no final (ou não). Juro que volto aqui para contar.

Sinopse: clique aqui (resolve bem rápido e preserva o meio ambiente virtual das repetições).

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