01 outubro 2014

Novidades!

Nova colaboradora: Jéssica
Bem-vinda!
É com enorme prazer que anunciamos oficialmente nossa nova colaboradora, a Jéssica.

Carinhosamente chamada por Jessy, participou timidamente do blog com algumas resenhas, mas sempre nos acompanhou seja com comentários ou em nossa página no Facebook.
Aos pouquinhos, o amor por livros e o carinho pelo Dose Literária nos aproximou e hoje além de amiga, faz parte do time.

Mãe de duas lindas crianças, Jessy divide seu tempo entre trabalho, filhos, livros e filmes. Tem o privilégio de morar no litoral, podendo nem que seja por alguns minutos apreciar a brisa que vem do mar (ai que inveja boa!).

Define-se como uma curiosa, adora História, Cinema e Stephen King. E além de escrever por aqui, tem seu próprio espaço em que compartilha suas impressões sobre a sétima arte no Jessy Cine Club.


Mais um ano de Dose Literária!
3 anos! (quem diria?!)
O blog Dose Literária completou 3 anos este mês e não poderíamos deixar de agradecer a todos os leitores e colaboradores que nos acompanham durante esse tempo.

Tantas coisas aconteceram desde o nosso primeiro post!
Houve momentos de alegria, troca de livros, aniversários, desafios, concursos, ganhos e perdas...
Ainda não desistimos e estamos aqui por vocês e por nossa amiga Eni.

Algumas curiosidades do mês:
Visualizações do site: 10.822
Textos mais acessados: Romances Clássicos, Anna Karenina, Livros de Terror e São Paulo Literário.


Agradecemos todo o carinho, as sugestões, as críticas construtivas, a admiração e a participação de todos vocês! Estaremos aqui sempre que possível para oferecer uma DOSE de literatura.

E como forma de agradecimento, vamos sortear alguns marcadores de livros...

Sorteio de marcadores
Sorteio de aniversário!
Devido ao sucesso do sorteio de marcadores  no Instagram, resolvemos presentear nossos comentaristas do blog também!

Na próxima segunda-feira (06/10/2014) iremos sortear um kit com marcadores e bloco de anotações:

- 2 marcadores da Livraria Cultura
- 1 marcador do blog literário Torpor Niilista (da Maria Valéria)
- 1 botton e marcador do livro A Lição de Anatomia do temível Dr. Louison de Enéias Tavares
- 1 bloco de anotações do evento ‘Livros em Pauta’ – Andross Editora.
- 2 marcadores diversos

Como participar?
Preencha o formulário aqui e boa sorte!




27 setembro 2014

Lançamento do conto Átimo

Créditos: Ana Cândida Carvalho
Experiência. Sensação. Transcendência. Emoção. Sonhos.  Essa é a alquimia de 'Átimo', conto escrito por Mara Vanessa Torres, redatora do Dose Literária. No enredo, Sara carrega um par de asas invisíveis. Livre, ela deixa o coração seguir com o vento e não tem medo de recomeços. Andando pelas trilhas do destino que construiu com as próprias mãos, Sara conhece um jovem e tímido pescador. Por amor - e com o amor -, ela decide guardar dentro de um relicário as experiências e sensações que incendiaram de emoção sua vida. Até que mudanças acontecem e, em um átimo, o passado se conecta ao presente. 


Você pode baixar o e-book pelo link do Dropbox (de forma rápida, partilhada e gratuita). Você também pode encontrar o conto no Skoob e no Widbook (leitura virtual). 

Depois partilha sua opinião com a gente! ;)

18 setembro 2014

Garota, interrompida



Trago para vocês mais uma resenha de um livro que li recentemente mas que já conhecia sua história por causa da adaptação cinematográfica. Garota, interrompida é a biografia de Susanna Kaysen, onde ela relata suas memórias no período que ficou internada numa clínica para deficientes mentais, para tratar de seu transtorno de personalidade, aos 18 anos, no ano de 1967... 

Por não seguir os padrões que a maioria das jovens de sua idade seguem, Susanna resolve se internar de forma voluntária, e acaba conhecendo outras garotas de sua idade, com problemas e distúrbios diferentes mas com um ponto em comum: fora do hospital há uma sociedade que rejeita garotas como elas, famílias que 'esquecem' suas parentes por lá e nas paredes brancas e frias é que essas jovens encontram algum refúgio para espantar os fantasmas de suas mentes... SusannaLisaDaisyGeorgina e Polly logo se vêem juntas, numa espécie de convivência pacífica, onde apenas o companheirismo pode salvá-las de afundar em remédios, gritos ensandecidos e rejeições...


Susanna narra o período que viveu no Mt. Auburn Hospital, as amizades que encontrou nas outras garotas, os problemas em particular de cada uma delas, a paciência [ou falta dela] das enfermeiras e equipe médica, e ainda possíveis amores, e saídas ocasionais. Existe todo um procedimento para visitas, horários de remédios, terapias, exames, a temida solitária, uma velha TV na sala de estar e devaneios insanos. A idade de Susanna e suas amigas é aquele período da adolescência em que as pessoas escolhem uma faculdade, qual marca de carro comprar, que emprego seguir, festas a frequentar, enfim, idade de tomar decisões importantes, mas para elas só restaram comprimidos em horários determinados, lençóis brancos, eletrochoque e consultas mensais com psiquiatras, além de diálogos persuasivos [ou tentativa deles] de conseguirem permissão para sair de uma ala devida a outra ou um passeio monitorado até a sorveteria do bairro em que o hospital se situa...



Dentre as pacientes, Lisa é a paciente sociopata, é a que mais foge do hospital, calculista e que mais arruma confusão com a equipe médica. Outra tem o rosto queimado após uma tentativa de por fogo em si mesma, a outra, sonha em sair dali e ser protegida por seu pai, que atende o pedido da filha de trazer-lhe frangos fritos que lotam seu quarto... 


Daisy

Lidando com a exclusão da sociedade, Susanna precisa encontra-se consigo mesma, entender seus sentimentos, suas confusões mentais e se estabelecer num padrão apto a ser integrado à sociedade. A leitura é uma espécie de passeio ao fundo da mente da protagonista, e por vezes, você acaba se identificando com sua loucura... Ela fala sobre morte, suicídio, ânsia de liberdade... Susanna busca compreender a si mesma...


"Na verdade, eu só queria matar uma parte de mim: a parte que queria se matar, que me arrastava para o dilema do suicídio e transformava cada janela, cada utensílio de cozinha e cada estação de metrô no ensaio de uma tragédia."
Lisa, por Jolie...
O filme rendeu o Oscar de melhor atriz coadjuvante à Angelina Jolie, que interpretou de forma visceral a sociopata Lisa. É uma adaptação intensa, e considero fidedigna ao livro, com exceção de algumas situações que em nada abalam o enredo, mas trazem à tona outras perspectivas, como o drama de Daisy, por exemplo [interpretada pela finada atriz Brittany Murphy]. São 191 páginas carregadas de vidas descartadas pelo mundo além das paredes do hospital, vidas que precisam seguir adiante com a ajuda de receitas médicas, e quando algumas conseguem se recuperar para receber alta, precisam encarar o desconhecido mundo que até então as rejeitou... Mas... é preciso viver...

"Enquanto estivéssemos dispostas a continuar transtornadas, não precisaríamos arranjar trabalho ou estudar. Conseguiríamos nos esquivar de quase tudo, a não ser de comer e de tomar a medicação."

Garotas interrompidas no auge de suas vidas. Congeladas no tempo por período indeterminado enquanto a vida segue lá fora...

Winona Ryder, na pele de Susanna Kaysen

"Interrompida em sua música: tal qual acontecera com a minha vida, interrompida durante a música dos 17 anos, tal qual a vida ela, roubada e presa a uma tela; um momento congelado no tempo mais importante que todos os outros momentos, quaisquer que fossem ou que viessem a ser. Quem pode se recuperar disso?"

Garota, interrompida é uma publicação da Editora Única.

16 setembro 2014

A Cor Púrpura - Alice Walker


Meu primeiro contato com A Cor Púrpura foi através da adaptação cinematográfica em 1991. Eu tinha 7 anos, mas o filme teve grande impacto na minha mente infantil. Tornei-me grande fã da atriz Whoopi Goldberg que fez o papel da protagonista Celie. 

Este ano, conversando com uma professora que teve sua tese de doutorado sobre literatura afro americana, pedi sugestões de escritores e ela indicou-me duas escritoras: Alice Walker e Toni Morrison (as favoritas dela). 

Alice Walker (nascida em 1944), recebeu cinco premiações por seu trabalho e é hoje incluída, pelos mais importantes críticos literários dos Estados Unidos, entre os melhores escritores americanos contemporâneos . 

Edição Circulo do Livro, 1982
É inevitável fazer comparações entre livro e filme, pois como já disse, foi um filme marcante para mim. Mas tentarei passar algumas impressões sobre a escrita de Walker. 

No início do século XX, Celie é uma adolescente negra numa região rural dos Estados Unidos. Foi abusada pelo pai diversas vezes e teve dois filhos que foram frutos desses estupros, mas que foram tirados de Celie ainda recém-nascidos. 

Celie narra suas histórias através de cartas que escreve a Deus, pois seu pai mesmo disse: 
“É melhor você nunca contar para ninguém, só pra Deus. Isso mataria sua mamãe.” 
Após a morte da mãe, Celie é obrigada a se casar com um viúvo cheio de filhos e ir para um lar tão caótico quanto o seu. Nettie, sua irmã e única pessoa que a ama, foge de casa e passa um tempo na nova casa de Celie, mas é constantemente assediada pelo cunhado e decide ir embora, prometendo um dia voltar para buscar Celie. 

Nettie conhece um casal de missionários que a leva para uma missão religiosa na África. 

Sozinha, Celie tem de aprender a conviver com sua condição e apesar da sua submissão, o contato com outras mulheres e situações, ensinará como ser forte em um lugar em que ser mulher e negra não traziam novas perspectivas de futuro. 

Pontos interessantes e observados da narrativa: 
  • Não há referências de tempo e lugar na maior parte das cartas de Celie, mas percebemos alguns fatos históricos da época como a ascensão do Jazz e a segregação racial.
  • Sendo uma jovem com pouco estudo, a escrita dela é coloquial. “Ele me bateu hoje purque disse queu pisquei prum rapaz na igreja. Eu pudia tá cum uma coisa no olho, mas eu num pisquei.” Achei a tradução interessante, baixei a versão do livro em inglês para entender as escolhas dos tradutores. 
  • Quando Celie está mais madura, começa a dar indícios de sua orientação sexual e faz questionamentos sobre Deus. 
  • Diferente do filme, o livro também narra os acontecimentos da vida de Nettie na África. 

Walker foi criticada por ter criado um retrato supostamente negativo dos homens afro-americanos, mas em minha opinião ela retratou algo que acontecia em muitos lares pelo mundo. A questão não é se o homem é negro ou branco, e sim como as mulheres eram vistas pela sociedade. 

Leitura recomendada. 

Posts relacionados:

13 setembro 2014

Trapalhadas sexuais e sociais de uma garota amalucada - Aconteceu em Paris, de Molly Hopkins

Uma garota bonita, atrapalhada e deslocada das convenções do mundo terreno decide procurar emprego em uma agência de turismo. Ela está afundada em dívidas - e, claro, quer consumir mais -, e idealiza logo uma boa oportunidade para viajar, ganhar por isso e gastar. Nessa empreitada, ela conhece um motorista quase-semi-deus e não pensa duas vezes em encarar uma aventura sexual e amorosa ao lado do gatão. Só que nem tudo acaba saindo conforme o planejado e o casal se mete em inúmeras trapalhadas e gargalhadas. Esse é o tempero de "Aconteceu em Paris", primeiro romance da escritora inglesa Molly Hopkins (original It happened in Paris, tradução de Maria Ângela Amorim de Paschoal e Adriana Amback, editora Novo Conceito, págs, 480, 2013).

A história segue o ritmo de comédias românticas cinematográficas, a exemplo de "Como Agarrar Meu Ex-Namorado", "O Casamento do Meu Melhor Amigo" e "O Amor Não Tira Férias", onde personagens destrambelhadas metem os pés pelas mãos, estão sempre em apuros e procuram o amor nos piores lugares, até finalmente conseguirem esbarrar em uma paixão que dure mais do que uma garrafa de vinho. Esse é o caso de Evie Dexter, uma pródiga incurável que vive a rotina com leveza, distração e alienação. Depois de ficar desempregada, Evie procura trabalho em uma agência de turismo e logo consegue; sua missão é acompanhar turistas em uma viagem a Paris, apontando os pontos de visitação, criando um ambiente de descontração, interagindo e informando - já que o passeio também tem um viés cultural. Em uma roupagem europeia, a viagem nada mais é do que nossas conhecidas excursões de três dias, com direito a muita gente tagarelando, bagunçando, aprontando e se divertindo.

Nesse percurso, a amalucada Evie conhece Rob, motorista do ônibus e um verdadeiro Bradley Cooper - pelo menos, foi essa a licença imagética que eu me permiti na leitura do livro. Desse esbarrão, um romance explicitamente sexual desponta e vai evoluindo para intimidade, cuidado, traição e... Muita confusão. Seguindo a fórmula de sucesso dos clichês lúdicos-românticos, Molly Hopkins faz um livro divertido, repleto de referências à marcas, atrizes, filmes e celebridades e, acima de tudo, situações pitorescas que vão arrancar risadas. É um romance para 'abstrair', relaxar, ler de pé para cima e rir muito.

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