20 fevereiro 2017

Caixa do Correio #32 - Queer, de William S. Burroughs - Cia das Letras

Lançamento de Janeiro / 2017



Recebemos Queer, de William S. Burroughs em parceria com a Companhia das Letras em janeiro.
Confesso que será minha primeira leitura do escritor.  Por aqui o Fabio já resenhou o livro Almoço Nu  (2016) e a Maria Valéria falou de Junky (2013), de Burroughs também publicado pela Cia das Letras. Vocês vão achar várias referencias do escritor no blog porque o pessoal aqui ADORA a Geração Beat.

Eu ainda não consegui adentrar ao universo da Geração Beat, minha tentativa foi com On the Road de Jack Kerouac e foi meio infrutífera, mas agora é minha chance de mergulhar através das escritas subversivas de William.

Sinopse:
Embora tenha sido escrito em 1952, Queer só veio a público mais de três décadas depois por causa de sua explícita temática homossexual. Ambientado na Cidade do México do início dos anos 1950, o romance acompanha William Lee – alter ego de William Burroughs e protagonista dos livros Junky e Almoço nu - durante uma crise de abstinência de drogas, que ele tenta superar com álcool e com uma paixão obsessiva pelo ambíguo e indiferente Eugene Allerton. Juntos, os dois partem para a América Latina em busca da ayahuasca, a nova droga do momento.
A atmosfera frenética e o ritmo alucinado marcam a narrativa e os monólogos do protagonista, antecipando o estilo visceral que estaria presente em toda a produção literária de Burroughs. Este volume ainda conta com a introdução do autor à primeira edição do livro, de 1985.


+ Tem mais sobre o escritor:
- Junky 

17 fevereiro 2017

O Perfume da folha de chá, de Dinah Jefferies

Esse livro foi um lançamento de Jan/2017 pelo selo Paralela da Companhia da Letras.

Escolhi esse livro por se tratar de um drama, por se passar nos anos 20 e por ter esse ar exótico já que a história se passa no Ceilão local que até então eu não sabia de nada.

A história inicia-se com um prólogo bem misterioso e que me fez pensar que relação ele teria com o restante da narrativa, então, já me senti intrigada.

O primeiro capítulo já se inicia nos anos 20 quando Gwendolyn chega no Ceilão. Ela é inglesa e recém casada com um grande produtor de chá Laurence Hopper. A protagonista tem apenas 19 anos nessa época e a mudança cultural brusca é o que permeia os primeiros capítulos quando a jovem Gwen procura se adaptar a nova vida na linda fazenda Hopper mas ao mesmo tempo encontra vários entraves para se relacionar com os criados e ganhar alguma voz e respeito como patroa.

Logo ao desembarcar ela conhece Savi Ravansigh, um pintor de origem cingalesa que se mostra alguém muito gentil mas por motivos que Gwen não entende, parece deixar seu esposo irritado. A partir daí ela passa a notar que muitos segredos irão permear seu casamento pois seu esposo por mais carinhoso que seja, é também um pouco distante e fechado. Sem contar que Gwen se sente constantemente ameaçada pela presença de Christina, uma viúva muito rica e que ela acha que é íntima demais de seu esposo.

O conflito do livro inicia-se quando Gwen ao dar a luz, tem que tomar uma decisão que a colocará num conflito moral muito grande. E a partir desse momento, ela é quem passa a ter um segredo que a fará sofrer muito.
Uma das coisas que me chamou muito a atenção foi o momento histórico. O livro cita alguns acontecimentos importantes como a quebra da bolsa em 1929 e mostra o como isso afetou mesmo os que não viviam no EUA. Temos alguns comentários sobre Hitler o que nos faz pensar no que viria depois e há algumas crises no próprio Ceilão que são citadas no decorrer da narrativa.

O drama do livro é forte e se o leitor se pôr no momento em que a história se passa, faz muito sentido. Os costumes eram outros e algumas situações não eram toleradas bem na época (muitas por desconhecimento).
O livro tem uma narração mais lenta mas não chega a ser cansativa. As descrições são muito bonitas e nos transportam para as paisagens narradas, só achei que o livro poderia ter sido mais curto porque em alguns momentos parecia que a história estava levando tempo demais para ter seu ápice.

Há outros personagens marcantes que são: Frances a prima de Gwen que parece ser bem mais moderna que nossa protagonista, Verity irmã de Laurence que também é alguém que irá causar muitos conflitos no decorrer da história e Naveena um criada idosa e que de inicio não parece que irá acrescentar muito, mas que acaba sendo um peça importante na história.

A autora conseguiu dar um final bem digno e apesar de no decorrer do livro eu ter desvendado alguns dos mistérios antes do tempo, o final deu bem certo.

até mais :*

13 fevereiro 2017

O tribunal da quinta-feira, de Michel Laub

Recebido em parceria com a Editora Companhia das Letras, O tribunal da quinta-feira é o segundo livro do autor com o qual eu tenho contato. E já adianto: que contato maravilhoso. 

Dono de uma escrita contundente e subversiva, Michel Laub traz um enredo que fala sobre um publicitário que confidencia alguns segredos a um amigo, inclusive sobre um caso extra-conjugal e sua esposa acaba lendo por um descuido dele... Esse acontecimento desencadeia uma série de consequências densas para nosso narrador...




Seus textos tem um cunho ofensivo, devido a maneira como ele narra suas experiências sexuais com uma colega de trabalho, vinte e três anos mais nova que ele. Não bastasse a repercussão escandalosa que esses e-mails vão causar, pelo fato de sua esposa - agora ex - Teca divulgar nas redes sociais, causando um julgamento/linchamento social dirigido ao narrador, ainda há um fator alarmante em todo ocaso: uma suposta transmissão do vírus da AIDS

Walter, amigo e destinatário dos e-mails é portador do vírus há alguns anos, apenas José Victor sabia disso. Além de envolver a amante e a si mesmo nesse escândalo, a privacidade de Walter acaba sendo desnudada 'por tabela'. Mas ainda há muitos segredos a serem descobertos nessa confusão, inclusive da própria Teca... O risco/medo de contaminação permeia toda a narrativa.

Michel Laub nos entrega uma obra ficcional que faz referências a artistas falecidos por conta do vírus, mergulha nos anos 1980 numa espécie de viagem pelos primeiros anos em que a 'peste gay' causou o óbito de centenas de pessoas, incluindo amigos dos personagens Walter e José Victor. 

Em suma, uma excelente obra, que merece ser lida por aqueles que ainda teimam em resistir à escrita inteligente de Laub, grande nome da nossa literatura contemporânea atual, uma grande aposta que deu certo por parte da Companhia das Letras em publicar seus escritos. Não há como se decepcionar,mas prepare-se para um belo soco no estômago, que só as leituras do tipo viscerais fazem com sua vida...

"Ter um corpo de quarenta e três anos não impede que se pense como alguém de quinze. Um amigo meu gosta de fazer piadas sobre merda. Ele manda um Whatsapp: interditei o vestiário. Preciso comer mais linhaça, ele diz. Linhaça é saúde, granola e frutas, o reino das polpas cheias de fibras que tornam consistente o produto das entranhas, um bolo de micro-organismos vivos dos quais só nos lembramos ao sentar no vaso. É muito deselegante começar falando disso? Também lembramos do que somos feitos quando pensamos na morte."