04 maio 2015

O Realismo Fantástico nos contos de Anderson Henrique... Anelisa Sangrava flores


Recebi de cortesia do autor Anderson Henrique o seu livro Anelisa Sangrava Flores, publicado pela Ed. Penalux. Já tinha me atraído pelo livro há algum tempo, lendo algumas resenhas em blogs, pois o título e a capa do livro me chamaram a atenção. Ainda mais por se tratar de um livro de contos, com a temática de Realismo fantástico, com quem flerto vememquando...

Pois bem, gentilmente Anderson me enviou seu livro, com uma linda dedicatória e logo que me senti apta a embarcar nessas aventuras iniciei a leitura do mesmo. Para minha completa satisfação, foram páginas devoradas em pouco tempo, que me deixaram entorpecida por narrativa tão fluída e sobretudo, intensa. 

O livro conta com 124 páginas, divididas em 13 histórias e um prefácio. Neste, Luciano Prado compara os textos de Anderson Henrique aos de Borges e Cortázar, mas eu não me atreveria a discordar, embora ele não me remeta a esses dois autores [creio que por ter lido tão pouco deles não poderia fazer essa comparação.], mas certamente a leitura me lembrou a escrita de Moacyr Scliar, em vários momentos da leitura... E como sou apaixonada por Scliar, os contos de Anderson me soaram perfeitamente maravilhosos...

O primeiro deles é intitulado Gigante, em que conhecemos a história de Jurandir, que se mostrou grandioso desde seu nascimento e que por causa disso sofreu com algumas situações peculiares. O simbolismo que encontrei naquelas linhas é de alguém que - por se mostrar diferente dos demais, vira alvo daqueles que não enxergam beleza na diversidade e condenam o indivíduo ao isolamento. Mas a força e determinação são maiores que as críticas de outros, e o indivíduo - nesse caso, Jurandir, chega a um estado de elevação existencial, em que a presença da matéria não é o fator principal, mas a essência do ser prevalece, de alguma forma... 

No conto seguinte, que dá nome ao livro, Anelisa teve sua placenta enterrada assim que nasceu, e o vermelho de seu sangue se faz presente [e importante] ao longo de todo conto. Seria uma espécie de metáfora para as várias passagens da vida de uma garota, onde o sangue é elemento vital em sua existência... O elo entre a menina e a Terra, que fazia brotar flores com o contato do sangue da menina, me passou a impressão da mulher como criação de tudo, é a mulher e seu sangue que faz em brotar a vida na Terra. A medida que Anelisa sangra, mais vida surge ao seu redor...

A seguir um dos contos que mais gostei no livro, chamado Uma noite, uma década. Mostra como o Tempo pode ser um elemento [des]importante numa relação afetuosa. O tempo se torna abstrato, sem sentido, quando um homem encontra uma mulher em um quarto de hotel e da relação tempestuosa e avassaladora que surge entre eles, o elemento tempo lhe rouba uma década. Anos se passam e um reencontro acontece e o desfecho desse enlace você só vai descobrir ao ler o conto... 

"certas coisas são imunes ao tempo. - Como assim?- Há circunstâncias na vida que são intocáveis."
Há também a história de Carolina que vira Scarlet e que vira JordanaJosé Pasqual e suas previsões, que o fazem desistir de seu cotidiano por acreditar que no dia seguinte o mundo viraria pó, O beijo que dá início a uma relação amorosa entre o narrador e uma bela mulher que surgiu em sua vida, e que da mesma maneira inusitada que surgiu, foi embora... [um dos contos que mais gostei], e temos até um conto sobre seres da noite [vampiros?!], entre vários outros personagens narrados ao longo do livro. É possível o leitor se identificar em alguma das situações descritas, embora de cunho fantástico, e se refletirem em alguns dos personagens. 

Anderson Henrique nos presenteia com textos curtos porém densos, que prendem a atenção, fazendo o leitor segurar a respiração a fim de saber o desfecho de cada história de maneira prazerosa. A diagramação do livro é bonita, com páginas amareladas que não cansam os olhos no decorrer da leitura. A capa condiz bem com o conto Anelisa Sangrava Flores. Em suma, é um livro que merece ser apreciado, mesmo por aqueles que não são familiarizados com Realismo Fantástico. Ouso dizer até que seria um bom começo para conhecer esse estilo literário, e por que não com um autor nacional, não é mesmo?

Anderson Henrique nasceu em 1982, no Rio de Janeiro. Trabalhou como webdesigner, programador e colaborou com sites de cultura. 
Espero que tenham gostado da resenha. Até a próxima, pessoal... ^.~

01 maio 2015

Dose de notícias #20

A seguir, um pequeno apanhado de notícias do blog e do mundo. ;)



1º de Maio - Dia da Literatura Brasileira


José de Alencar
A data é uma homenagem aos grandes escritores e às suas belíssimas obras, que passam por uma extensa e rica diversidade de escolas literárias, marcando cada período social e intelectual da história do Brasil.

O Dia da Literatura Brasileira também é uma homenagem ao aniversário de um dos mais importantes autores do Romantismo Brasileiro, José de Alencar. 

José Martiniano de Alencar nasceu em 1 de maio de 1829, e ficou conhecido por ser o primeiro escritor brasileiro a retratar o seu país exatamente como ele era, ou seja, com os personagens típicos do Brasil, como o índio e a vida no sertão nordestino. Alencar era cearense e, além de escritor, também atuava como advogado, jornalista, deputado e ministro da justiça. 
Fonte: Calendarr
* Já comentamos diversas obras da literatura brasileira que você pode ler aqui.



Dia do Trabalho e... #SomosTodosProfessores
Protesto na Sé - Todos com os professores de PR e SP
"Se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda."
Paulo Freire

1º de Maio - o Brasil inteiro precisa ir às ruas, em apoio a toda a classe de trabalhadores da Educação, em especial os professores do Paraná e de São Paulo! É responsabilidade de todos nós cuidarmos dos professores! Eles são os responsáveis pela nossa educação e a de nossos filhos, que forma a base do nosso futuro.
Uma sociedade que oprime seus professores não respeita a si mesma! Sindicatos, movimentos sociais, escolas, universidades, sociedade civil: Precisamos de uma frente coesa e sólida. Convidem todos os seus contatos.


Local: Praça da Sé - São Paulo/SP - 14h.
Informações: Evento no Facebook


Library Hotel: uma biblioteca dentro do hotel em Nova Iorque


Meu sonho: uma estadia nesse cultural e luxuoso hotel.
Já pensou em se hospedar em um hotel que também é uma biblioteca? 
O Library Hotel em New York é o sonho de todo leitor: possui livros em todos os espaços e ainda tem andares e quartos inspiradores. O oitavo andar do hotel dedica-se às literaturas: mistério, contos de fadas, dramática, poesia, clássica e erótica.
A Sala de Leitura fica localizada no segundo andar, encontra-se disponível para os hóspedes 24 horas por dia, oferece vistas magníficas da Madison Avenue e Library Way e possui centenas de livros, com uma seleção de chás, café, cappuccino, espresso, café com leite, biscoitos e frutas gratuitos e sempre disponíveis.

Bom, acho melhor parar por aqui. Por enquanto é praticamente impossível que eu possa me hospedar em um hotel desse nível. Mas quem puder, fica a dica (rs).

13ª Roda de Leitura em Paudalho - PE

Já comentamos por aqui que o evento Roda de Leitura é organizado pelo nossa querida Maria Valéria, em sua cidade - Paudalho/Pernambuco.
A prova que o evento faz sucesso é que em maio acontecerá o décimo terceiro encontro.
A cada encontro uma obra literária é discutida com sorteios e brindes que são distribuídos entre os participantes.
O livro de maio será O auto da compadecida de Ariano Suassuna.

Se você estiver próximo não custa dar uma passadinha por lá. Informações: aqui.

Newsletter do Dose













Agora estamos enviando posts e notícias por e-mail. Se você quer essa comodidade, inscreva-se para receber nossas News aqui.

Posts relacionados:

30 abril 2015

Namorados entre livros: ilustrações de Puuung

Nem bem chegou o Dia das Mães, e já queremos falar do Dia dos Namorados? Gente, é que achei essas ilustrações tão fofas que eu tinha que compartilhar com vocês.

O artista Puuung (sim, isso mesmo!) captou pequenos momentos e gestos de amor em nosso cotidiano e transformou tudo em fofíssimas ilustrações. 

“O amor está nas formas que negligenciamos facilmente em nossa rotina diária. Então, eu tento encontrar o significado do amor diariamente e transformá-las em obras de arte” – diz o artista em sua fanpage.
Das 37 ilustrações eu escolhi estas duas para dividir com você que mostram o casal em meio aos livros e em momentos perfeitos de cumplicidade e carinho. Gostou? Veja as outras ilustrações no site de Puuung

Pequenos gestos de amor valem mais que mil palavras...

Dormir agarradinho no sofá na companhia de livros e gatos ;)


Posts relacionados:
- Semana dos Namorados

29 abril 2015

A mais pura verdade, de Dan Gemeinhart




Uns dias atrás a Editora Novo Conceito me enviou um livreto contendo os primeiros capítulos do livro A mais pura verdade, de Dan Gemeinhart. A leitura se mostrou deliciosa logo de cara e quando finalizei o livreto, fiquei na maior expectativa de saber o desfecho da história... Pois bem, a editora me enviou um exemplar e no mesmo dia devorei o restante da história. Confesso que em vários momentos, as lágrimas vieram aos olhos...

A mais pura verdade é sobre Mark, que apesar da pouca idade já tem consciência que vai perder o páreo para um câncer grave... Então ele resolve sair de casa levando uma mochila com poucos mantimentos e seu cãozinho Beau a tiracolo, pra tentar escalar o Monte Rainier, numa espécie de 'última aventura'. Ele tinha feito essa promessa ao seu avô, que escalava montanhas e de certa forma ele quer cumprir sua promessa... 
Mark sai registrando numa pequena câmera as coisas que lhe acontecem pelo caminho. Raciona a comida, procura manter Beau sempre alimentado e sente saudades de casa... Ao longo do caminho, passa por vários momentos de perigo, de tristeza e principalmente de solidão... Mas ainda assim, ele deixa o medo de lado seguindo rumo ao seu objetivo... A tempestade vai piorando e o rádio comunica que as pessoas não saiam de casa, nem escalem a montanha, dando intervalos para falar do desaparecimento de Mark. Ele tem medo que as pessoas o reconheçam e o levem pra casa, interrompendo seu sonho... Sua amiga Jess sabe, mas ele pediu segredo e enquanto ele ruma ao seu intento, a garota fica em casa e na casa de Mark num dilema de contar onde seu amigo está indo, ou deixar que ele realize sua vontade sem interferência... 

O garotinho Mark tem muita perseverança e apesar de parecer loucura abandonar tudo e se arriscar ele tem em mente que vai morrer de qualquer forma, então ao menos uma vez em sua curta vida, ele gostaria de sentir um pouco a liberdade de fazer suas próprias escolhas, mesmo que a um preço alto... Outro ponto admirável na história é o cachorro, que sempre cuida de seu dono, e nunca o abandona. Até quando quase morre ele ainda permanece junto a Mark. Tive que me segurar pra não chorar numa das cenas mais tensas do livro envolvendo Beau...

Ao longo de sua aventura, Mark se dá conta que nunca esteve sozinho, e apesar da revolta com a vida e com o tempo que pra ele está se esgotando, ele percebe o quanto foi amado e protegido por sua família, amigos e até foi bem tratado pelos desconhecidos que surgiram em sua jornada. E ele conta com sua amiga Jess para que sua história seja conhecida por todos... Quanto ao desfecho me foi satisfatório, não é alegre, não espere um milagre divino mas foi perfeitamente coerente, e por que não dizer, 'feliz'? Tive minhas expectativas superadas com a leitura e creio que a obra possa agradar a leitores de qualquer idade. Se você procura uma história envolvente e emocionante, eis A mais pura verdade...

26 abril 2015

Depois daquela viagem - Valéria Piassa Polizzi


"às vezes ainda me sinto como Edward Mãos de Tesoura, preso em seu castelo, fazendo obras de arte porque não há outro jeito com o qual possa tocar as pessoas."
E eis que conhecemos a história de adaptação, batalha e superação de Valéria Piassa Polizzi, uma jovem que aos 16 anos, em sua primeira relação sexual, contrai o vírus da AIDS. Isso numa época em que ser HIV positivo era sinônimo de morte certa, em que não haviam medicamentos para todo mundo [apenas para quem pudesse pagar, como foi o caso de Valéria] e em que a doença ainda era considerada o mal dos 'gays'. Uma mulher sendo portadora do vírus era ainda mais absurdo e o preconceito e desinformação eram altos... 



Valéria nos apresenta Depois daquela viagem [publicado pela Editora Ática] como uma espécie de bate-papo informal, dando aos jovens [faixa etária alvo do livro] uma verdadeira lição de vida e de como você deve se prevenir para que não aconteça com você o que houve com ela. Ela trata do início, quando descobriu que estava doente, do choque, em ter que revelar aos pais, esconder do resto da família e dos amigos. viu suas expectativas e sonhos caírem por terra pois acreditava que não viveria muito. Foi no ano de 1986, aos 15 anos, que ela conheceu o homem que viria a contaminá-la meses depois. 

Eles se conheceram numa viagem de navio e após os contatos iniciais engataram um namoro. Com o passar dos meses, ela transou com ele pela primeira vez, e sem saber contraiu o vírus. Descobriu dois anos mais tarde, aos 18, ao fazer exames de rotina, por sentir algumas dores estomacais. Foi um baque e uma reviravolta na vida de Valéria. Ela viajou para os Estados Unidos para estudar, pois queria ao menos terminar um curso de inglês antes de morrer. Largou o teatro, a faculdade, o trabalho ao lado do pai, administrando seus negócios e passou alguns anos escondendo sua condição de soropositiva dos amigos que fez na estadia nos EUA. Ela tinha medo que as pessoas descobrissem e a expulsassem do país.

Nos primeiros anos ela não tomou o AZT, um conhecido remédio que prolonga o tempo de vida dos pacientes, mas a medida que sua imunidade vai baixando assustadoramente, e o médico que a examina regularmente praticamente implora que ela comece a se medicar, ela volta ao Brasil para começar seu tratamento. Não antes de ter uma tuberculose que quase lhe tira a vida...

Lembro quando eu era pequena e vi uma entrevista com Valéria num programa na TV, em que ela falava sua história e contava sobre a publicação de seu livro. Fiquei curiosa para saber mais a respeito dela, ainda mais por se tratar de alguém com meu nome. Isso ocorreu em meados de 1998, quando eu tinha então 12, 13 anos. E só agora, aos 29 anos, é que tive a oportunidade de ler seu livro... E pasmem - Valéria ainda é viva.

Passado um tempo, ela já namorou, morou fora do país e hoje dá palestras sobre AIDS, além de ter 3 livros publicados. Depois daquela viagem foi seu romance biográfico de estreia, escrito em fins da década de 1990. Foi colunista da revista Atrevida, lançou Papo de garota e Enquanto estamos crescendo e teve seu livro publicado em vários países, servindo como uma espécie de guia de prevenção para jovens e adolescentes.





Já são quase 30 anos convivendo com a doença, para alguém que achava não passar de 10, Valéria é uma vencedora, uma guerreira, e hoje faz campanhas e palestras orientando os jovens a usarem camisinha e discutindo sobre Educação sexual nas escolas. Terminou a faculdade de Jornalismo. Casou. Viajou pelo mundo. Depois daquela viagem é uma verdadeira lição de vida, recomendo a todos, não apenas jovens, mas a quem gosta de uma história sensível, tocante e de superação diante das adversidades... É um livro que não aborda apenas a AIDS, mas também o preconceito, a vontade de viver, é sobre a adolescência e sobre sonhos...

Fica aqui registrada minha imensa admiração pela autora, minha xará...





Espero que tenham curtido a resenha. Já leram alguns de seus livros ou á tinham ouvido falar em Valéria? Me contem nos comentários... 

ShareThis

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...