20 janeiro 2012

Resenha: Até o dia em que o cão morreu

Não podemos dizer que o Brasil vive de passado em termo de cultura. Felizmente há muita coisa acontecendo, principalmente em termos de Literatura. Temos muitos escritores produzindo bons livros, entre eles Daniel Galera.

Até o dia em que o cão morreu nos conta a história de um cara, nos seus 20 e poucos anos, que resolveu abandonar o conforto do lar (mesmo que ainda conte com ajuda financeira do pai) para viver sozinho em um apartamento. Formado em Letras, ele vive de pequenos bicos, sem emprego fixo. Leva uma vida bastante solitária, até que um cão entra por acaso em sua vida. Há também a presença de Marcela, que não é sua namorada, mas está sempre por perto.

Galera nos mostra um personagem que ainda não sabe lidar com a vida adulta, com as responsabilidades, então se esconde numa juventude que ele não deixa passar. Sutilmente, ele mostra que o ideal de vida adulta é vazio, que a solidão acompanha, assim como a apatia. 

Até o dia em que o cão morreu é o romance de estréia de Daniel Galera, originalmente publicado pelo selo Livros do Mal em 2003. Foi reeditado pela Companhia das Letras em 2007. 

Trechos sublinhados:

mas com o tempo assumi que naquela fase da minha vida não conseguiria fazer nada. Foi um tanto surpreendente quando encontrei felicidade nisso. p. 34

E bebendo, fumando, respirando fundo e observando a chuva, fui me livrando vagarosamente da agitação em que me encontrava, me concentrando até alcançar aquele estado vegetativo que sempre me trazia tranquilidade. p. 52

Permanecia uma hora inteira dentro da banheira, escutando música, até a água ficar fria. E especialmente ali, dentro d'água, eu me sentia cansado. Velho, em certo sentido. No sentido de que era tarde demais para morrer jovem. p. 91