29 janeiro 2012

Resenha: "O Renegado" [7 livros em 7 dias]

Balzac nesta obra é puro Balzac. Sua maneira descritiva e tocante de narrar os mais profundos sentimentos e pensamentos de uma mulher do século XVI começa já nas primeiras páginas. A jovem condessa Joana, recém casada e grávida do conde d'Herouville, atormentada pelas ameaças do marido ao suspeitar que sua gravidez seja fruto de um breve romance com o primo da condessa Jorge de Chaverny, sofre o pesadelo de dar a luz a um filho prematuro de 7 meses. Seu marido renega o filho já nas primeiras páginas desse curto, mas detalhado romance.
A criança, delicada e enfermiça sofre, desde o nascimento até o fim de seus dias pela abnegação e rudeza do pai, mas é encobrido de todo o amor materno que possa existir entre uma mãe e seu filho.
Após a chegada do segundo filho, este, amado e educado unicamente pelo pai, surgem na condessa e futura duquesa, medos e cuidados pelo primogênito superiores aos até então vividos nesta altura do romance.
Estevão, o primogênito, é cândido, frágil; um apaixonado. Maximiliano, o irmão, é rude como o pai, preparado para a guerra, mas sem a mesma sorte vitalícia do irmão mais velho.
A história toma proporções completamente diferente de valores paternos com o passar das páginas, mas o destino do infortunado Estevão, que nasceu para sofrer de amor, toma um rumo diferente ao conhecer Gabriela, filha do médico e parteiro Beauvaloir.

Nessas 112 páginas, notei que Balzac se prendeu a detalhes descritivos sobre a alma do protagonista Estevão, mas deixa passar detalhes importantes do enredo logo no final da leitura. Tive a impressão de que ele quis estender a história, mas no final acabou “acelerando” demais para dar-lhe um final trágico, o que acaba deixando dúvidas no leitor.

Lançado em 1983 pela editora Clube do Livro, O Renegado, que detém uma das capas mais pífias que já vi, deixa-se enganar pela simplicidade e erros tipográficos da edição, é uma história rica, um romance heroico, que traz ao leitor o prazer e o prendimento que só o grandioso Honoré de Balzac proporciona com sua literatura.

Esta foi uma das obras inclusas no meu auto-desafio: 7 livros em 7 dias.