17 janeiro 2012

Só para os raros: resenha de O Lobo da Estepe

Confesso que fazia muito tempo que não lia nada. Justo eu, que passei a infância e maior parte da adolescência metida entre livros e visitas frequentes às bibliotecas, fazia quase um ano que não lia um único livro sequer. E sempre que abria a pasta de downloads no computador, lá estava ele, me intimidando. Sabia que teria que ler aquele livro, que ele seria o pontapé inicial pra minha volta às estantes. Então comecei.

A escolha de O Lobo da Estepe, se deu porque eu sou fascinada por lobos e sua essência. Então se o livro falava, mesmo que metaforicamente, sobre lobos, a possibilidade de lê-lo inteiro e gostar era já bem grande. Depois da leitura fui procurar resenhas, opiniões, e descobri que o livro é um clássico e já foi cult em duas épocas distintas. Não teria como ser diferente. Escrito por Hermann Hesse, ganhador do Prêmio Nobel, o livro fala sobre um cinquentão aposentado e misantropo, que vive isolado e se orgulha por ser um outsider, alguém que não se encaixa na atual sociedade e por isso vive entre livros e música clássica.

A primeira metade do livro é toda voltada aos pensamentos de Harry Haller sobre si mesmo, sobre a burguesia, sobre a guerra e sobre sua intensa insatisfação e inadequação com a sociedade vulgar e medíocre em que está inserido, e por isso ele se denomina O Lobo da Estepe. Passamos a entender como ele pensa, sente e interage, e até mesmo suas caminhadas noturnas pelos ruas e tabernas, sempre descritas de uma forma quase onírica, nos fazem entender porque ele sente tão intensa decepção com a música popular, com pessoas frívolas e senso-comum. Seu tédio constante e desinteresse por qualquer coisa o faz pensar constantemente em suicídio.

Até que em uma de suas caminhadas, ele se depara com uma placa luminosa que diz  

"Teatro Mágico 
Entrada só para os raros
Só para os raros"

e logo depois recebe um panfleto de um ambulante cujo título "Tratado do Lobo da Estepe", é uma enorme e reflexão sobre si mesmo, sobre a natureza humana. Harry, que sempre achou que sua natureza se dividia entre duas - a humana e a lupina, pela primeira vez vê que a personalidade humana é multifacetada, sendo não duas, mas centenas de diferentes naturezas. 

A partir daí, Harry vai descobrindo, com a ajuda de Hermínia, Maria, Pablo e o Teatro Mágico, novas sensações físicas e intelectuais. Aos quase cinquenta anos, Harry Haller é forçado a se abrir para conhecer tudo o que, por toda a vida, rejeitou. A confirmação da multifacetada natureza humana ocorre dentro do Teatro, onde, numa viagem interior, regada a drogas e alucinações, toda sua vida é confrontada. 


Gostei demais do livro, e apesar de ter lido em Ebook em três dias, é com certeza o próximo na minha lista de aquisições.