25 fevereiro 2012

Livros em Pauta: Feliz Ano Novo - Rubem Fonseca [Eni]

No último domingo (19), uma parte do nosso clube se reuniu entre docinhos, balões e bolo de aniversário para mais um debate sobre o livro em pauta. Escolhi uma obra conhecida da literatura brasileira, de um dos escritores que particularmente considero o exponencial do estilo, Rubem Fonseca. Esta foi a 4ª obra que li dele:

Feliz Ano Novo (1989 – Companhia das Letras) é uma das obras mais conhecidas e comentadas do escritor, composta por 15 contos que vão do absurdo ao cotidiano, do impressionante ao inexorável; o primeiro conto que leva o nome do título do livro mostra já de cara a realidade de três marginais em busca de comida para o seu reveillon, de armas em punho escolhem aleatoriamente uma residência de “bacanas” para cometer o roubo e causar diversas sensações no leitor, ora enxerguei a situação com os olhares dos bandidos, ora com os das vítimas, e isso me fez refletir sobre ambas as classes sociais e a diferença dos valores morais e materiais de cada uma delas. Alguns dos contos me deixaram apática como Abril, no Rio, em 1970 e Botando pra quebrar, e outros, extremamente apreensiva como Passeio noturno (Parte I) e Passeio noturno (Parte II).
Corações solitários, Agruras de um jovem escritor, Nau Catrineta e Intestino grosso eu gostei pelas histórias em si, pela forma narrada e pelas sensações que me causaram.
Mandrake, o detetive já conhecido pelos leitores de Rubão, protagoniza o conto Dia dos namorados.
Mas os meus contos preferidos foram O outro (executivo que é perseguido por um pedinte de esmolas), O pedido (um português visita seu antigo amigo depois de muitos anos para pedir humildemente um dinheiro emprestado), Entrevista (diálogo simples entre um homem e uma mulher) e 74 Degraus (dividido em 74 "instantes" que marcam os assassinatos de dois homens, articulados por duas mulheres), acho que por serem as histórias mais "comuns", mas nem por isso deixam de ser tocantes.
O Campeonato foi reflexivo, este em questão era o “Campeonato de Conjunção Carnal” e um trecho: "O amor está acabando, porque o amor só existe por sermos animais de sangue quente. E hoje estamos representando o último poético circo da alegria de [ter relações sexuais], que tenta opor as vibrações do corpo à ordem e ao progresso, aos coadjuvantes psicoquímicos e aos eletrodomésticos. A vocação do ser humano é ser humano. (...)"

Li este livro em um só dia, e já estou ansiosa para ler uma próxima obra de Fonseca.
Esta obra foi publicada pela primeira vez em 1975 e imediatamente proibida pela censura na época do regimento militar, e não é a toa. Rubem Fonseca tem seu estilo peculiar de narrar, é genial, simples, e impressionável. Não poupa palavrões, usa um estilo libertário de literatura, praticamente o percursor do estilo de escrita livre e direta no Brasil, sem maiores firulas e sem termos literários dignos de uma busca no dicionário. Sou fã, do escritor, das obras, da pessoa que é Rubem Fonseca! 
Valeu, Rubão!