02 março 2012

Charles Bukowski

Falei aqui do meu segundo escritor preferido, então hoje falo do primeiro: Charles Bukowski.


Em 2007 eu decidi qual seria o tema do meu TCC: Geração Beat. Eu só tinha lido algumas coisas do Kerouac, então pedi alguns livros emprestados a um amigo. Em meio a obras de Kerouac, Ginsberg e Burroughs, veio O Capitão Saiu para o Almoço e os Marinheiros Tomaram Conta do Navio, de Bukowski.

Bukowski sempre foi aquele autor cujos livros eu via nas livrarias mas nunca dava atenção. Esse foi o primeiro contato que tive com a escrita dele e acho que a foto acima mostra bem o impacto que ela causou em mim. Este livro nada mais é do que um diário de Bukowski, já velhinho, contando sua rotina e seu vício por corridas de cavalos. Isso foi em janeiro de 2008.

Algum tempo depois, um amigo me presenteou com Notas de um Velho Safado, que são textos que Bukowski escrevia para jornais da época. Depois disso, não sei dizer a ordem em que comprei os demais livros. Primeiro comprei aqueles lançados pela L&PM e dentre eles destaco Misto Quente, em que Bukowski conta um pouco de sua infância. Esse é um ponto que eu adoro na escrita dele, é quase tudo autobiográfico. Numa Fria é ótimo para quem quer começar a ler seus contos. Seu último livro foi Pulp, é justamente o que menos gosto, mas mesmo assim, é uma ótima leitura. 

Eu sempre tive problemas com poesia. Eu lia muito quando era mais nova, mas de uns tempos para cá eu não tinha mais afinidade com ela. Ano passado resolvi deixar essa implicância de lado e li O Amor é um Cão dos Diabos. Agora posso dizer que entendo porque algumas pessoas dizem que preferem os poemas dele. São todos lindos, carregados de melancolia e com uma alta dose de sarcasmo. 

Cartas na Rua foi o mais complicado de encontrar. Consegui encomendar numa livraria essa edição da Brasiliense, mas felizmente ele foi lançado pela L&PM no ano passado. Esse foi o primeiro romance de Bukowski e ele nos conta como era sua rotina enquanto trabalhava nos Correios. 

Duas compras inusitadas: uma vez eu estava andando na rua e vi um cara vendendo livros numa barraquinha. Hollywood estava entre eles e lógico, eu o trouxe para casa. Nesse livro, ele nos conta como foi a experiência de ter um romance seu adaptado para o cinema. Hollywood saiu dois anos após o lançamento do filme Barfly, com Mickey Rouke, no papel de Henry Chinaski (alter ego de Bukowski).

Perto do meu ex-trabalho tinha um cara que vendia livros numa banquinha improvisada. Fiz amizade com ele e ele sempre procurava alguns livros raros para mim. Eis que ele encontrou a segunda edição de Mulheres


Talvez Mulheres seja meu romance preferido. Muita gente acha que Bukowski era um cara misógino, mas basta ler com um pouco de atenção e pensar na vida dele que a ideia se mostrará bem diferente do que parece. Mas prefiro não comentar nada, leiam e pensem um pouco como se vocês estivessem na pele dele, considerando tudo que ele viveu.

Um dos livros que mais gosto na minha coleção é There's no Business, com ilustrações de Crumb!


Em 2009 eu comecei uma pós e estava definido que para conclusão do curso precisávamos escrever um artigo. Óbvio que o escolhido foi Bukowski. Tive alguns problemas de entendimento com a orientadora e o trabalho não ficou do jeito que eu queria, mas só de ter lido e relido sua obra eu já fiquei satisfeita. Além disso, tive a oportunidade de ler sua biografia, escrita por Howard Sounes


Eu sempre tive uma relação de amor e ódio com Bukowski. A figura dele sempre me causou asco, pois ele reunia diversas das características que eu desgosto em um homem, mas ao mesmo tempo sempre houve uma forte identificação. Já perdi as contas de quantos trechos de obras dele eu sublinhei, de quantas vezes eu li alguns poemas específicos e já vi praticamente todos os filmes inspirados em suas obras, bem como os documentários. E também tenho uma tatuagem "para ele". Acho que um escritor cumpre seu papel quanto desperta esses sentimentos numa pessoa. Nenhum outro escritor me causa esse turbilhão de sentimentos como Bukowski causa até hoje. 

Em 2010, durante a Bienal do Livro, houve o lançamento de Pedaços de um Caderno Manchado de Vinho. Hesitei em lê-lo, pois sabia que não teria mais textos inéditos dele. Parece besteira, né? Mas não para aqueles realmente apaixonados por um escritor. Para minha sorte, a L&PM lançou a coletânea Textos Autobiográficos, que reúne diversos trechos de suas obras, de forma a contar a história de sua vida. Esse eu ainda não li e ele vai esperar mais um pouco na minha estante. Gosto de saber que sempre terei mais a descobrir sobre o homem que de certa forma mudou a minha vida. 

Bom, essa foi minha declaração de amor a Charles Bukowski, que me fez companhia em diversos momentos e moldou minha forma de pensar diante de certas ocasiões.
Obrigada, Buk