28 março 2012

A literatura contemporânea de Simone Campos

Fui presenteada pela amiga Michelle há 2 meses atrás com dois livros da jovem escritora Simone Campos, ambos lançados pela Editora 7 Letras, livros estes que entraram para o meu auto-desafio: 7 livros em 7 dias.
Carioca, 29 anos, que iniciou seu caminho no mundo das letras ainda em idade escolar com apenas 17, Simone estreia com o livro "No Shopping", uma curta novela que se passa inteiramente em torno da ambientação de um shopping center.
O enfoque deste livro acredito que não seja somente pela idade prematura da escritora, nem pelo conteúdo do livro em si porque não se distingue pela relevância do tema, nem pelos personagens adolescentes, mas pela maneira com a qual Simone narra os acontecimentos, ágil e dinâmica, criando fórmulas matemáticas sem a utilização de números, mas palavras. Não seguindo as obrigatoriedades das pontuações, Simone descreve determinados fatos na velocidade de um pensamento, pondo o leitor em confronto com seus próprios pensamentos, paralelamente.

Seu nome está relacionado com o do escritor já citado aqui diversas e dignas vezes, Luiz Ruffato. Este organizou o livro “25 mulheres que estão fazendo a nova literatura” lançado pela editora Record, e dentre estes 25 está um de seus contos, Bondade.

O segundo de seus livros que somei ao meu auto-desafio foi “A Feia Noite” levado pelas personagens Maria Luiza e Francisco, em resumo é uma montante de palavras que se fugir a concentração do leitor, se torna uma leitura arrastada e de pouco entendimento, mas não cabe à mim inferiorizar tal obra pela minha não-compreensão, mas reconhecer que Simone detém uma mente peculiar e solvida nas ótimas argumentações e domínio do significado de cada palavra utilizada e suas funções no conjunto da obra. Ela não especifica alguns pensamentos pessoais e a origem deles e ainda subjetiva determinadas passagens, nem enreda fatos substanciais da vida de Maria Luiza, Simone não descreve certas cenas com exatidão, ela dispõe ao leitor o trabalho de sua mente para exatificar e suscitar desde a rasa à mais significativa atuação da personagem principal.
Maria Luiza é supostamente uma garota de programa que convive como room-mate na residência do marketeiro político Francisco, a tela de fundo dessa história: a noite, e a vida noturna de Maria Luiza. Esta curiosa e distinta companheira, em resumo - como diz a aba do livro - se torna mais uma das obsessões de Francisco.

Não compete à mim fazer o resumo de livros que passou diante dos meus olhos sem abalos ou conclusões, são histórias sem começo meio e fim, mas que contém literalmente começo meio e fim como todo livro. Ao final da leitura não soube distinguir se a minha conclusão foi simplesmente um ponto de interrogação em minha testa, apatia ou aquele sentimento de aprendizado agregado de novas palavras, porque Simone utiliza não somente termos literários, mas técnicos, e de linguagem subversiva, transformando suas obras, sem dúvida alguma, em únicas; incomparáveis, e de riqueza poética, no sentido surreal do termo.

Simone Campos - Fonte: Google Imagens
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