01 março 2012

O Soprador de Vidro

Passado e presente juntos, conectados por uma mesma tradição. Essa é a proposta da autora inglesa – e meio veneziana – Marina Fiorato, na obra “O Soprador de Vidro” (original ‘The Glassblower of Murano’, editora Prumo, 2009, 295 pág.).

A trama se desenrola em torno de Leonora Manin, uma artista plástica que vive a dor de um divórcio conturbado, fruto da traição do marido. Para esquecer a situação em que vive e ir atrás de uma nova vida, Leonora (Nora) deixa a Inglaterra e parte para novos desafios na Itália, terra natal do pai - que morreu sem que ela o conhecesse. Frente ao recomeço da protagonista, Marina Fiorato tece um enredo envolvente, que tem raízes na tradição italiana dos sopradores de vidro, uma arte rebuscada e que fazia dos detentores do ofício verdadeiros prisioneiros do Estado.


Foi o caso de Corradino Manin, antepassado de Leonora. Artista por excelência, Corradino produz os melhores espelhos e derivados do vidro, tais como luminárias, facas e ornamentos. Vigiado pelo alto comando italiano, o soprador de vidro esconde um histórico que mescla trauma e segredos. No decorrer do enredo, a história une felicidades e angústias, fazendo com que Leonora consiga experimentar outras perspectivas e perdoar um passado que desconhece.

A leitura deste livro me proporcionou quatro horas de voo tranquilas entre Teresina – Rio de Janeiro, portanto, apesar de não destacar fatos/personagens envolventes, recomendo.

Observação pessoal: Acredito que Marina Fiorato tenha buscado inspiração em seu próprio tipo físico para construir a personagem central. Leia e descubra porquê.