21 março 2012

Por que ler livros?

Aqueles que não estão habituados com a leitura desde a infância - que é a idade em que mais provemos de tempo para atividades de aprendizado - raramente na adolescência ou idade adulta tomam para si o hábito da leitura. Na infância o nosso convívio se restringe geralmente à casa, escola, família e colegas. Na escola o nosso método de ensino é de terceiro mundo, em casa as vezes não temos base estrutural, apoio ou incentivo para a leitura, e no meio familiar aprendemos a sobreviver através de experiências e convivência social com base do que vemos e ouvimos.
Não é a toa que nos sentimos diversas vezes “sem assunto” quando conversamos com pessoas que não lêem. Uma pessoa que entre trabalho, casa, televisão, internet, esportes e diversos outros momentos do dia tira ao menos 30 minutos do seu tempo para ler um livro, uma revista informativa, ou mesmo um artigo mais abrangente sobre um determinado assunto na internet, adquire mais capacidade conversativa, analítica, opinativa e sociológica.
Não estou falando dos grandes gênios, dos acadêmicos, nem de intelectuais, muito menos estou criticando ou descriminando os que não lêem, falo sobre nós, pessoas comuns, que trabalham, cuidam da casa, estudos, saem para encontrar os amigos nos finais de semana, etc.
Há quem sinta prazer na leitura, e há aqueles que ainda não descobriram o prazer de ler um bom livro. Prazer este que condiz com aprendizado. Também não é uma regra o dever de ler, eu poderia dar muitos exemplos, me basear em estatísticas que provam que o brasileiro lê pouco, e que nem por isso são pessoas sem cultura, mas respeito aqueles que optam por outras atividades culturais, desde que adquiram conhecimento diário através de suas funções e atividades do dia-a-dia. Numa boa conversa com um colega de trabalho, por exemplo, podemos conhecer uma nova opinião, um novo conceito e diversos outros assuntos que até então não sabíamos que existiam. O aprendizado é constante e diário, mas a busca individual por conhecimento deve partir de cada um, não somente através de um mestre ou professor, e indivíduos que buscam ler e conhecer outros mundos, sociedades, visões diversas e até mesmo sentimentos alheios, estão mais aptos a solucionar seus próprios problemas, internos e externos. Têm o poder de formar uma opinião própria, encontrar recursos para colocar ideias em prática, crescer como indivíduo, como ser humano, e quiça, se tornar mais feliz, tendo em mente que com uma boa bagagem de cultura, educação e discernimento sobre todos os assuntos que lhe surgem, desde o mais trivial ao mais abrangente, desperta em si, para sua auto-sobrevivência, meios que façam com que seus maiores problemas se tornem solucionáveis a partir de uma auto-análise, e consequentemente uma auto-aceitação e satisfação, o que o tornam uma pessoa feliz consigo mesmo. Confrontamos diariamente com assuntos do nosso cotidiano que estão fora do nosso domínio, que muitas vezes ignoramos por não termos argumentos, opiniões, pois aceitamos não ser de nosso interesse. Somos seres únicos, e sabemos listar muito bem o que gostamos e o que não gostamos, o que concordamos e o que discordamos, o que sabemos e o que não queremos saber. No entanto, o que não conhecemos, supera todo o nosso conhecimento até o momento, o que não me conformo é com aqueles que acham que sabem o suficiente e dizem não precisar da leitura para saber um pouco mais do que já sabem.
Nunca devemos parar no tempo e nas ideias formadas, nunca devemos afirmar que a leitura não nos faz falta. É com a palavra que nos comunicamos diariamente, a falada, a lida, a escrita, por que não nos aprofundarmos mais no nosso rico vocabulário? Vivemos numa Era em que a caligrafia já não é tão importante quanto a digitação, em que nos expressamos nas redes sociais com ortografia errônea, vocabulário pobre, onde até mesmo caracteres conseguem dar a ideia de expressões faciais para expressar sentimentos, e tudo se tornou muito resumido, até mesmo os diálogos, as conversas, a nossa vida social. Falamos errado, escrevemos errado, vemos errado, lemos errado! Com essas afirmações, perguntas surgem... mas o que é o certo para você Eni? Para mim, o certo é ocuparmos a mente com coisas construtivas ao nosso intelecto, é não deixarmos nos levar somente pela atualidade, é ler clássicos de séculos passados, é saber o que a humanidade já foi para entender o que é ela é atualmente e para imaginar - sem requerer de profetas e visionários - como será o nosso futuro.
Não sou intelectual, não vivo a minha vida lendo, tenho a minha rotina e nelas meus afazeres diários que tomam muito do meu tempo, tempo este que eu gostaria de dedicar mais ainda aos estudos e leitura, mas ao invés de eu passar o meu tempo livre em busca de coisas que eu considero fúteis, eu tiro no mínimo 50% desse tempo livre para ler um livro. E se a mente está cansada demais para tentar absorver uma leitura, uso o meu tempo livre para praticar e exercer todo o conhecimento que eu obtive até hoje. Não é difícil, todo ser humano possui essa capacidade. Já conversei com diversas pessoas que ao saberem que eu escrevo para um blog sobre livros e literatura automaticamente esboçam uma expressão de vergonha por não lerem. Não sintam vergonha por não lerem, simplesmente leiam quando puderem. E quando a leitura se tornar um hábito na sua vida, e consequentemente tomares o conhecimento como um manancial para a sua existência nesse planeta, você sentirá a mesma sensação que sinto, a mesma vontade de modificar as coisas que concordamos serem erradas na nossa sociedade, sentirás a necessidade de converter aqueles que não lêem à leitores assíduos e formadores de opinião.
Se achas que o mundo está torto e errado, és tu quem o consertará a partir do teu querer. Promova o conhecimento como bem maior! Um livro será teu amigo confidente, teu companheiro e teu psicólogo em todas as horas que passarás junto dele, e nunca, jamais te fará algum mal ou fará perder seu tempo, por "pior" que seja o livro.
 Boa leitura!