05 março 2012

Semana da Mulher: Liv Ullmann

Liv Ullmann é uma atriz e diretora de cinema nascida em Tóquio, no ano de 1938. Sua família é de origem norueguesa, seu pai era um engenheiro e estava sempre viajando a trabalho, por isso ela nasceu no Japão. Liv começou a trabalhar no teatro e seu primeiro filme foi Persona, dirigido por Ingmar Bergman. Bergman e Liv foram casados durante alguns anos, e mesmo depois da separação continuaram trabalhando juntos. Liv estrelou o último filme de Bergman, Saraband.

Certo dia, Liv Ullmann recebeu a ligação de um jornalista. Quando questionada a respeito de seus trabalhos atuais, ela disse que estava escrevendo um livro. Mas isso não era verdade. Ela não quis dizer que não estava trabalhando no momento, então inventou essa desculpa. Depois de algum tempo, começaram as perguntas a respeito do livro. Então ela começou, de fato, a escrevê-lo. Foi assim que nasceu Mutações.

Liv Ullmann se tornou mundialmente famosa após atuar em diversos filmes de Ingmar Bergman. Ela foi chamada para trabalhar no cinema americana e estampou diversas capas de revistas. Em meio a tudo isso, ela teve uma filha com o diretor. Em Mutações ela descreve a relação turbulenta entre os dois, as brigas nos sets de filmagem e a vida solitária em Färo.

Mutações já começa com um tom confessional. Liv nos conta um pouco de sua infância, desde seu nascimento até o momento em que saiu de casa para estudar teatro. Antes de estrelar filmes de Ingmar Bergman, Liv já tinha uma carreira bastante próspera no teatro, principalmente no papel de Nora, em A Casa das Bonecas, de Ibsen.

No decorrer das páginas, Liv narra seus medos, paixões e sua relação com a fama, num tom bastante intimista. Durante toda a leitura, sentimos a culpa da atriz, por trabalhar tanto e não poder se dedicar em tempo integral à filha, Linn. Outro tema bastante recorrente em seu livro é a solidão. Como lemos na seguinte passagem: "Acredito que é, algumas vezes, menos difícil acordar e sentir que estou sozinha quando realmente estou do que acordar com alguém e me sentir solitária."

Na parte final do livro, Liv nos mostra uma espécie de diário escrito durante as filmagens de Face a Face. Como toda obra de Bergman, este é um filme bastante introspectivo e parece ter abalado Ullmann. Na passagem a seguir, temos a relação de Liv e sua personagem Jenny: "Jenny foi esperta. Conseguiu representar um papel, viver atrás de uma máscara, esconder a dor. Algumas vezes, esta tomava uma forma física, e para isso ela comprava pílulas e pomadas na farmácia. Mas, a maior parte do tempo, a dor permanecia sob controle".

Em 2008, Liv esteve no Brasil para uma tarde de autógrafos. Seu livro Mutações foi relançado no Brasil e obteve muito sucesso. Tive a oportunidade de comparecer ao evento e conhecer Liv de perto. Extremamente simpática, ela se mostrou a mesma mulher que conhecemos em Mutações. Atrás de um lindo sorriso, se esconde uma mulher comum, com seus amores e medos.