22 abril 2012

A História de um Proscrito

O texto a seguir é do nosso convidado Carlos Crow.
(Carlos Crow é formado em História, fotógrafo profissional e faz parte de uma ONG que luta pela preservação de animais marinhos - Sea Shepherd Brasil).

A História de um Proscrito


"Há muito tempo atrás, em um país muito distante, homens viveram para defender sua liberdade e a de seu reino. Liberdade usurpada de um rei deposto com três leões perdidos por um rei tirano. Um xerife em busca de poder. Muitos homens lutaram com as únicas coisas que a floresta poderia lhes fornecer, madeira, frutos, pedras e caminhos tortuosos.
Hoje faz quase três anos em que nos separamos de nossas terras, três anos que nos chamam de criminosos, três anos sem ver amigos de outras vilas, condados ou cidades. A três longos invernos tivemos de nos refugiar na floresta que nossos ancestrais atravessaram para fundar nosso condado. Sherwood sempre foi vista como um caminho difícil e obscuro pelos homens e mulheres que a atravessam e disso nos valemos para criar nossas defesas contra os poderosos, Rei da Inglaterra e o Xerife, que vivem nos caçando. Homens, mulheres e crianças enfiados nos cantos mais escuros e tenebrosos com histórias de fantasmas, demônios e perigos que nossa floresta pôde criar durante os anos em que cavaleiros a cruzaram. A natureza é nossa anfitriã, nossa casa, parte de nossa família, nosso salão, nossos quartos, nossa capela. Só ela nos fornece esperança a cada nova manhã para que possamos nos levantar e poder alimentar nossos filhos e outros que se abrigaram conosco. Não somos muitos e isso nos ajuda, porém nosso método de batalha os fez pensar sermos muitos, pura cria de mentes de homens assustados que quando pressionados por seus comandantes afirmam que eram muitos homens armados dos pés à cabeça, alguns com mais de dois metros (bem que o Pequeno John tem um pouco mais do que isso), outros com força descomunal (nosso caro Frei Tuck quando bebe sai de si).
Aprendemos a ler os sinais da terra, dos rios, rochas, ventos, das árvores e dos animais que dividem suas casas conosco. Sempre que necessitamos de madeira e frutos para nossa vida e luta diária, pedimos a deus que olhe por nós todas as vezes que derrubamos alguma árvore ou quando pegamos frutos. Não podemos deixar rastros ou sinais de que passamos por ali em busca de alimentos. Como falei aprendemos a ler os sinais das árvores e, portanto só pegamos os frutos mais maduros que estão por cair ou os recém-caídos.
Nossas crianças brincam com suas amigas árvores e os animais da floresta. Permitimos que amarrem brinquedos que elas gostam de fazer com madeiras imitando homens e mulheres nas árvores ao longo da estrada o que é visto por muitos cavaleiros do rei que a frequentam como algo que não é cristão. Nós sabemos que tais brinquedos são bem cristãos, mas até agora ninguém contou nada a eles, nem nossos amigos que não vemos a três anos de outras vilas e condados o fizeram, portanto sabemos que nossa luta tem o apoio deles.
Para a segurança de nosso esconderijo como falei antes usamos de histórias tenebrosas criadas pelos próprios homens. Para afastar indesejáveis o medo dos homens, do xerife, do usurpador, soldados, cavaleiros, nobres e ricos foram levados contra eles mesmos. Quais destes não tem medo de dragões? Com a ajuda de amigos de vilas e condados vizinhos espalhamos a história de que um grande dragão vivia naquela área da floresta de Sherwood, que havia queimado outro vilarejo de proscritos dentro da floresta e matado a todos sem deixar corpos! – Foram todos engolidos pelas chamas na garganta da besta cuspidora de fogo. Para dar veracidade à história construímos um vilarejo e colocamos fogo nele. Para ajudar os homens do xerife a chegarem lá queimamos árvores, quebramos rochas com fogo e água. – A besta habita várias grutas da floresta, foi o que espalhamos também e em diversas delas semeamos o medo em seus arredores espalhando armas quebradas, elmos amassados, escudos de madeira chamuscados e queimados e escudos de metal mordidos com marcas de dentes de javali, mas que os homens do xerife juravam ser de dragão, muitas lanças queimadas fincadas em árvores e flechas quebradas no alto de árvores e troncos secos como fosse o sinal de uma batalha. Vez por outra quando capturávamos um de seus homens jurávamos levá-los á gruta do dragão e estes prometiam por sua honra nunca mais lutar contra nós, honra naquele tempo era sagrada!"

O VERDADEIRO PROSCRITO:

Sim ele existiu, ROBIN HOOD foi mais real que muitas das histórias que o cinema nos traz. 
A história acima remonta diversos livros daquele que hoje chamamos de Herói, o que em seu tempo era tido como um OUTLAW, aportuguesando FORA DA LEI, ou seja, que vive às margens da sociedade.
Para conhecermos este homem mais a fundo precisamos conhecer um pouco do contexto histórico que nos fora trazido por diversos livros, documentos históricos e linguagem cinematográfica.
Em diversos livros, assim como no cinema, Robin Hood é colocado no final do reinado do Rei Ricardo III, o Ricardo Coração de Leão. Reino que fora usurpado por seu irmão João sem Terra. Isto não representa a verdadeira história e sim uma adaptação de muitas das lendas criadas para Robin Hood.
Mas afinal, onde começa a verdadeira história e acaba a lenda?
Documentos remontam a história de Robin Hood ao final do século 13 e inicio do século 14. Fora um dos vassalos do senhor feudal de Wakefield, SIR THOMAS LANCASTER, que se levanta contra o rei Eduardo II, por volta do ano de 1322. O motivo da revolta do Feudo de Wakefield foi o pedido de ajuda ao rei após péssimas colheitas, fome, aliadas a uma péssima conjuntura econômica e social do reino, onde o rei Eduardo II se recusou a ceder ajuda. Este foi o espaço onde Robin se fez herói.

Mapa de Sherwood

Alguns documentos como o que está na imagem abaixo são claros, em inglês medieval podemos ler: HOBBE HOD FUGIT, ou seja, Robin Hood fugitivo.


Por volta de 1323, Eduardo II, percorre o norte com seu exército pacificando a região e perdoando rebeldes. Em Nottingham sua majestade perdoa um grupo de proscritos liderados por um homem que utilizava o LONGBOW, arco longo, muito popular na virada do século XIII para o século XIV.
Os nomes ROBERT, ROBIN e HOOD foram nomes muito utilizados na Inglaterra medieval.
Um dos fatos mais marcantes acerca de Robin Hood é que esta era também uma expressão casual para se definir os OUTLAWS, foras da lei, a partir do século XIII (da mesma forma que hoje utilizamos outra expressão como João Ninguém ou em inglês o popular John doe), entretanto não se sabe o porque disto, será que houve realmente somente um Robin Hood ou deveríamos nos perguntar quantos Robin Hood teriam de fato vivido!

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