20 abril 2012

Mortos Entre Vivos

Quando o assunto é "livro de terror", nomes como Edgar Allan Poe e Lovecraft vêm à cabeça. Muitas vezes influenciados por eles, tivemos um boom da literatura de horror entre os anos 70 e 80. Livros como Carrie, de Stephen King (1974), Horror em Amityville, de Jay Anson (1977), A Profecia, de David Seltzer (1976) e O Exorcista, de William Peter Blatty (1971), fizeram um enorme sucesso e foram adaptados para o cinema.

De 2000 para cá apareceram muitos livros lidando com o "sobrenatural", mas poucos com a qualidade dos livros acima citados. Mas o sueco John Ajvide Lindqvist está aí para provar que a literatura de horror ainda pode ser bem criativa. Meu primeiro contato com o autor foi através do filme Låt den rätte komma in (saiu aqui como Deixa ela Entrar) que foi baseado em seu primeiro livro de mesmo nome. Tive a oportunidade de lê-lo e acho que desde Anne Rice eu não lia algo tão interessante sobre vampiros (sem contar Drácula, claro!).

Recentemente fiquei sabendo que seu segundo livro, Hanteringen av odöda, tinha saído no Brasil pela Tordesilhas, com o nome Mortos Entre Vivos. E o melhor: foi traduzido diretamente do sueco. O livro começa em uma noite atípica na Suécia, extremamente quente, com uma estranha "energia" capaz de causar dores de cabeça. Junto a isso, há uma espécie de pane nos aparelhos eletrônicos: nenhum pode ser desligado. Após esse "incidente", os mortos voltam à vida. Paralelo a isso, acompanhamos a história de 3 famílias em meio a esse caos.


O que eu mais gostei nesse livro foi o fato de os zumbis não serem aquele clichê de "brains, brains, brains". São apenas corpos carregando um resquício de vida. Outro fato interessante é que Lindqvist escreveu alguns capítulos mostrando as notícias que "saíram" nos jornais, bem como pronunciamentos de autoridades. Isso deu um tom realista, mesmo tendo um enredo tão absurdo. Linqvist também colocou em discussão religião, fé e ciência, de forma bastante inovadora. 

O que me desagradou um pouco foi como acabou. Nada que comprometa o livro, que é maravilhoso, mas parece que Lindqvist "correu" para terminar e algumas explicações ficaram confusas. Mas como eu disse, não comprometeu e creio que é um dos melhores livros de horror contemporâneo que eu já li.

Agora espero que os demais livros de Lindqvist sejam traduzidos para o português, inclusive Låt den rätte komma in, cujo filme fez muito sucesso por aqui. 

John Ajvide Lindqvist