08 maio 2012

Escritoras e Mães (Parte II)

Rachel de Queiroz (1910 – 2003) – Natural de Fortaleza, romancista, contista, tradutora, jornalista e cronista, lutou por seus ideais sendo militante do Partido Comunista, enfrentou a Ditadura Militar, foi presa, e nesse meio tempo, desde o seu ingresso na imprensa com apenas 15 anos, nunca deixou de escrever e traduzir. Com 22 anos casa-se com o poeta José Auto da Cruz Oliveira e no ano seguinte dá a luz à Clotilde (nome em homenagem a sua mãe), que falece 18 meses depois de septcemia.
Foi mãe por tão pouco tempo, mas tempo suficiente para que decidisse não engravidar novamente. Sete anos depois, separa-se do marido, e em 1940 passa a viver com o médico Oyama de Macedo, e este casamento dura 42 anos, até o falecimento do esposo. Durante toda a vida ganhou diversos prêmios, medalhas e títulos, além de ser a primeira mulher a ocupar uma cadeira na Academia Brasileira de Letras. Em todo os seus 92 anos de vida, Rachel escreveu mais de 25 obras, e traduziu mais de 40 livros.
Rachel de Queiroz

Lygia Fagundes Telles (1923) – Escritora e jurista, nasceu em São Paulo aonde reside até hoje. Deveras reconhecida e premiada, Lygia é ocupante da cadeira 16 da ABL, e da cadeira 28 da Academia Paulista de Letras. Escreveu mais de 25 livros, dentre eles romances, contos e crônicas. Com 27 anos casa-se com o jurista Goffredo da Silva Telles Jr. e com ele tem seu único filho, Goffredo da Silva Telles Neto, cineasta. Em 1960 separa-se devido ao ciúmes do marido, e dois anos depois, junto com o filho, vai morar com Paulo Emílio Salles Gomes, este ligado ao mundo das artes e cinema, fundador da Cinemateca Brasileira. Fica viúva 10 anos depois do feliz e bem sucedido casamento, e depois de muito sofrer com a perda do marido, decide não se casar mais. Lygia também foi conhecida por ser uma apaixonada por gatos e por ser grande amiga da escritora Hilda Hilst.
Lygia e Goffredo

Cecília Meireles (1901 – 1964) – Com talentos diversos, a poetisa carioca que começou sua carreira muito jovem aos 9 anos de idade, era também professora, jornalista e pintora, considerada uma das vozes líricas mais importantes das literaturas de língua portuguesa. Órfã de pai e mãe foi criada pela sua avó portuguesa, D. Jacinta, e com 21 anos se casa com o artista plástico Fernando Correia Dias com quem teve três filhas, conhecidas como As Três Marias de Cecília, são elas: Maria Elvira, Maria Matilde e Maria Fernanda, esta última se tornou uma atriz de sucesso. Seu esposo que sofria de depressão aguda, suicidou-se em 1935. Cecília Meireles têm mais de 50 obras publicadas, ganhou diversos prêmios e homenagens durante sua vida e após sua morte, tendo seu rosto inclusive impresso numa cédula de 100 cruzados novos, nos anos 80.
Cecília e suas Três Marias

Mary Shelley (1797 – 1851) – Filha de um filósofo e de uma pedagoga, a britânica, mundialmente conhecida pela criação do personagem Frankenstein, dramaturga, ensaísta, biógrafa e escritora de literatura, com 18 anos torna-se amante do poeta e filósofo Percy Bysshe Shelley. A partir de então tem sua vida marcada por tragédias na família, perdas irreparáveis e depressões. Em 1915, no primeiro ano de relacionamento com o poeta, Mary dá a luz a Clara, a primogênita prematura que falece com 2 meses. Passada um grande crise de dívidas, o casal se casa em 1816 e no mesmo ano nasce seu segundo filho Willian, falecido com 3 anos de idade de malária. Na terceira gravidez em 1817, Mary tem novamente uma menina, e a batiza como Clara Everina, mas a pequena morre com 1 ano de idade. Seu quarto e único filho sobrevivente, Percy Florence, nasceu em 1819, mas fica órfão de pai com apenas 3 anos de idade, quando seu barco é tomado por uma tempestade em um lago e o pai morre afogado. Percy filho viveu até os 69 anos de idade. Com a perda do marido, Mary se dedica à educação do filho e a sua carreira literária, e lança 12 livros, sendo muito reconhecida com grande escritora ainda em vida. Shelley finalmente descansa em paz depois de um tumor cerebral aos 53 anos de idade.
Mary e Willian (3), pouco antes de falecer