23 maio 2012

Etílicas inspirações; ébrios escritores (ParteII)

Continuação da lista de escritores mais bêbados da história da literatura e algumas curiosidades sobre eles. Confira a Parte I.

Jack Kerouac (1922 – 1969): Na adolescência foi esportista, e em seguida entrou para a marinha, mas foram nas épocas de viagens e vadiagem com os amigos em que Kerouac mais bebeu. Enquanto viajava pela américa, bebia e consumia algumas drogas, Kerouac escrevia a respeito de suas aventuras e desventuras, foi elogiado e idolatrado por seu modo alucinado de escrever, e sua obra prima “On the Road” foi considerada a bíblia da geração beat. No final da vida o problema com o alcoolismo piora e Jack passa a ingerir pelo menos uma garrafa de bebida por dia, sentindo-se derrotado e solitário volta a morar com sua mãe, e falece de cirrose aos 47 anos. O drink preferido de Kerouac era Marguerita.
Jack Kerouac

Raymond Chandler (1888 – 1959): Escritor de histórias policias de grande sucesso que foram eternizados no cinema, antes da fama Chandler chegou a ocupar a vice-presidência na Dabney Oil Syndicate, uma empresa petrolífera da Califórnia, mas acabou por perder este emprego bem remunerado devido a problemas de alcoolismo. Em 1924 casa-se com Cissy, uma mulher 17 anos mais velha que ele, que vem a falecer 30 anos depois e Chandler, emocionalmente arrasado e a sofrer de uma dolorosa doença nervosa voltou novamente a refugiar-se no álcool até o fim de seus dias, morreu de pneumonia.
Raymond Chandler

William S. Burroughs (1914 – 1997): De família rica, Burroughs chegou a tentar manter-se com seus próprios esforços e trabalhos, mas o escritor gostava mesmo era da vida nas ruas e em bares. Desde cedo tinha dúvidas quanto a sua sexualidade, até que passou a frequentar pubs gays e a viver neste mundo de bebidas, drogas e sexo. Chegou a casar-se com uma amiga, mas depois da morte da esposa passou a envolver-se somente com homens. A literatura de Burroughs ficou conhecida por ser em grande parte construída sob o efeito de drogas alucinógenas e álcool, faleceu com 83 anos de um ataque cardíaco. Seu drink preferido era vodka com coca-cola.
Willian S. Burroughs

Alexandre Dumas, pai (1802 – 1870): O escritor francês apreciava extravagâncias, mulheres e bebidas. Chegou a construir um château para que o local estivesse sempre cheio de pessoas que apreciassem o mesmo estilo de vida que o seu, porém, o mesmo levou-lhe quase ao fracasso, tendo que fugir da França na época. Foi casado, mas isso nunca o impediu de ter relações e casos com outras mulheres. As obras mais conhecidas de Dumas é “O Conde de Monte Cristo” e “Os Três Mosqueteiros”, o que lhe rendeu muito dinheiro na época e que eram gastos com álcool e com a vida boêmia.
Alexandre Dumas (pai)

F. Scott Fitzgerald (1896 – 1940): Grande escritor americano que teve suas obras adaptadas para o cinema, era considerado da “geração perdida” na Era do Jazz. Casou-se com Zelda Sayre, e depois da esposa ter sido internada num hospício, Fitzgerald muda-se para Hollywood para trabalhar como roteirista cinematográfico e entrega-se de cabeça ao álcool, tendo sua saúde abalada pelo excesso de bebida, o mesmo chegou a admitir ter atingido o fundo do poço, e faleceu de problemas no coração. Ele e a esposa adoravam Gin Rickey, um coquetel que mistura gin, suco de limão e água com gás.
F. Scott Fitzgerald

Nelson Rodrigues (1912 – 1980): Conhecido por seus contos e histórias de perversão que mostravam “a vida como ela é”, consideradas imorais e obscenas na época da ditadura, Nelson era um boêmio que só conseguiu certa notoriedade depois de muito trabalhar e escrever para vários jornais do Rio de Janeiro. Sua vida também foi marcada por algumas tragédias, como o assassinato do irmão na sua frente, e a morte em seguida de um outro irmão e do pai. Inspirado nas muitas histórias de vida que ouvia pelos bares afora, Nelson como dramaturgo escreveu muitas das histórias que viriam a se tornar conhecidas telenovelas e mini-séries e isso tudo regado a muito whisky. Rodrigues faleceu devido a complicações cardíacas e respiratórias aos 68 anos.
Nelson Rodrigues

E devido ao grande número de enxugadores de copo da nossa literatura, ainda sobrou gente para a parte III! Aguardem. ;)