19 maio 2012

Pressentimentos e Crimes de Agatha Christie


Para mim, falar de Agatha Christie é como contar algo sobre uma velha amiga. Desde os meus quatorze anos, tenho experimentando as aventuras e desventuras dos romances policiais e de suspense dessa prolífica escritora inglesa. São mais de 60 romances de mistério, quase 200 contos, 19 peças de teatro, diversos poemas, livros biográficos e mais outros livros sobre o pseudônimo de Mary Westmacott. Agatha era uma máquina de criatividade, profusão, ideias e, mais do que qualquer coisa, um gêiser de boas histórias. 

James W. e Francesca A. como o casal Beresford
"Um Pressentimento Funesto" (original 'By the Pricking Of My Thumbs', tradução de Bruno Alexander, editora L&PM Pocket, 2011, p. 256) traz de novo ao campo os detetives Tommy e Tuppence Beresford, agora mais velhos, casados e com filhos também casados, fatores que levam a crer que os dois estejam na casa dos 60. O casal esteve presente em cinco livros da autora britânica e são personagens cativantes, dotados de personalidades distintas. Tommy tem um ritmo menos intenso do que Tuppence, descrita como uma personagem arguta e com a efusão de um foguete.
Os humores diferentes completam a dupla de detetives que, neste romance, se envolvem em uma trama que tem a ver com o "comichar dos polegares" - como diria Macbeth ("By the pricking of my thumbs, something wicked this way comes") -, e com uma saga que envolve velhinhas idosas confinadas (opa, residentes) em um asilo paradisíaco, um quadro com uma casinha graciosa, uma cidadezinha de poucos habitantes, uma igreja e acontecimentos que se misturam com fofocas e crendices de outros tempos. Todos esses fatores são adicionados ao desaparecimento de uma das vovós do asilo, a senhora Lancaster, e a busca desenfreada de Tuppence pela idosa. 

Mistério e uma narrativa cercada de pressentimentos transformam a sexagenária Tuppence Beresford na heroína do romance, uma verdadeira investigadora em todos os aspectos. O único ponto que senti falta foi ter a origem do segredo (claro, todo bom romance policial tem o segredo do segredo) esmiuçada, explicada, compreendida. De resto, o bom e o melhor de uma das escritores mais influentes de todos os tempos, com publicações que perdem somente para a Bíblia e Shakespeare.