04 junho 2012

1001 Livros: Lolita

Edição de 2003
“Um leitor desavisado poderia crer, ao folhear Lolita pela primeira vez, de que se trata de uma história real. O prefácio, tão inventado por Nabokov quanto os demais fatos da história, é escrito por um doutor que teria editado o livro e o apontado como um possível estudo de caso. Nabokov chega a inventar datas em que o crime descrito por Humbert Humbert teria sido mencionado nos jornais” (Curiosidades da revista Literatura, nº 41 – 2012)

Durante muitos anos eu estive na dúvida se deveria ler ou não Lolita de Vladimir Nobokov, por algumas críticas que tinha lido a respeito, opiniões de conhecidos e meus próprios valores. 
Sempre que estava em algum sebo ou livraria, segurava o livro em minhas mãos e andava de uma prateleira a outra, pesquisando outros títulos e como sempre achava outro livro que chamava a minha atenção, deixava Lolita lá mais uma vez na prateleira. 
Minha curiosidade chegou a ponto de que sim, eu deveria lê-lo este ano, neste momento. E apesar de me considerar mais madura para “entender” certos assuntos, Lolita foi um livro extremamente complexo por se tratar de um assunto assustador e imoral. Interessante que apesar do “choque” em nenhum momento pensei em desistir do livro, pelo contrário, eu o li em poucos dias e em todos os momentos a história me perturbava, eu ficava ainda mais curiosa para saber o destino de Lolita e o pedófilo Humbert Humbert. 

Humbert Humbert é quem narra e por muitos momentos me senti iludida pelo personagem quarentão (talvez) quando ele declarava seu amor por uma garota de 12 anos. Ao mesmo tempo eu queria que Lolita escapasse, que Humbert fosse descoberto, pois ele era um doente e muitas vezes ele se auto descreveu sendo um monstro. O narrador-personagem me confundiu até o fim do livro quando ele reencontra Lolita, já com 17 anos e grávida, corpo de mulher, não mais aquela menininha pubescente (que inspirava seus desvarios) e ainda sim, ele a quis de volta, ele quis a “eterna Lolita”. 

 “Tão lucidamente como sei que vou morrer um dia, que eu a amava mais do que tudo o que jamais vi ou imaginei neste mundo, ou que possa esperar em outro”. 

 Sem dúvidas um livro marcante e perturbador que eu ainda não tenho capacidade de analisa-lo assim com palavras, sem me deixar levar por sentimentos de repulsa ou compaixão pela loucura daquele personagem. 

*Uma observação sobre a edição de 2003 pela Folha de S.Paulo, é que muitas frases em francês do texto não foram traduzidas em nota, com isso senti que as coisas “ficavam no ar” pelo fato de eu não saber francês e acredito que muitos leitores também não tenha conhecimento da língua francesa.