11 junho 2012

Casais Imortalizados: O Dia dos Namorados na Literatura


Data comercialmente bem sucedida, o Dia dos Namorados tem movimentado o comércio de várias regiões do Brasil. Com a elevação da carga tributária, os preços de telefones celulares, perfumes, joias, aparelhos eletrônicos, bombons e até mesmo um inofensivo ursinho de pelúcia estão sobrecarregados de taxas que encarecem ainda mais os itens (leia mais sobre o assunto clicando neste link). 


A data do "amor e troca de presentes" é celebrada na "terra do verde-e-amarelo" quatro meses depois do Valentine's Day (Dia de São Valentim), comemorado em 14 de fevereiro nos EUA e na Europa. A data brasileira pode ter sido escolhida através da ação do publicitário João Dória, da Agência Standard Propaganda, já que em 1949, o publicitário criou uma campanha para as Lojas Clipper que mudou os rumos do mercado no mês de Junho. Como o período junino apresentava um índice de vendas baixo, a ideia era aumentar a procura dos consumidores. Com o slogan "Não é só de beijos que se prova o amor", Dória procurou enquadrar a data de São Valentim em algum período que correspondesse ao sentido atribuído pela data no Brasil, optando pelo 12 de junho por ser a véspera do Dia de Santo Antônio, o santo casamenteiro. A ideia pegou gás, invadiu o gosto popular e segue até hoje como a terceira campeã de vendas, ficando atrás apenas do Natal (25 de dezembro) e do Dia das Mães (segundo domingo de Maio).

Mas você deve estar se perguntando como tudo isso está relacionado com literatura? Partindo da ideia de que informação demais nunca é suficiente, o Dose Literária resolveu elencar alguns casais marcantes da literatura. Casais que fazem chorar, rir, odiar, torcer, amaldiçoar e - por que não? - desejar que fossem nossos heterônimos. Conheça agora alguns dos "imortais do amor" do cenário literário:


Elizabeth e Darcy em versão cinematográfica de 2005

Elizabeth & Darcy 

Criados pela escritora inglesa Jane Austen, o casal Fitzwilliam Darcy e Elizabeth Bennet fazem parte do romance "Orgulho e Preconceito" (Pride and Prejudice - 1813). O romance atemporal conta a história de encontros e desencontros entre dois jovens que se repelem para não sucumbir ao amor que sentem. O provérbio popular "quem desfaz quer comprar" não poderia ter encontrado um casal melhor, já que Darcy e Lizzy se recusam mutuamente devido às circunstâncias que os cercam: Darcy é herdeiro de uma grande fortuna, um sangue azul. Elizabeth, a heroína sagaz e inteligente, tem parentesco nobre mas não tem posses. Atrelado a isso, várias situações acontecem para impossibilitar a união do casal, mas que não impedem que eles acabem se rendendo ao amor. A obra é atemporal por demonstrar como os relacionamentos podem se perder e confundir na trama onde dinheiro, status, poder e alpinismo social ainda fazem parte do objetivo de muita gente, injustiçando os sentimentos daqueles que sentem, genuinamente, o coração bater.

Romeu e Julieta - versão de 1968

Romeu & Julieta 

Romance trágico, sem final feliz e com doses de lamúrias que fariam qualquer integrante da Geração Romântica tremer de êxtase. A obra foi escrita por William Shakespeare entre 1591 e 1595, inspirado em uma das novelas do italiano Matteo Bandello. A tragédia traz como protagonistas um casal de apaixonados, oriundos de famílias opostas e que espalham o ódio e a guerra entre si. Os dois decidem ficar juntos, casam escondido, bolam um plano para fugir mas, como é tragédia, tudo dá errado e eles acabam morrendo um ao pé do outro. O interessante é que Romeu e Julieta atravessaram gerações inspirando da saga de casais apaixonados a nome de bolo, e são os mais lembrados quando se fala de amor incondicional. A cidade de Verona (Itália) tem um espaço turístico chamado 'Casa di Giulietta', frequentado por pessoas (especialmente mulheres) de todo o mundo, que deixam cartas e fazem pedidos à padroeira dos amores impossíveis. O filme "Cartas para Julieta" (Letters to Juliet - assista o trailer) traz um pouco da magia do lugar. 


Bentinho e Capitu em minissérie da Rede Globo (2008)

Capitu & Bentinho

Diretamente do Brasil para o mundo. O casal de Dom Casmurro (1900) trouxe uma das inquietudes mais fortes da literatura brasileira: "Capitu traiu ou não Bentinho"? Mesmo a resposta sendo secundária perto da grandiosidade da obra de Machado de Assis (um dos maiores escritores de todos os tempos), as complicações de Bentinho (o Dom Casmurro) em lidar com um ciúme doentio e a certeza (na cabeça dele) de uma traição da esposa Capitu com o melhor amigo Escobar destroem a relação do casal. Um amor de infância que se transforma em amargura e azedume, mas que ainda hoje deleita leitores de todas as idades. Como esquecer a descrição dos "olhos de ressaca" de Capitu? 

Heathcliff e Catherine - versão de 1992

Heathcliff & Catherine

Mais um casal atormentado, desiludido, amargurado. Imaginado e escrito por Emily Brönte, o romance 'O Morro dos Ventos Uivantes" (Wuthering Heights - 1847) enche o coração do leitor de sentimentos dúbios. Criados como irmãos, Heathcliff (o órfão com suposta descendência cigana) e Catherine se afeiçoam e fazem promessas de permanecerem juntos. Quando o casal que adotara Heathcliff morre, o rapaz passa a ser hostilizado e humilhado pelo irmão mais velho de Catherine, Hindley, que já nutria inveja e ciúmes do irmão adotivo. Diante de tanta desprezo, Heathcliff se torna um homem melancólico, bruto, ignorante, ácido, características acentuadas quando Catherine decide romper a promessa e casar com um homem rico, assolando as esperanças do pobre Heathcliff. O enredo traz um amor amargo, daqueles que destroem a si mesmos e aos outros ao seu redor. Em um primeiro olhar, isso pode parecer terrível e nada apaixonante. Mas, com um olhar mais atento, percebemos que Heathcliff não se dobrou ao que esperavam dele e simplesmente, ele não foi o "cachorro bonzinho que pega o osso sempre que o dono joga" (não deixe de ouvir isso). Heath e Cath são inesquecíveis para a literatura por simbolizarem até que ponto vingança e amor são faces da mesma moeda e que nem toda dor foi o tempo todo dor. Para quem quiser mais, a versão cinematográfica de 1992 do Wuthering Heights é emocionante. Assista aqui.

Arturo Bandini e Camilla Lopez - versão de 2006

Arturo Bandini e Camilla Lopez

Intenso e voraz, assim como a obra "Pergunte ao Pó" (Ask the Dust - 1939),  de John Fante. A vida do jovem italiano Arturo Bandini, aspirante a escritor, ganha tonalidades viscerais com a chegada da garçonete mexicana Camilla Lopez. O amor é confuso e muitas vezes baseado em problemas reais, por isso, a efusão do casal de Fante é tão intensa. Camilla quer um bom marido e sonha em deixar o emprego, o qual detesta. Bandini quer se lançar como escritor. Isso já diz tudo. Desejo, ciúme e indiferença marcam a vida de um dos casais mais confusos - e por isso mesmo real - da Literatura Beat. Confira aqui o trailer do filme "Ask the Dust", estrelado por Colin Farrell na pele de Bandini e Salma Hayek como Camilla Lopez.

E para você, quais são os casais mais marcantes da literatura? Compartilhe sua opinião com a gente.