18 junho 2012

O Retrato, Nikolai Gogol

A gaúcha L&PM é sem dúvida uma das minhas editoras preferidas, basta avaliar a minha ainda humilde coleção (atualmente possuo 63 títulos da mesma). Com as coleções Pocket, Plus e agora a “64 páginas por 5 reais”, só compro de outra editora quando realmente não há edição pela L&PM e nem previsão de lançamento, ou quando é um clássico facilmente encontrado em edições antigas pelos sebos por um preço ainda mais em conta.
Possui qualidade nas traduções, nos detalhes editoriais, na escolha das capas, no preço, no tamanho, nos prefácios, e contém pouquíssimos erros (em alguns títulos, inexistentes) de impressão. É moderna, está sempre atualizada na busca dos leitores, pode ser encontrada em bancas de jornais, livrarias, internet, e resumindo, é bom, bonito e barato.
Foi a partir da L&PM que tive a oportunidade de conhecer Charles Bukowski, e por isso já tem toda a minha preferência.

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O mais recente lido foi O Retrato do russo Nikolai Gogol (1809-1852) da coleção 64 páginas, presente que ganhei da amiga Patrícia.
Primeira experiência que tive com a literatura de Gogol e já me encantei. Aliás, ultimamente tenho lido mais russos do que de costume, Dostô, Tchékhov e Maiakóvski são alguns deles.

O Retrato trata-se de um conto dividido em duas partes.
Na primeira vemos o jovem pintor de quadros Tcharkhov passeando por uma galeria em busca de inspirações e nada se impressionando com os trabalhos dos grandes artistas ali expostos, sempre com um tom queixoso e desdenhando o que encontra com aquele tom soberbo de quem não tem rublos sequer para quitar seus aluguéis atrasados, Tcharkhov, inesperadamente se depara com um quadro esquecido dentre muitos outros, que lhe chama a atenção por seu ar sombrio e inquietante. O quadro em si trata-se do retrato de um velho em trajes asiáticos de olhar profundo, mas de expressão aterradora, no qual o pintor reconheceu nesta tela a mão de um grande mestre, e leva-o para casa depois de muito negociar com o vendedor, gastando assim a última moeda que possuía no bolso.
É então, a partir de tal retrato, que o jovem artista passa a realizar o sonho de ser um grande pintor reconhecido e requisitado pela alta sociedade russa do século XIX, depois da surpresa de encontrar escondida na moldura uma pequena fortuna em ouro que o tirou da miséria. De humilde, sem recursos sequer para comprar velas para iluminar seu atelier e de indumentárias simplórias e puídas pelo tempo, torna-se famoso, rico, um pintor da moda, procurado e elogiado por importantes famílias para retratá-las por quantias que enchem o seu bolso e seu orgulho, sem se dar conta da influência maléfica que o tal Retrato exerceu sobre ele, que pouco a pouco o leva à insanidade.

Nikolai Gogol
Na segunda parte somos ambientados a um leilão, e o objeto de maior valor e apreço é o mesmo Retrato de olhar enigmático, até que, entre exasperados lances dos presentes, um deles interrompe o leiloeiro pedindo a atenção de todos para contar a história de tal pintura, sobre quem viria a ser o retratado, e sobre as diversas tragédias que se seguiram a partir de tal tela, inclusive com o retratista. Nesta parte da leitura é que me vi sem fôlego, linha após linha, até chegar ao desfecho da história e creditar ao Sr. Nikolai Gogol minha mais exímia admiração por tamanha pompa artística em narrar com maestria tão importante e significativa contribuição à nossa literatura universal.

Destaque para a ilustração da capa, “O Desesperado”, por Gustave Coubert (1819-1877), óleo sobre tela.

Título original: Portret
Autor: Gogol, Nikolai Vassilievitch
Tradução: Roberto Gomes
Ano: 2012
Editora: L&PM coleção Pocket
Páginas: 64
Gênero: Ficção russa
ISBN: 978-85-254-2572-0