29 junho 2012

Top 5: Clássicos

Inspirada pelo post da Michelle que fez seu "Top 5" de seus livros de terror preferidos, resolvi fazer dos meus clássicos da literatura favoritos até agora e ao mesmo tempo já falar sobre estes mesmos livros que estão no "1001 Livros para ler antes de Morrer" que deu origem a vários posts com a tag 1001 Livros.

5) Os Sofrimentos do Jovem Wether (Goethe) - Alemanha


Li este romance a uns 6 ou sete anos atrás e na época o título tinha chamado a minha atenção: que tipo de sofrimentos são esses?  No decorrer da leitura, percebi que podemos sim sofrer como o jovem Werther por um amor não correspondido e idealizado, o amor platônico.
Werther é um jovem recém chegado na aldeia Walheim, que conhece a senhorita Lotte por quem se apaixona à primeira vista, daí em diante começa a narrar sua rotina e admiração pela amada, através de cartas para seu amigo Wilhelm. Mas Lotte é noiva de outro homem, sendo assim impossível (na visão do personagem) conquistá-la e isso desencadeia a depressão e o suicido do jovem Werther.
Pretendo fazer um outro post para falar mais desse romance e de outros romances no estilo.

"22 de novembro: Não posso pedir a Deus 'Faça com que ela seja minha!' E todavia, parece-me, às vezes, que ela é minha. Mas ela pertence a outro. Brinco com minha própria dor e se não conseguisse me controlar, faria uma ladainha de antíteses."

4) Eugênia Grandet (Honoré de Balzac) - França


Clássico romance do francês Honoré de Balzac, Eugenia é uma moça provinciana típica do século XIX que tem como pai o sr. Grandet que de tão avarento chega a ser cômico.
A sovinagem e o amor ao dinheiro do pai de Eugenia traz consequências tristes na vida da família Grandet, principalmente na vida da jovem que apaixonou-se por seu primo Carlos que vem passar uns tempos em casa dos Grandet. As atitudes e inocência de Eugenia são comoventes.

"O amor franco tem sua presciência e sabe que o amor excita o amor. Que acontecimento para aquela rapariga solitária, penetrar assim furtivamente no quarto de um moço! Não há pensamentos, ações, que em amor, equivalem para certas almas, a sagrada núpcias?"  


3) O Crime do Padre Amaro (Eça de Queiroz) - Portugal


Este livro foi meu pontapé inicial para ler Eça de Queiroz. Graças a este livro, tive e tenho mais vontade ainda de ler as outras obras deste maravilhoso e sarcástico português.
O Crime do Padre Amaro desafia as convenções da sociedade portuguesa e religiosa do século XIX. Na história é retratado não só a "blasfêmia" de um padre namorar uma moça de família, mas também toda a hipocrisia da Igreja Católica.
O jovem padre recém chegado em uma pequena cidade de Portugal apaixona-se  pela moça Amélia e faz de tudo para viver esse romance. O casal submete-se a encontros as escondidas e mentiras, o que torna a história empolgante e com a marca registrada de Eça: o sarcasmo.
O final me surpreendeu e me deixou com muita raiva, mas é justamente por causa desse final que é uma das minhas obras favoritas.

"Amaro lia até tarde, um pouco perturbado por aqueles períodos sonoros, túmidos de desejo; e no silêncio, por vezes sentia em cima ranger o leito de Amélia. (...) Erguia-se, cerrando os dentes, com uma decisão brutal de a possuir." 

2) Livro do Desassossego (Fernando Pessoa) - Portugal


Que as obras de Fernando Pessoa são maravilhosas todo mundo sabe. Suas poesias, suas traduções estão por toda parte no mundo, mas o Livro do Desassossego para mim, é lindo, intenso e para ser lido todos os dias, todos os anos. 
Escrito sob um dos heterônimos de Fernando Pessoa, Bernardo Soares é um ajudante de guarda-livros que escreve sua "auto biografia" em trechos e alguns textos.
Assim como algumas pessoas leem a Bíblia, este livro é a minha "bíblia". É cinzento, sincero, sem rodeios, é o ser humano em sua essência, são pensamentos que podem passar pela cabeça de cada um de nós, melancólico, é atemporal.

"Amigos, nenhum. Só uns conhecidos que julgam que simpatizam comigo e teriam talvez pena se um comboio me passasse por cima e o enterro fosse em um dia de chuva" 


1) Crime e Castigo (Fiodor Dostoiévski) - Rússia


Perturbador. Essa é a palavra que me vem a mente para definir a história do personagem Raskolnikov que comete dois homicídios e se vê aterrorizado, mas não de culpa. Aliás, é isso que o tempo tentei entender ao longo da leitura: por quê? por quê?
Através desse personagem Dostoiévski consegue nos transportar para pensamentos complexos de culpa e moral.
Confesso que mesmo depois de terminar de ler, os pensamentos e atos do personagem ecoaram na minha mente por muito tempo.
Se eu não me engano, há algumas adaptações da obra para o cinema, eu assisti somente uma versão de 1935, que devido aos poucos recursos da época deixou um pouco a desejar. 

"Mãe*, aconteça o que acontecer, ainda que ouça dizer a meu respeito as coisas mais extraordinárias, a senhora vai me amar como me ama agora?"