30 julho 2012

Apocalipse Z : Porque nem só de mortos-vivos se faz um bom apocalipse zumbi.

O post de hoje foi escrito pela convidada Amanda Zaniratti. Nele ela fala um pouco sobre os livros do Manel Loureiro. Boa leitura. :)

 - Quem, caralho, precisa de uma infecção para exterminar a espécie humana? Nós sozinhos nos bastamos, obrigado!

Olá, meu nome é Amanda Zaniratti e essa semana eu recebi o convite da Michelle que me deixou muito feliz, de falar pra vocês dessa trilogia fantástica, o Apocalipse Z. Queria deixar bem claro, antes de tudo, que não sou crítica, nem altamente letrada, não passo de uma entusiasta de livros, sangue, tripas e céééérebro! Hahaha

Eu tomei conhecimento dos livros por pura coincidência, numa promoção de livraria, mas isso não altera o fato do fenômeno cultural gigantesco que se tornou a história do escritor Manel Loureiro. Espanhol, advogado, apaixonado por zumbis, terror e escrever, começou o projeto de maneira desinteressada, com um blog dando notícias bizarras e fantasiosas, que foi acarretando milhares de fãs e acabou por se transformar num livro, que no final viraram 3. Os livros contam a história do protagonista que é como um alter ego do próprio Manel, pois se trata também de um advogado que reside na Galícia e devido a problemas emotivos, é indicado pelo psicólogo a escrever um blog como meio de desabafo. Em meio à esse prenúncio de uma ladainha tediosa de acontecimentos rotineiros da vida do protagonista, ocorre um acidente químico em uma região distante da Rússia, que mal explicada pelos governantes, começa a espalhar um vírus desconhecido e devastador por todo o mundo em uma velocidade ímpar. PRONTO! DEU-SE O APOCALIPSE! A narrativa extremamente envolvente e excitante é feita em primeira pessoa , e relata como o nosso herói (?) se desdobra pra sobreviver em meio ao caos mundial, que transcorre no que falo à seguir:

1º livro: O PRINCÍPIO DO FIM. 

No primeiro livro, o protagonista se encontra na cidade onde mora, no interior da Espanha, onde, pela internet, tv e radio, gradativamente vão aumentando o número de notícias sobre o perigo de um vírus que foi liberado num ataque de grupos de rebeldes à uma estação militar de um país próximo à fronteira russa.

O autor com uma linguagem muito simples (e fazendo uso até de muitos palavrões hehe) explora a origem do apocalipse e expõe a fraqueza da nossa sociedade atual em relação à difusão de informações e comportamento em situações de pânico geral. Todas as passagens descritas no decorrer da história, podem ser facilmente assimiladas, porque elas mostram um cenário fantasioso em se tratando dos “não mortos”, mas completamente aceitável em termos de comportamento humano. Nosso advogado e seu gato, o genioso e intrépido “Lúculo” (personagem, que sempre aparece pra quebrar um pouco a tensão e dar leveza à leitura. E é claro, me fazer cair de amores por ele hahaha) ficam refugiados em sua casa, de onde veem o vírus se alastrar e tomar conta do planeta. Em capítulos de tirar o fôlego, o protagonista, (que não tem o nome revelado em nenhum momento), vai abrindo caminho pra tentativa de uma fuga para as Ilhas Canárias, um suposto lugar seguro. Só que as coisas não ocorrem como esperado...

2º livro: OS DIAS ESCUROS 

O segundo livro começa com um “resumo” de 10 páginas, de toda a história vivida no primeiro livro. Pra mim que encabecei um livro atrás do outro, não vi com bons olhos, mas pra quem teve um hiato longo entre um livro e outro, é um “Previously On Apocalipse Z” típico de seriados e afins...Pode vir a calhar pra alguns né?! Mas se você que ir pro “vamo ver” logo de uma vez, pode pular essa parte.

Nesse ponto da história, temos além do nosso amado protagonista, mais 3 personagens fundamentais pro desenrolar da trama: Lúcia, Irmã Cecília e o meu favorito, o ucraniano Viktor Pritchenko. Todos sobreviventes de situações decorrentes do primeiro livro. O fato é que nosso advogado não conseguiu alcançar as Ilhas Canárias tão rápida e facilmente como havia previsto. E agora, ao chegar ao destino, se deparam com uma grande surpresa. 

Nesse livro, que é um pouco mais arrastado que o primeiro (mas ainda assim, fantástico), os zumbis viram plano de fundo, dando espaço ao joguete político a à análise da crueldade humana. O que mais agrada na trilogia Apocalipse, é que não se trata só de zumbis. E não, eles não são ignorados em momento nenhum, mas somente se tornam uma ameaça “menos iminente” ao nossos personagens. Nesse livro, o verdadeiro perigo, são os vivos. 

Prisões, ditaduras, romance, morte, uma fuga fenomenal e muito nervosismo recheiam a segunda parte da trilogia. E Lúculo está sempre aí pra nós fazer arrancar os cabelos ou soltar uma risada boa! 

3º livro: A IRA DOS JUSTOS 

No terceiro e último livro, nossos amigos (porque você realmente sente como se os conhecesse desde a infância, tamanha interação que a leitura dessas páginas proporciona) estão em busca de um lar sem ninguém, vivo ou morto, querendo a cabeça deles. Após um trágico acidente, é feito um socorro por uma tripulação caída dos céus! Nossos personagens se veem socorridos e levados pro que qualquer um chamaria de paraíso. Qualquer um menos os nossos colegas. 

Mais uma vez, Manel aborda os problemas dos vivos, mesclando com passagens de mortos e até então desconhecidos, um país ileso. Fanatismo religioso, trapaça, segregação, um messias fajuto, coronéis sedentos por poder e a possível cura do vírus são elementos sensacionais que fazem você querer ter leitura dinâmica pra saber tudo que irá acontecer nas páginas seguintes. Tudo culminando na revolução, em A Ira dos Justos

A finalização é muito boa, com grande parte das pontas soltas solucionadas. Um final espetacular pra uma trilogia sensacional! 


Eu como fanática por zumbis e todo o mundo mórbido, me apaixonei por Apocalipse Z. A narrativa leve e descontraída de Manel confere um tom até cômico em certos momentos. E a criatividade do autor é uma coisa que impressiona. 

A riqueza dos detalhes aplicado nas cenas de ação é fascinante. Achei também muito enriquecedor pra obra o fato de que toda a epidemia é explicada e não deixa interrogações posteriores de como ela agiu e destruiu a humanidade em dois tempos. As sensações, sentimentos e humanidade passada nas linhas dá um plus todo especial até para os que não simpatizam com o mundo zumbi. Aquele conhecido medo do que vai acontecer na próxima página dura todo o tempo, nos três volumes. O primeiro livro ainda é o meu preferido e senti uma certa “pressa” em finalizar alguns assuntos nas últimas páginas do terceiro fascículo. Mas no geral, é de longe a minha trilogia favorita. Um “must-read” pra amantes de zumbis ou mesmo de uma boa leitura! 

Agora é aguardar a versão que estão encaminhando pra quadrinhos e quem sabe cinema. Tirando como exemplo o cinema de horror espanhol, já fico me coçando pra ver o que vai sair...Mas isso é papo pra outra prosa.... 

Um abraço a todos e um beijo especial pra Michelle pelo convite! :)