14 julho 2012

Grifar ou não grifar? Eis a questão!


"GRIFAR MEU LIVRO? Prefiro enfiar a cara no teto" - Foto de Lissy Elle


Leitura, vivência e expansão da mente formam uma tríade poderosa no processo de metamorfose humana. Livros, autores e (especialmente) personagens podem ter papel fundamental na transformação de atitudes, de modo de vida, de identidade. E, cá entre nós, ser co-responsável na mudança de alguém para melhor é algo GRANDE e que precisa ser valorizado.  Muitas vezes, esse encontro entre leitor & obra é registrado com a velha tática do grifo, isto é, através da "marcação de um trecho ou frase para chamar a atenção, destacando a parte sublinhada" (obrigada, Houaiss). 

Grifar um livro é sinal de desprendimento. Vou explicar: Depois de ler o post da Eni com dicas maravilhosas sobre conservação de livros, me vi às voltas com a seguinte dúvida: "Não marcar livros é sinal de conservação e zelo ou só mais uma prática mesquinha, de puro TOC ou egoísta"? Confesso: não tenho o hábito de marcar os meus livros. Tive que fazê-lo com lápis ou apontador no semestre passado quando estava pesquisando para a minha tese de conclusão de curso e precisava de rapidez, agilidade e praticidade para localizar fragmentos, mas muito me doeu. Também não escrevo em torno dos livros, não faço anotações neles, evito tudo que possa maculá-los. Mas, após ter atravessado essa fase e retornado para consulta, vi a facilidade que isso me proporcionou.

"Ah, pai... Colé?! Deixa eu grifar os quadrinhos do jornal?"
Anteriormente, eu costumava gastar horas escrevendo em cadernos ou agendas que reservava justamente para isso. Tenho pilhas e mais pilhas amontoadas aqui em casa com minhas anotações e registros em cadernos que datam de mais de 8 anos (faço isso desde o ensino médio). Mesmo com toda a minha catalogação, ainda é muito difícil localizar fragmentos ou pesquisar material que preciso. Na última semana, devido a uma grande quantidade de mofo no local onde guardo as pastas, a maior parte dos meus papéis precisou ser direcionada para o lixo. Lá se vão anos e anos de anotações que eu não saberia mais localizar. Fiquei triste mas, como "nem mesmo a solidão vem sozinha", comecei a pensar sobre deixar meus grifos no próprio livro, já que eles são muito mais do que pedaços de papel: são amigos que estão ali a qualquer hora, perenemente, para ajudar, iluminar, expandir, divertir, auxiliar e... (a lista de verbos é enorme, melhor parar. rs).

Depois de muito pensar, sentir a real necessidade e encontrar "apoio moral" em espaços como Grifei Num Livro, decidi abrir as portas do desapego: comecei a marcação. Comecei marcando o livro de contos que irá ser tema dos meus próximos comentários (dica: o autor deles mudou a vida da Michelle, amiga querida), depois tasquei a canetada amarelo-verde-cana nos dois últimos que comprei: O Mistério de Marie Rogêt (Edgar Allan Poe) e "A corista e outras histórias" (Anton Tchékhov). E vou continuar, seja de marca-texto, lápis ou post-it (menos caneta, porque meu coração ainda não se preparou para estar no estágio do Thoreau). 

Selecionei alguns trechos grifados que retirei daqui:

Seu Rosto Amanhã [vol. 1] Febre e Lança. Javier Marías. pág. 404
(via @juliebrandao)

Cultura Pós-Nacionalista. Décio Pignatari 
(via Gabriela Pires Machado)

Valise de Cronópio. Julio Cortázar. pág 63
(via Thamires Araujo

No One Belongs Here More Than You. Miranda July
(via horrorscopes)

poem Somewhere I have never travelled. Edward Estlin Cummings (via @diariogravido)

E você? Tem algum grifo especial? Algum trecho que mudou sua vida ou simplesmente alterou suas emoções? Compartilha, vai! :)