18 julho 2012

Poesia Brasileira

Dia desses um amigo me perguntou que tipo de poesia eu gostava de ler. Eu me assustei quando me dei conta de que além das do Bukowski eu não leio poesia. E isso é um absurdo. Quando eu era mais nova eu amava poesia, sempre lia várias delas, não sei o porquê de ter abandonado esse hábito. Resolvi fazer essa coletânea de algumas poesias que mais gosto para compartilhar com vocês. Dividi esse post em três partes: poesia brasileira, poesia portuguesa e poesia estrangeira (em geral). Também escolhi três poetas para cada post.

Quando eu estava na sétima ou na oitava série eu descobri Álvares de Azevedo. As poesias dele tinham muito a ver com as músicas que eu gostava, me apaixonei perdidamente pela obra toda. Hoje, acho que não me encanto mais tanto com esses temas, mas é impossível não reconhecer a preciosidade de sua escrita. 

Se eu morresse amanhã

Se eu morresse amanhã, viria ao menos
Fechar meus olhos minha triste irmã;
Minha mãe de saudades morreria
Se eu morresse amanhã!

Quanta glória pressinto em meu futuro!
Que aurora de porvir e que manhã!
Eu perdera chorando essas coroas
Se eu morresse amanhã!

Que sol! que céu azul! que doce n'alva
Acorda a natureza mais louçã!
Não me batera tanto amor no peito
Se eu morresse amanhã!

Mas essa dor da vida que devora
A ânsia de glória, o dolorido afã...
A dor no peito emudecera ao menos
Se eu morresse amanhã!


Augusto dos Anjos é outro poeta que eu adoro. A morbidez e o escárnio são temas frequentes de sua escrita. Gostei logo de cara porque ele seguia a mesma linha de Álvares de Azevedo, mas a melancolia dá espaço para a acidez e desesperança. 

Versos íntimos

Vês?! Ninguém assistiu ao formidável 
Enterro de tua última quimera. 
Somente a Ingratidão — esta pantera — 
Foi tua companheira inseparável! 

Acostuma-te à lama que te espera! 
O Homem, que, nesta terra miserável, 
Mora, entre feras, sente inevitável 
Necessidade de também ser fera. 

Toma um fósforo. Acende teu cigarro! 
O beijo, amigo, é a véspera do escarro, 
A mão que afaga é a mesma que apedreja. 

Se a alguém causa inda pena a tua chaga, 
Apedreja essa mão vil que te afaga, 
Escarra nessa boca que te beija!


Como é perceptível, sempre gostei de temas mórbidos, mas Manuel Bandeira me encantou de tal forma que ele se tornou meu poeta brasileiro preferido. Lembro de ler e reler cada poesia dele, sempre com o mesmo encanto. Seus temas não são dos mais felizes, mas gosto da ironia misturada com a melancolia que ele colocou no papel. 

Poética

Estou farto do lirismo comedido 
Do lirismo bem comportado 
Do lirismo funcionário público com livro de ponto expediente
protocolo e manifestações de apreço ao Sr. diretor. 
Estou farto do lirismo que pára e vai averiguar no dicionário
o cunho vernáculo de um vocábulo. 
Abaixo os puristas 
Todas as palavras sobretudo os barbarismos universais 
Todas as construções sobretudo as sintaxes de exceção 
Todos os ritmos sobretudo os inumeráveis 
Estou farto do lirismo namorador 
Político 
Raquítico 
Sifilítico 
De todo lirismo que capitula ao que quer que seja 
fora de si mesmo 
De resto não é lirismo 
Será contabilidade tabela de co-senos secretário do amante 
exemplar com cem modelos de cartas e as diferentes 
maneiras de agradar às mulheres, etc 
Quero antes o lirismo dos loucos 
O lirismo dos bêbedos 
O lirismo difícil e pungente dos bêbedos 
O lirismo dos clowns de Shakespeare

— Não quero mais saber do lirismo que não é libertação.


Agora estou descobrindo as poesias de Paulo Leminski.
E você? Quais poetas brasileiros mais gostam?