21 agosto 2012

Best seller, polêmica e sadomasoquismo

Você leitor, que vagueia pela internet, por livrarias, redes sociais e esporadicamente por alguns canais de TV já deve ter ouvido falar do tal Cinquenta Tons de Cinza. Eu juro pra vocês que só fiquei sabendo que se tratava de um livro há menos de 2 semanas atrás, ando por fora desses lançamentos e fenômenos best-sellers porque sim, obrigada; mas saber do conteúdo do livro, resenha, e da polêmica em torno dele, fiquei sabendo anteontem quando cai por um acaso no programa “Canal Livre” da Band, com a presença dos psicanalistas Regina Navarro Lins e Sérgio Telles.
Assista a interessante análise dos dois especialistas a respeito do assunto.

O livro da escritora britânica E. L. James é considerado o maior fenômeno desde a saga “Harry Potter”, com até então 40 milhões de exemplares vendidos em todo o mundo. O best seller já superou a marca de 20 milhões de exemplares vendidos somente nos EUA, e mais de 5,5 milhões britânicos já leram. No Brasil foram 100 mil exemplares apenas na semana de estreia, e todos estes números sem precedentes!


Mas o que eu quero entender, afinal, é o porquê deste “pornô para mães” como foi rotulado, ostentar todas estas marcas, o que contém afinal nesta história que despertou não só a curiosidade, mas a libido do grande público, como se fosse uma grande novidade o sadomasoquismo. O mais interessante é que aborda um tema que antes era completamente ignorado, negado e descriminado pela grande maioria, e hoje arranca suspiros e criticas favoráveis dos leitores só porque está na moda e "na boca do povo", com fãs e admiradores pelo mundo inteiro, sendo traduzido em mais de 37 idiomas. Discordam as feministas, que consideram a história uma afronta as conquistas da mulher no século XIX e que incita ao machismo, a dominação do homem sobre a sua parceira sexual e que subjuga a imagem da mulher tanto na sociedade quanto no âmbito de um relacionamento heterossexual, entre quadro paredes.

O livro conta a história de uma jovem que conhece um empresário considerado atraente e profundamente dominador. O ponto forte, que está atraindo os olhares de tantos leitores de todas as partes do mundo, está nos relatos de sexo ao longo da narrativa, com passagens muito descritivas e reais. 

A primeira coisa que me vem à mente ao ler esse tipo de sinopse... Sabe aqueles soft porn de bancas de jornais? Quantos deles não tem “relatos de sexo ao longo da narrativa, com passagens muito descritivas e reais”?
Faça uma breve pesquisa pela internet a respeito do livro “Cinquenta Tons de Cinza” que até algumas comparações como “uma versão apimentada de Crepúsculo” você vai encontrar. Perai, tem vampiro no meio também e eu não estou sabendo?

Mas por que este livro está fazendo tanto sucesso e criando tantas polêmicas assim? Não me pergunte, eu não li o livro. Se um dia eu vou ler? Talvez aconteça o mesmo que aconteceu com “O Código Da Vinci” de Dan Brown, comprei-o por R$15 reais, 2 anos após ter passado a “febre” (porque me lembro bem, era absurdamente caro na época do lançamento) e até hoje está na minha estante, intacto, nunca o li e tenho preguiça.

E. L. James, autora de "Cinquenta Tons de Cinza"
Não sou contra nenhum tipo de leitura, mas boa parte desse sucesso não está relacionado ao teor contextual da história, nem se trata de uma grandiosa obra da literatura universal, é pura e simplesmente a mídia fazendo o seu papel, chamando a atenção para um assunto que até então não havia sido discutido nas redes com tamanha ênfase, o que é um absurdo para os conservadores, genialidade para os liberais, e material de estudo para os especialistas em comportamento sexual.

O Dr. Sérgio Telles disse algo a respeito do livro que eu assino embaixo: “Eu acho que esse livro não deve ser considerado uma obra literária, ele é um produto absolutamente comercial, de entretenimento, e é o que ele se propõe, nada além disso”. 

O problema não está no livro, no enredo, se foi bem ou mal escrito, se conta uma história extraordinária nunca vista por alguns, ou cotidiana para outros, mas o foco todo em torno de um assunto que eu, Eni, não considero nada polêmico, pelo contrário, acho até banal.

E você, o que pensa a respeito desse assunto? Já leu o livro ou pretende ler? O que te motivou a comprar o livro?