03 agosto 2012

Duas doses de Oscar Wilde

Os dois contos “O Fantasma de Canterville” e “O Príncipe Feliz”, foram a minha primeira experiência com a literatura de Oscar Wilde. Primeira, de muitas, porque depois destes me encantei por Wilde!
Lançado em 1996 pela editora Paz e Terra em formato pocket, este livreto com 69 páginas foi um amável presente que ganhei da minha querida Patrícia.

Oscar Wilde (1856-1900) é um dos grandes escritores irlandeses. Dotado de personalidade sagaz e irreverente, é tão famoso por suas tiradas brilhantes quanto por suas peças, romances e contos, sendo sua obra-prima “O Retrato de Dorian Gray” que já recebeu diversas adaptações para o cinema.
“Apenas a mediocridade progride, o artista se move em um ciclo de obras-primas, a primeira tão perfeita quanto a última”, disse Wilde.
Os dois contos reunidos neste volume dão notícia dessa perfeição e do encanto desse esteta que escandalizou a Inglaterra do século XIX.

No primeiro conto “O Fantasma de Canterville”, a família norte-americana do diplomata Sr. Otis, absolutamente cética, ignora todos os avisos dos antigos moradores sobre almas penadas residirem na propriedade há mais de 300 anos e acabam comprando a Reserva de Caça Canterville, na Inglaterra. Logo nos primeiros dias a família Otis se depara com alguns dos artifícios que o fantasma encontra para assustar e expulsar a família, mas a mesma desmistifica todos os eventos sobrenaturais, e ao contrário do que se esperava, a família prega peças no fantasma que de fato existe e reside na mansão. Depois de várias tentativas frustradas e deveras cômicas quem de verdade é assustado é o pobre fantasma, que só encontra o merecido descanso eterno depois de fazer um pedido à doce e cativante Virgínia, filha do casal Otis. A intenção de Oscar Wilde com o conto é clara ao objetivar a desconstrução das crenças tradicionais e fazer uma crítica a sociedade inglesa vitoriana.
Este conto já recebeu diversas adaptações no cinema, TV e quadrinhos, devido ao inusitado enredo em que “o feitiço volta-se contra o feiticeiro”. 
"The Canterville Ghost" filme de 1944 baseado
no conto de Oscar Wilde
“O Príncipe Feliz” é uma fábula magnífica sobre a grandeza do amor. Depois de viver em um castelo cercado de luxo e mordomias sem conhecer a realidade social de seu povo, O Príncipe Feliz é eternizado após sua morte com uma estátua e colocado em uma região que possibilita uma visão panorâmica da cidade que circundava seu castelo. A partir de sua localização, o príncipe passa a conhecer a realidade miserável de sua gente e todas as noites derrama lágrimas ao presenciar tanto sofrimento. A realidade muda a partir de uma andorinha que se perde de seu grupo e passa uma noite aos pés do príncipe para se proteger da chuva e do frio. As lágrimas que caem do rosto do príncipe comovem a pequena andorinha que ao conversar com o príncipe descobre os anseios que perdura em seu nobre coração. Essa amizade muda a realidade social e tem um desfecho absolutamente saboroso.
Ilustração de "O Príncipe Feliz"
Dois contos deliciosos de se ler sem ver o tempo passar numa tarde tão preguiçosa como esta.