29 agosto 2012

Ghost World e o amor paulistano

Parte 1. O amor 

Antes que meus novos leitores (ui, pretensão) pensem que o "amor" em questão se trata de um homem e vão logo correndo contar a novidade pro meu marido...parem! Amor, sim. Mas amor de amiga, coisa linda e duradoura que tenho em minha vida. 
Companheira pra caramba e escritora de excelentes textos desse excelente blog, a Michelle - além de tudo - é minha maior influência para gostos de livros/filmes pelo motivo óbvio de eu confiar extremamente nas seleções dela. 


"Ok, Janaina...e o que ela tem a ver com esse post?"
Tudo.
Explico: 
Alguns anos, não sei precisamente quantos, ela me falou de um filme que acabei vendo e me apaixonando.
O filme? Ghost World de Terry Ziwlog, baseado numa HQ de Daniel Clowes.
Fiquei, naturalmente, fascinada por tudo e fui atrás do quadrinho.
Confesso: não sou boa leitora em inglês e a frustração foi enorme quando descobri que não havia ainda sido lançado no Brasil. Porém, minhas expectativas foram atendidas...e a HQ obteve sua tradução em solos tupiniquins. 
Obsessiva como de fato estava, tratei logo de comprar e avisar a Michelle desse novo achado. 

Inclusive tiramos fotos com o mesmo tema, numa "homenagem mútua".

Parte 2. Ghost World, de Daniel Clowes


Daniel Clowes é um cara corajoso, na minha opinião. 
Porque ele trata do quotidiano e qualquer um que se meta a falar disso está correndo um sério risco de cair no "lugar comum". 
Seria mais ou menos como comparar literatura de banca (Bianca, Raquel e etc) com os livros do Nelson Rodrigues (temática mesma, porém totalmente diferentes).
Ele conseguiu colocar os "não ideais" de toda uma geração de pós-adolescentes (nem jovens, nem adultos demais) entremeados com diálogos em alto teor de ironia e sarcasmo. Além de um ar blasé bem comum aos dessa faixa etária. 
Enid e Rebecca são essas garotas que estão interessadas no que está por vir, mas ao mesmo tempo entediadas com o que tem e preocupadas com o que vão fazer. Mais a Enid, do que a Rebecca...eu diria. A primeira é como se fosse a porta voz dessa geração tédio, enquanto a outra só quer partir pra um destino que ainda não sabe exatamente qual é. 
Todos esses sentimentos são evocados nos traços peculiares e precisos de Clowes que, ao meu ver, não é exímio desenhista mas tem personalidade marcante (vide o outro HQ dele, Wilson, sobre qual vou falar em ocasião futura). 
O interior do livro (edição gringa) é todo em tons de azul (exceto pelos traços) cor que costuma simbolizar o céu, infinito, sonho e pensamento mas também pode ser associada à tristeza e melancolia.
A versão brasileira optou por um tom de verde em sua edição, modificando também a capa (como em outras edições estrangeiras a cada relançamento). 

É um quadrinho que vale muito a pena ler, seja qual versão escolher. Porém, se você viu o filme antes não vá esperando que seja exatamente como na telona pois o foco da história destoa totalmente não deixando ofuscar, naturalmente, nenhuma das duas obras. 

Altamente recomendado :) 

Curiosidade: Ambos, quadrinho e filme, no original em inglês são a mesma coisa. No Brasil, o filme ganhou o título de "Mundo Cão" e o quadrinho de "Mundo Fantasma"
Mundo fantasma (Ghost World)
Daniel Clowes. Gal Editora - 2011
em média: R$30 (mas parece que já se encontra esgotado atualmente)


Texto da colaboradora Janaína Ferreira