16 agosto 2012

Top 5: Personagens

Dentre todos os livros que lemos sempre há uma história que nos toca mais que outras, sempre há uma personagem com a qual nos identificamos mais, seja por suas características físicas, por seus atos, pensamentos e sua importância no enredo; ou porque simplesmente admiramos muito.

A Patrícia listou seus cinco personagens preferidos 'neste post', e seguindo a ideia também listo aqui os meus, não por ordem de importância ou preferência, mas por ordem de leitura:

5) Werter (Os Sofrimentos do Jovem Werther – Goethe):

Ilustração de "Werther"

Na época em que li Werther (há mais de 6 anos atrás) eu vivia um romance que mais me feria do que me acalentava, tanto pela distância do mancebo quanto pelas dificuldades que encontrávamos para ficarmos juntos, e com isso o amor se acendia e se apagava como uma fogueira no topo de uma montanha tempestiva. Me senti Werther e me compadecia de todas as suas dores a cada linha lida, de apertar o livro contra o peito chorando e pensando “sei exatamente o que sentes, meu amigo”. Foi muito intensa essa experiência com a leitura de Goethe, e foi única. Eu e o personagem não tivemos o mesmo fim porque o amor que eu sentia era incondicional, e no meu caso se solidificou em um sentimento mais racional e duradouro, o da amizade.

"Meto-me dentro de mim mesmo e acho aí um mundo! Mas antes em pressentimentos e obscuros desejos que em realidade e ações vivas. E então tudo paira a minha volta, sorrio e sigo a sonhar, penetrando adiante no universo." Pgna 24 - Editora L&PM


4) Henry Chinaski (Misto-Quente – Charles Bukowski):

Matt Dillon interpretando "Henry Chinaski"
no filme Factótum (2006)

Não foram as mesmas experiências que vivemos, mas o nosso pensamento a respeito daquilo tudo que sofremos enquanto infantes que nos tornou cúmplices. Chinaski, o alter-ego de Charles Bukowski, lutou contra traumas de infância e preconceitos sem se sentir um perdedor. Não foi uma criança amada no seio familiar, tampouco lamenta por tudo ter acontecido desta forma, cada cena vivida na infância e adolescência resultaram na sua personalidade adulta, e sendo assim viveu exatamente como quis viver, mesmo não sendo um exemplo perfeito de vida, de homem, de ser humano. Henry Chinaski mostrou ser em Misto-Quente quem ele realmente era, sem pretensão, sem auto-exultação, sem tentar mostrar uma coisa que ele não era, e neste ponto eu tô com ele.

Don't Try.

3) Marquesa Julia d’Aiglemont (A Mulher de Trinta Anos – Honoré de Balzac):

Ilustração de "A Mulher de Trinta Anos"
por Adrien Moreau

Balzac tem esse dom de penetrar profundamente na alma de uma mulher e retirar dela desde os seus mais terríveis medos, aos mais tenros sentimentos de amor, proteção materna e de sua imagem na sociedade ao narrar com tanta fidelidade e respeito questões tão íntimas da natureza feminina. Antes de ler este livro eu não imaginava quão desperta era a sensibilidade do autor para tratar destes assuntos tão “intocáveis”, sequer tinha noção da cumplicidade que pode ter um homem a respeito da feminilidade. Eu, com os meus vinte e poucos anos, tive experiências semelhantes aos da Marquesa d'Aiglemont, e as de muitas mulheres nesta faixa de idade. Mas a questão não é só identificar pontos em comum com uma personagem, mas ter um alguém que lhe afague certas dores e que lhe diga “olhe, você não é tão criminosa assim em pensar coisas contrárias ao que a sociedade te obriga, toda mulher tem em sua essência esse sentimento, não sinta-se a única culpada”, coisa que Balzac fez numa época muito importante e decisiva da minha vida.

2) Marla Singer (Clube da Luta – Chuck Palahniuk):

Helena Bonham Carter na personagem "Marla Singer",
Clube da Luta (1999)

Vi na “loucura” lúcida de Marla uma inquietude e um fogo queimando, uma luta diária para sobreviver e ser aceita por determinados grupos, mesmo que para isso ela forjasse certas doenças e certas situações. Um drama queen confusa que encontra alguém mais perdido do que ela no meio do caminho. Ao se envolver com um personagem divido entre dois mundos e que sequer tem noção disso, Marla não sabe se está lidando com um bipolar ou com um louco de pedra, mas desconfio que ela pouco se importa com isso. Marla é uma personagem chave em Clube da Luta em vários pontos, e Palahniuk soube dar devida ênfase a sua existência na história. Gosto mais ainda dela porque na versão fílmica da história dirigida por David Fincher ela foi interpretada por Helena Bonham Carter. E se você me perguntar o que temos em comum, te respondo: talvez nada. Gosto da peculiaridade, da identidade da personagem.

1) Arya Stark (Game of Thrones – George R. R. Martin):

Maisie Willians é "Arya Stark" na série
Game of Thrones (HBO)

Atualmente, e em toda a história do Game Of Thrones, a pequena tem sido a minha preferida, mesmo que eu tenha ainda mais 5 livros pela frente e que entre eles possam surgir demais outros personagens tão cativantes quanto Arya. No entanto, fico dividida entre ela e Jon Snow, e o porquê da minha preferência é clara, e acredito que a maioria dos leitores (que torcem para que o bem vença o mau) vão concordar comigo: o bom caráter e a coragem de ambos são acentuados a cada capítulo em que eles aparecem. Hoje em dia pouco valor se dá à honra e moral na prática, mas na essência de cada individuo há esse desejo de superação, de proteção, de valores familiares e da busca pela verdade e pela justiça. Arya tem todos os predicados de uma grande guerreira, que com pouca idade enfrenta (e ainda há de enfrentar) desafios quase insuperáveis e com um único propósito, defender seus direitos e os de sua família, protegendo os que ama e respeita, e aniquilando aqueles que tanto mal já lhe causaram. Acredito que vamos nos surpreender muito ainda com a pequena espadachim ao longo da história.

"I'm not a lady, I'm a wolf!"

E os seus personagens preferidos, já os listou?