06 setembro 2012

1001 Livros: 1984

(Recuperando o fôlego...)

O inglês George Orwell nascido em 1903 na Índia é o autor de “1984” e escreveu o livro dois anos antes de morrer de tuberculose, em 1950 na capital Inglesa.
“Prevendo” sua morte, Orwell passou a escrever com vigorosa dedicação esta que viria a ser sua maior contribuição para a literatura universal e sua obra de maior carga política, colocando no papel sua visão de um mundo que o desapontava e caminhava perigosamente para o oposto de todos os seus ideais de fraternidade e solidariedade dos antigos socialistas. Talvez a mais conhecida das antiutopias, este livro é uma advertência magistralmente escrita contra os perigos do totalitarismo.

Autor de "1984" - George Orwell
A obra retrata o mundo dividido em três grandes superestados: Eurásia, Lestácia e Oceania, que durante a história entram em guerra entre uma e outra. O objetivo da guerra, contudo, não é vencer o inimigo, tampouco lutar por uma causa, mas manter o poder do grupo dominante, neste caso, o enredo é sob a perspectiva da Oceania. Através de teletelas os indivíduos da Oceania são vigiados ininterruptamente pelo Grande Irmão (ou Big Brother) que é o chefe supremo do Partido, o IngSoc. Qualquer semelhança com o reality show não é mera coincidência.
Para se perpetuar no poder, as autoridades eliminaram do vernáculo todas as palavras associadas ao conceito de rebelião, criando a inofensiva Novilíngua. "Crimideias" (pensamentos subversivos) são proibidas por lei.
A vigia e dominação do Partido sobre a massa oferece suposta liberdade que a população sequer pode contestar pelo risco de serem aniquilados e apagados das memórias como se jamais tivessem existido, e o controle dos atos da população e até mesmo do pensamento é feito pela polícia, opressora e carrasca, e o risco é iminente, especialmente à Winston Smith funcionário do Ministério da Verdade, protagonista desta história, que desde o sempre percebe haver algo de errado com o Partido, tem seus passos constantemente observados pelo onisciente Grande Irmão, e ele sabe, conhece a verdade, mas não consegue se ver livre da dominação do governo e parte conscientemente para uma busca sem volta às suas perguntas, e quando acredita ser impossível ser corrompido por todo o poder do Partido, trai a si próprio no temido Quarto 101. Isso tudo, passados no ano de 1984.

O livro foi escrito em 1949, nos primórdios da era nuclear e antes da massificação da TV, e é arrepiante pensar que a ideia orwelliana de um um mundo eletronicamente monitorado estava apenas a uma geração de distância. Trata-se de uma obra importante não só pela denúncia que faz contra os abusos do poder (e ironicamente por sua participação no conteúdo televisivo moderno), mas também pelas reflexões acerca de um poder calcado na manipulação da linguagem, da história e do medo. Essas questões talvez sejam mais relevantes hoje do que à época de Orwell.


Edição de 2005 - Companhia Editora
Nacional - 303 páginas
“Nunca, por nenhuma razão, se poderia desejar que a dor aumentasse. Da dor, só se podia desejar uma coisa, que parasse.” Pag. 228

“Se queres uma imagem do futuro, pensa numa bota pisando um rosto humano, para sempre.” Pag. 255

“A estupidez era tão necessária quanto a inteligência, e igualmente difícil de se conquistar.” Pag. 266


Primeiramente quero parabenizar o senhor Eric Arthur Blair (George Orwell) pela mente transcendente, pela intelectualidade acrescida de conhecimento a respeito de política e sociedade e por dotar de uma visão avançada a favor da justiça e da liberdade individual.
A cada capítulo lido anotei folhas e folhas de minhas opiniões, concepções, elucidações e suposições, para ter sempre em mente e em pauta a ideia orwelliana de irmandade e direitos igualitários que o autor sempre buscou e lutou, e que eu concordo em grande parte. Gostaria mesmo de transcrever as minhas anotações aos olhos de vocês, leitores deste blog, mas além de serem visões muito pessoais, minha intenção não é arrancar bocejos de ninguém. Fica para uma próxima.

O “1984” é mais um dos livros que caíram em minhas mãos na hora mais propícia, e o segundo livro do autor que tive a oportunidade de ler, antes dele foi “A Revolução dos Bichos” tão bom quanto.
Não é obrigatoriedade do leitor ter conhecimento pleno em política governamental, mas uma pequena base para se compreender ainda melhor as entrelinhas desta história que não é somente uma distopia de um mundo visionado por um ativista socialista, é uma história sobre a liberdade do eu expressivo, do eu individual, do eu interno, do que somos, representamos e contribuímos para o sociedade.
Até que ponto o regimento do governo tem poder sobre mim como indivíduo, e até onde eu posso seguir com minhas ideias e ações. No que interferem as leis e prisões psicológicas que o nosso sistema impõe como único a ser seguido, e o que acarreta se desobedecermos as imposições governamentais, religiosas, jurídicas, sociais, etc. Uma história para ser analisada e refletida internamente, para que busquemos respostas as nossas próprias perguntas a respeito do caminho que o nosso futuro tem tomado nas últimas décadas. Não é difícil imaginar como será daqui a 40 anos, basta sermos realistas e estarmos preparados para encarar o pior, caso nada mude, caso as coisas permaneçam como estão.
Esperança todos temos, assim como ilusões e comodismo. O que podemos fazer para mudar?



“Nossa única vida verdadeira está no futuro. Nela tomaremos parte como punhados de pó e fragmentos de ossos. Mas a que distância está esse futuro, não há meio de saber. Pode ser daqui a mil anos. No momento, nada é possível, exceto alargar aos poucos a zona de sanidade mental. Não podemos agir coletivamente. Só podemos expandir nosso conhecimento de indivíduo a indivíduo, geração após geração.” Pag. 170


“Os melhores livros são os que dizem o que já se sabe.” Pag. 193

Após a leitura do livro vi o filme 1984 (Nineteen Eighty-Four), protagonizado por John Hurt, dirigido Michael Radford, feito no ano de 1984.
Este filme é um complemento visual do livro, bem fiel para com a história original, mas melhor compreendida por quem já de fato leu o livro. 

John Hurt no papel de Winston Smith - "1984"
ao fundo Bob Flag como Big Brother
Esse livro deve estar um dia em sua estante.
Boas leituras!