20 setembro 2012

A obra-prima ignorada – Balzac [7 livros em 7 dias]

L&PM Pocket - 64 páginas
Ficção Francesa
“A obra-prima ignorada” trata-se de um conto que narra a história de Nicolas Poussin, um jovem artista em inicio de carreira que juntamente com seu mestre Porbus, dirige-se à um atelier de pintura e procuram nos conselhos de um sábio e experiente pintor dicas de conhecimento e técnicas acerca das artes. Conforme o aprendiz e o mestre ouvem atenciosamente os ensinamentos e críticas do grande e experiente artista Frenhofer, eles acreditam estar diante de um dos mais talentosos pintores de sua época, e o velho, mesmo já tendo vivenciado décadas de vida com trabalhos artísticos reconhecidos e venerados, diz estar em busca da obra perfeita, da melhor pintura que ele poderia retratar em vida, seu Magnum opus, o retrato de uma (sua) mulher imaginária batizada Catherine Lescault, mesmo que tal busca beire a insanidade e autodestruição.
Nicolas Poussin (1594-1665) foi de fato um grande pintor francês classicista, porém o episódio relatado neste conto é puramente ficcional. Neste texto Balzac expõe seu conhecimento a respeito das artes, e é admirável quanto o autor conhece do assunto, não somente um conto, “A obra-prima ignorada” é também uma aula de Artes.
Refleti sobre a busca – vã – que todo indivíduo empenha para alcançar o que para si é a perfeição, seja nos relacionamentos, no trabalho, nos estudos, e em tudo o que supomos ser de grande importância para nossa vida, mas que em alguns casos não passa de uma tentativa de impressionar os outros, “tapando” nossas frustrações e possíveis obsessões com um “grande trabalho” à ser admirado e elogiado.

O segundo conto “Um episódio durante o Terror”, refere-se ao regimento do Terror de 1793 durante a Revolução Francesa. Nele, uma mulher é perseguida por um estranho por ruas sombrias, temendo por sua vida e abriga-se num estabelecimento comercial suplicando por ajuda e proteção, que são negadas assim que a mulher é reconhecida. Novamente à rua, segue amedrontada para uma estranha confraria formada por religiosos, monarquistas e tipos estranhos que se reúnem para cultuar a memória do rei (Luís XVI, guilhotinado um ano antes, sob os domínios de Robbespierre). Me vi inteiramente envolvida e apreensiva, do início ao fim desta história, para no final ser surpreendida com um desfecho inesperado.
Vários personagens balzaquianos conhecidos de outras histórias aparecem neste conto. E ambos os contos fazem parte da Comédia Humana de Balzac, recomendo àqueles que pretendem conhecer a narrativa do escritor como contista, é um ótimo primeiro contato.

Balzac
Sou suspeita demais para falar de Honoré de Balzac (1799-1850), minha admiração por este escritor cresce a cada leitura, e a partir deste livro conheci um outro Balzac, diferente do romancista que li em “A Mulher de Trinta Anos” e “O Renegado”. Como contista ele superou as minhas expectativas, sem contar o dom que ele possui para nos ambientar à história, a sensação que tive não foi de uma leitora do século XXI lendo a respeito de uma França de 200 anos atrás, mas a sensação de vivenciar tudo aquilo, como se as imagens e ambientes passassem diante dos meus olhos, ao meu redor, como se eu sentisse cada voz, cor e sensação descrita.
64 páginas foram poucas, os “Eugênia Grandet” e “Ilusões Perdidas” da minha estante que me aguardem!

Esta, foi uma das obras do meu auto-desafio: 7 livros em 7 dias, e o quarto livro que li depois das pequenas doses de Anaïs Nin, Jack Kerouac e Leon Tolstói.
No próximo post falarei sobre a Antologia Poética de Olavo Bilac, e desta minha primeira e marcante experiência com o poeta.

Au revoir!