27 setembro 2012

Entendendo Jung – Maggye Hyde & Michael McGuinness [7 livros em 7 dias]

Editora Leya - 176 páginas
Desenvolvimento pessoal - Biografia
Este foi o sétimo e último livro do meu auto-desafio, para quem não acompanhou a “saga” e não sabe do que se trata, mas ficou curioso, confira os posts na lista da tag [7 livros em 7 dias].

Desde o início do ano passado me aprofundei muito nos estudos de psicologia, psiquiatria, psicanálise, psicologia analítica e análise comportamental, portanto tudo o que está relacionado a estes temas eu estou devorando.
Como todo começo em estudos livres das amarras acadêmicas, tenho que me basear muito em referências e “popularidade” para chegar a um estudo abrangente, porque uma coisa leva à outra ad infinitum, e nesse ínterim li livros dos mais famosos da área, Sigmund Freud e Carl G. Jung.

Este volume da editora Leya é um dos que eu bati o olho pela primeira vez e desejei. Como diz o subtítulo ele é “a história ilustrada do pai da psicologia analítica”, e isso fez da obra praticamente uma história em quadrinhos. Ele contém três elementos que me fizeram apaixonar (ilustrações; vida e trabalhos de Jung; teorias de diversas áreas além-psique) e ler devagarinho, prestando a atenção em cada detalhe temendo que as suas 176 páginas acabassem logo. E agora que acabaram, quero ler de novo!

Entendendo Jung: Um Guia Ilustrado
Jung é considerado por muitos um sábio quase religioso, mas essa abordagem negligencia o fato de que ele era um grande cientista e intelectual. Discípulo mais enigmático de Freud, Carl Gustav Jung acrescentou questões fundamentais acerca de religião e alma na obra do seu mentor.
Em resumo, Entendendo Jung explica a relação entre Jung e Freud, e descreve o colapso que sofreu já na maturidade, do qual emergiu com novos e radicais insights a respeito do inconsciente. A obra revela como ele examinou a psicologia da religião, a alquimia, a astrologia, o I Ching e outros fenômenos rejeitados pela ciência na análise dos sonhos, fantasias, símbolos e distúrbios psíquicos dos seus pacientes.

A linguagem utilizada nessa obra não é de carga científica muito menos enfática, é simples, de fácil compreensão e por um lado até bem humorada, e alguns dos temas principais abordados são:
Uma infância à procura da alma – Época em que Jung começou a se questionar a respeito da capacidade da mente humana.
Dias de Zofingia – Na Suíça tornou-se membro da Zonfigia Club em que passou a estudar o tema que mais o fascinava, a alma humana. Notório por sua intelectualidade afiada, foi a partir dessa época que começou a se interessar pela psiquiatria e a descoberta do inconsciente.
O caso Babette – Jung trabalhou no Hospital Psiquiátrico Burghölzli e se interessou especificamente por uma paciente, Babette, que possuía diversos complexos aparentemente desconexos mas que para Jung fizeram todo o sentido e estavam relacionados a ideias psicóticas baseadas na história de vida da paciente.
Vida familiar - Casou-se com Emma Rauschenbach com quem teve cinco filhos. Por volta de 1911 conheceu Antonia Wolff que se tornou sua amante. O triângulo amoroso durou 40 anos, difícil para as duas mulheres, mas tolerado por ambas. Tanto Emma quanto Antonia eram também analistas.
Conhecendo Freud – Conta como os dois se conheceram e como suas ideias a princípio era compreendidas por ambos, tanto que no primeiro encontro conversaram durante 13 horas ininterruptas. No entanto, Jung discordava em partes de alguns métodos e análises feitos por Freud, e este último era completamente autoritário e menosprezava alguns dos estudos de Jung, ai é que começam as divergências de ideias, e a ruptura do relacionamento veio anos mais tarde.
Mandala: o caminho para o centro – Pelo resto da vida, Jung buscou expressar os insights que a sua exploração do inconsciente tinha trazido, rabiscando desenhos circulares que pareciam refletir seu estado interior, com isso fez grandes descobertas no campo analítico.
Sonhos e visões – Apesar de cientista, Jung nunca conseguiu se desligar do mundo paranormal, desde criança tinha visões, conversava com espíritos, e tinha até mesmo um mentor. Para muitos isso parecia loucura, para Jung era material de estudos. Ele também estudava interpretação de sonhos, alguns até mesmo com revelações proféticas. Essa ligação com o outro mundo, Jung teria até o fim dos seus dias.
A prática da psicologia analítica junguiana (em resumo) – Jung chamou seu método de Psicologia Analítica para distingui-lo da psicanálise (Freud).

3 FAÇA!
1 – A análise é um encontro cara a cara e cada caso é único. “Lembre-se de que apenas o médico ferido cura”.
2 – Em cirurgia e obstetrícia é regra o médico estar com as mãos limpas. “Então, certifique-se de que você mesmo está 'limpo' de neuroses”.
3 – Jung foi o primeiro psicanalista a defender a formação analítica dos terapeutas – e ainda a supervisão continuada, um tipo de “mãe ou pai confessor”. “Até os padres têm confessores”.

3 NÃO FAÇA!
O objetivo da terapia é progressivo e não regressivo, o que significa focar na atitude consciente da postura atual do paciente.
1 – Não vá atrás de memórias infantis. (Não há nada que os neuróticos gostem mais do que chafurdar nos infortúnios do passado e na autopiedade).
2 – Não se esqueça de temas espirituais. (A maioria dos que começam a análise depois da meia-idade negligenciaram os temas espirituais na primeira metade da vida).
3 – Não se esqueça da história secreta pessoal do paciente. (O paciente tem uma história que não está contada e que ninguém conhece. É o seu segredo, a pedra sob a qual ele está esmagado).

Carl Gustav Jung (1875-1961)

Além desses tópicos, no livro ainda constam A estrutura da psique, Tipos psicológicos, Figuras arquetípicas, Sombra coletiva, A anima e O animus (imagens de alma masculina e feminina dentro de cada indivíduo), Psicologia da religião, e breves mas importantíssimas explicações sobre A era de peixes e as interpretações de Jung a respeito da expansão do cristianismo a partir do início desta Era, alguma profecias, racionalismo científico, psicologia da alquimia, Etapas do processo de individuação, estudos e explicações sobre imagens e xilogravuras a respeito dos princípios básicos de vida e morte, e diversos outros assuntos complementares de exímia importância à compreensão do nosso eu individual.

Este livro é uma leitura muitíssimo agradável que engloba diversos temas supríveis a nossa busca por conhecimento, recomendo à todos os leitores de todos os gêneros e idades, mas é melhor compreendido e absorvido por quem de fato aprecia a área.

Os autores

Maggie Hyde nasceu na Inglaterra, em 1952. Depois de se formar em Letras, desenvolveu cursos de filosofia para educação de adultos. É escritora, professora e astróloga. Autora de “Jung and Astrology”, de 1992, atualmente é diretora da Company of Astrologers, em Londres.

Michael McGuinness é pintor, designer e ex-diretor de artes de diversas revistas e jornais. Membro da Royal Watercolour Society, realizou diversas exposições de pintura a óleo e aquarelas. Nessa coleção ilustrou o livro Einstein.