16 setembro 2012

Os Beats (graphic novel)

Aproveitando essa onda toda em torno do filme On the Road (que confesso, ainda não vi) o quadrinho da quinzena é justamente uma visão desenhada dessa história beat em torno especificamente dos três elementos principais: Kerouac, Burroughs e Ginsberg.
Eu comprei, confesso, muito mais pelos desenhos serem de Ed Piskor e o roteiro de Harvey Pekar (já meu conhecido pelos trampos com Robert Crumb) do que propriamente pelo tema, mas foi uma grata surpresa.
O enredo se desenrola através da visão particular da vida de cada um dos citados, desde o momento culminante em que "começaram a escrever" (se é que esse momento existe) e se encontraram/influenciaram mutuamente na arte.
O curioso é que os três são unidos pela mesma figura, quase mitológica...senhoras e senhores, palmas para Neal Cassady!
Em algum momento da vida de todos eles, Neal foi figura central, objeto de desejo (sexual, inclusive) e inspiração para grande parte da obra beat. Além de ser amigo, louco e o que chamamos hoje de "companheiro de farras".
Após ler essa primeira parte da hq minha curiosidade sobre quem era Cassady aumentou em níveis absurdos... pois pensando que ele foi talvez o centro de uma reviravolta literária e inspiração pra escritos revolucionários é de se admirar quem tenha sido realmente essa figura. Por isso o trato como mito...talvez o maior de todos na minha visão.



A segunda parte é uma copilação de outros roteiristas e desenhistas contando sobre outros autores dessa geração, sobre as mulheres da cena beat, bandas influenciadas e até sobre a lendária editora City Lights, corajosa e pioneira nas publicações do gênero, pertencente ao não menos lendário Lawrence Ferlinghetti.
É uma hq bem despretensiosa, leve e de fácil leitura. Altamente recomendada para pessoas que ainda não tiveram contato com a dita literatura beat em sua maior extensão, pois se trata de um apanhado no campo de visão dos autores. Claro que baseado em pesquisas, entrevistas e outras fontes de informação.
A capa é linda e bem acabada, o miolo é simples P&B com papel sulfite que atende bem na qualidade gráfica final. Possui nas últimas página uma espécie de "mini biografia" sobre alguns citados, além dos que já foram desenhados nas histórias.



Pesquisando sobre outras resenhas atrás de opiniões diversas, encontrei esse trecho interessante que resume bem minha visão sobre o livro quando terminei de ler:

“Os Beats” é história em quadrinho, porém seria melhor definido como “História nos quadrinhos”. É uma obra que retrata brevemente a biografia dos principais participantes do movimento beat, dando destaque na primeira parte a Kerouac, Ginsberg e Burroughs e na segunda há personagens avaliados como menores para a história dos beats, sendo considerados por isso “perspectivas sobre o movimento”. Por exemplo, no caso das mulheres como Elise Cowen, desprezada pelos rapazes apenas por ser do sexo feminino, a roteiristas termina com uma perspectiva negativa a uma parte da mentalidade dos beats: “Elise era uma renegada entre os renegados.”




Os Beats
Harvey Pekar, Ed Piskor et al.
Editora Benvirá - 2010.
em média: R$45,00