14 setembro 2012

Resenha: (SOEM OS TAMBORES!) Cinquenta Tons de Cinza

Olha, eu só quero avisar de antemão que esse post será amargo, eu vou destilar muito veneno, e se eu soubesse como fazer uma fogueira sem incendiar a minha casa, eu faria, só para poder botar fogo nesse livro! Dito isso, vamos ao que importa.

(E.L. James devia estar pensando, "Hmmm, adoro bolas Ben-Wa!")

Sinopse: Quando Anastasia Steele entrevista o jovem empresário Christian Grey, descobre nele um homem atraente, brilhante e profundamente dominador. Ingênua e inocente, Ana se surpreende ao perceber que, a despeito da enigmática reserva de Grey, está desesperadamente atraída por ele. Incapaz de resistir à beleza discreta, à timidez e ao espírito independente de Ana, Grey admite que também a deseja.

A história começa com a nossa fantástica protagonista, Anastasia Steele (a garota mais insegura do mundo), reclamando da sua melhor amiga, Katherine Kavanagh. Kate, estudante de jornalismo, ficou doente no dia mais importante da sua carreira até então, o dia em que entrevistaria o empresário Christian Grey. Com medo de perder a chance de entrevistá-lo para sempre, Kate manda Anastasia em seu lugar.

Ana não é jornalista e não está cursando jornalismo, obviamente ela vai saber o que fazer apesar disso, certo? Errado.

A garota vai lá, mal vestida, sem maquiagem, cabelo com cara de quem acabou de rolar da cama, o exemplo de profissional. Chegando ao prédio, se sente mal ao se comparar com as funcionárias do Sr. Grey, todas loiras impecavelmente arrumadas, e ainda cai de cara no chão ao entrar no escritório do jovem empresário.


A tensão sexual entre os dois é notória, e após a entrevista, que, por sinal, foi um completo fiasco na visão de qualquer jornalista decente, e um sucesso no mundo fantástico de E.L. James, Christian Grey fica obcecado por Anastasia Steele. Ele descobre aonde ela trabalha e vai até lá – em outra cidade, num lugar completamente fora do caminho dele – e, depois de agir de forma ciumenta ao ve-lâ falando com o chefe, dá seu número de telefone para ela.

(Como eu descobri onde você trabalha? Ah, quem se importa com isso querida?! Não é como se eu fosse um sádico que adoraria te torturar só para o meu prazer)

Passam-se alguns dias e eles se encontram em um hotel para uma sessão de fotos com Christian. Lá, ele conhece o fotógrafo e melhor amigo de Ana, José Rodriguez. José Rodriguez, nosso típico personagem clichê latino-americano largado na friendzone, veio de uma família classe “F” de tão pobre, e é o primeiro de sua família a conseguir se formar na faculdade (detalhe, ele tenta ficar com a Ana à força em um dos capítulos).

O que acontece quando esses dois se conhecem? Antipatia instantânea, claro! De qualquer forma, Ana parece se focar somente nos belos olhos cinza do seu garanhão, e ignora – novamente – o comportamento doentio de Grey.

Terminada a sessão de fotos, Grey convida Ana para tomar um café, pretexto para fazer um interrogatório digno do FBI sobre sua vida pessoal. Dois fatos importantíssimos ocorrem agora:
1. Ele fala que é perigoso para ela, e pede que ela mantenha distância dele.
2. Ele a salva da morte iminente.


(Descrito acima: morte iminente)

Depois de muita enrolação, indecisão, hesitação, drama a lá Malhação, os dois percebem que foram feitos um para o outro, precisam ficar juntos, blá, blá, blá, e ele, todo misterioso, aos poucos revela seu lado sádico.

Ele deixa bem claro que “só fode” e não “faz amor” (nessas palavras mesmo), tenta comprar Ana com presentes caríssimos, a "deflora", a convence a assinar um contrato que determina o que ela topa fazer ou não (ninguém merece fisting, né, pessoal?), a espanca, a transforma em sua pseudo-submissa, e faz com que eu me pergunte qual o significado de “independente” para E.L. James, palavra usada no livro para descrever a jovem Steele.

A minha nota para esse livro é -9000 (IT’S UNDER 9000!!!). Ambos enredo e personagens são clichês e mal desenvolvidos. Anastasia, por exemplo, descrita como uma mulher independente, madura, e forte, só fica com Grey porque se sente feia, indesejável, não tem experiência em relacionamentos e muito menos experiência sexual (nunca nem se masturbou), enfim, se acha a bolacha mais destruída do pacote, e prefere apanhar a virar tia com gatos. Sério.


(Ah, ela vive falando dessa deusa interior. Alguém me explica que raios é uma deusa interior?!)

Grey é um homem com um passado trágico, péssimos terapeutas, uma família adotiva que o mimou demais e um histórico amoroso com Elena, amiga casada de sua mãe adotiva. Histórico, esse, digno de uma vítima de estupro, já que ele era um mero adolescente, ela foi sua primeira experiência sexual e o transformou em submisso na época. Sério.

Tirando todos os problemas com o desenvolvimento dos personagens, as falhas de enredo, etc, ficamos com a escrita, que é igualmente horrorosa, tanto no livro em inglês, como na tradução.

Em um trecho do livro traduzido, as palavras "vértice" e "ali" são usadas para se referir à vagina. Nesse mesmo trecho, a tradutora também descreve Grey pairando sobre Steele.

"Verbo

pai.rar intransitivo
parar, deter a embarcação sem ancorar
equilibrar-se no ar"

Só não mando queimar a mulher na fogueira porque o livro em inglês é ainda pior.

O estilo de escrever de James é simples. Sua linguagem é como a de qualquer livro infanto-juvenil, ou seja, completamente inadequada para seu público alvo. Entretanto, é óbvio que ela quer parecer inteligente, já que usa palavras “difíceis”, como profligate, de forma absolutamente aleatória.

Outros fatores que demonstram seu desejo de parecer inteligente e culta são as próprias características da protagonista, Ana, que são reflexos da autora (como em todo livro, cá entre nós), seu gosto por chá inglês caro, sua paixão por romances ingleses, o fato de que ela chama Christian de "Mr. Grey" (referência clara a Mr. Darcy de Jane Austen), etc. E.L. James também demonstra sua paixão por carros, já que descreve cada um que é comprado pelo RYCO Christian Grey.

Só para colocar a cereja no topo da bagaça: toda essa baboseira nasceu de uma fanfic de Crepúsculo. Sim, foi nessa obra de arte que a autora se baseou, e olha só a porcaria que saiu!


Espero que tenham gostado da minha longa resenha. Curtam, comentem, compartilhem no FB, me xinguem, enfim, fiquem à vontade, e até a próxima!

Ps.: Os trechos do livro mostrados aqui não estão com a tradução oficial. Só para esclarecer.