07 outubro 2012

Alone, Edgar Allan Poe



Para quem acompanha nossas postagens no blog pode soar estranho eu dizer que meu autor favorito é o Edgar Allan Poe, já que nunca falei de nenhuma obra específica dele por aqui. Acontece que sou. Poe é, de longe, o único autor que não consigo viver sem ler a cada conjunto de dias. O único autor que eu salvaria se (batendo na madeira três vezes), por um infortúnio, minha estante pegasse fogo. Nunca falei dele por aqui porque pra mim é algo emocional demais.

Mas hoje é um dia reflexivo e introspectivo, hoje é aniversário da morte dele que sobrevive através das gerações, das décadas. Ele que inspira, que transforma, que causa medo, fascínio e devoção.

Para lembrar esse dia, deixo aqui o poema dele que mais gosto. Não tão cultuado quanto "O Corvo", nem tão recitado quanto "Annabel Lee". Este é "Alone", repetidamente declamado em minha cabeça sempre que penso no querido Allan Poe. Só, como eu costumo estar.



Não fui, na infância, como os outros
e nunca vi como outros viam.
Minhas paixões eu não podia
tirar de fonte igual à deles;
e era outra a origem da tristeza,
e era outro o canto, que acordava
o coração para a alegria.
Tudo o que amei, amei sozinho.
Assim, na minha infância, na alba
da tormentosa vida, ergueu-se,
no bem, no mal, de cada abismo,
a encadear-me, o meu mistério.
Veio dos rios, veio da fonte,
da rubra escarpa da montanha,
do sol, que todo me envolvia
em outonais clarões dourados;
e dos relâmpagos vermelhos
que o céu inteiro incendiavam;
e do trovão, da tempestade,
daquela nuvem que se alterava,
só, no amplo azul do céu puríssimo,
como um demônio, ante meus olhos.


contra-capa do meu book of shadows. 


Anna Varney Cantodea, a controversa cantora de Sopor Aeternus, eternizou esse poema numa lindíssima canção. Ouça clicando aqui