16 outubro 2012

Carrie, a estranha

Coincidentemente, quando decidi que escreveria sobre o livro Carrie, de Stephen King, me deparei com uma outra triste história de bullying que acabou mal. A canadense Amanda Todd cometeu suicídio alguns dias depois de postar no youtube um vídeo contando sua triste história de humilhação.

King explica no prefácio do livro que a protagonista de sua história é inspirada em duas garotas que ele conheceu na escola, que eram constantemente humilhadas por serem diferentes dos demais, e de como era difícil não se deixar levar pelas brincadeiras quando se tem 14 anos. As duas garotas que ele conheceu acabaram mortas também, mas de alguma forma ele precisava fazer um tributo a elas, e assim surgiu Carrie.

Carrieta "Carrie" White é uma adolescente desajustada, pois tem uma mãe opressora e fanática religiosa como único modelo. Vivendo em uma casa que mais parece um anexo de igreja católica para loucos, com um Jesus crucificado e sangrento na parece em cima do sofá, obras de arte que relatam diversas punições bíblicas para cristãos 'desviados' do caminho e um armário que cheira a vela e suor, Carrie aprendeu que os pecados da carne são punidos severamente. Por causa desse tipo de criação, a menina não consegue ser aceita pela sociedade, seja por um garoto que anda de bicicleta zombando de sua cara ou pelos meninos que a acham gorda e mal vestida.

"sangue de porco... para uma porca!"
Acontece que Carrie tinha uma vaga compreensão de um poder que só ela possuía: o dom espontâneo da Telecinésia. Ela percebeu que podia, com muito esforço, mover objetos com a mente. Tudo ficou mais claro quando, após a aula de ginástica, no banheiro do vestiário feminino, ela teve sua primeira menstruação. Sem saber o que era todo aquele sangue, achou que estava morrendo. As outras garotas começaram a xingar e jogar absorventes em cima dela, que nada podia fazer a não ser gritar histericamente (explodindo algumas lâmpadas sem querer) até que uma professora interviesse. Carrie questiona sua "mamãe" o porquê dela não ter explicado essas coisas de garota, enquanto a megera a pune por estar virando mulher e a manda pro armário rezar.

 Uma das meninas que humilharam-na no banheiro, Susan Snell, se arrepende do ato e tenta se redimir, pedindo para que seu namorado a leve para o baile da escola. É nesse baile que Carrie passa pela maior provação de sua vida e usa toda a força de sua mente para se vingar daqueles que a maltrataram.


Considerações pessoais

  • Este livro foi o primeiro livro lançado por Stephen King, que antes sobrevivia lançando contos em uma coluna no jornal da faculdade. Ele conta que começou a escrever "Carrie", mas algo o impeliu a jogar a história no lixo. No entanto, sua esposa Tabitha encontrou as folhas e sugeriu que ele concluísse a história. 
  • A forma como King escreve este livro é bem peculiar. Ele mescla narração com informativos de jornais, livros e relatos dos sobreviventes do baile. É interessante como ele descreve os pensamentos de Carrie, escritos sem pontos ou vírgulas, verdadeiros fluxos mentais. Você já começa a leitura sabendo o que ocorre no final, mas ele te leva a sentir curiosidade e continuar a leitura mesmo assim.

  • É a segunda vez que leio este livro. A primeira foi na minha adolescência e, como toda garota que sofreu bullying, torci pela Carrie e meio que concordei com a atitude dela (o que é ridículo, eu sei, mas o que você faria se estivesse no lugar dela e tivesse poder para se vingar?). 
  • A primeira vez que li foi numa edição antiga da Nova Cultural de 1987 (foto), que encontrei na biblioteca municipal. Alguma coisa me diz que essa edição da Ponto de cultura cortou algumas partes do livro. Exemplo: quando Carrie aceita o convite para o baile e se arruma para a festa, sua mãe fala "Vermelho... eu deveria saber que seria vermelho". E Carrie não fala nada. Na edição mais antiga tenho certeza que ela fala "Não é vermelho, mamãe, é rosa". Sem essa fala, o leitor acaba pensando que Carrie está mesmo com um vestido vermelho. Essa é só uma passagem que senti falta nessa edição, mas para ter certeza preciso pegar as duas e comparar.
  • Dois filmes já foram lançados com base neste livro, e o terceiro estreará em 2013. O remake de Carrie será protagonizado pela Chloë Moretz e estou super ansiosa para ver, apesar de que ninguém no mundo vai atuar nesse papel melhor que a Sissy Spacek.