13 outubro 2012

Conheça o rosto dos que inspiraram inesquecíveis personagens literários


Como disse alguém que não fez muita questão de reivindicar autoria: "Músicas expressam sentimentos". Aproveitando o ensejo, faço agora pirataria de ideias e remendo para "literatura expressa sentimentos". Ela induz, manipula, seduz, desperta emoções, sonhos, desejos, vinganças e muitas outras coisas que não cabem aqui. Mas não faz isso sozinha: a literatura conta com a ajuda de histórias e personagens para dar vida ao quimérico, fazendo com que cada leitor(a) encontre a si mesmo(a) dentro da narrativa de outras pessoas. Algumas "identidades literárias" são frutos da imaginação do seu criador, esse sujeito que monta na imaginação e a doma como se estivesse amansando um cavalo selvagem. Outros misturam fantasia com realidade e traduzem seus próprios medos na terra em que não se sabe onde pisa. Ainda existem aqueles que traduzem fielmente, como uma transcrição feita em folha de carbono, todos os traços da sua vida e compartilham para a eternidade. 

Nesse copia-recorta-cola das histórias do bom e velho livro favorito, o site de crítica cultural Flavorwire elencou a faceta real de dez personagens literários. O Dose Literária escolheu cinco rostos e nomes para mostrar por aqui. Acompanhe e veja se alguém soa familiar demais para você:



Dorian Gray é John Gray

Sabe o bonitão que não quer envelhecer do famoso livro "O Retrato de Dorian Gray" (interpretado no cinema pelo lindíssimo Ben Barnes e pelo tentador Stuart Townsend)?! Na vida real, Oscar Wilde se inspirou no boêmio e carinha-de-bebê John Gray, figura carimbada das rodas de bon vivants frequentadas por Wilde. Dizem que Gray também foi amante do escritor e que era extremamente fraco para os prazeres do mundo, conservando um rosto de quinze anos de idade em um corpo de vinte e poucos. Na época da publicação do livro, não foi difícil para os amigos mais próximos e para a imprensa começarem a fazer associações, algo que não satisfez John Gray nenhum pouco.


Sherlock Holmes é Dr. Joseph Bell

Arthur Conan Doyle, o criador do maior detetive da história mundial, nunca escondeu a real inspiração para o seu personagem. Segundo ele, o doutor Joseph Bell, que tinha sido seu professor na faculdade de Medicina, se transformara na figura ideal para ser repassada da vida-nossa-de-cada-dia para a imortalidade das palavras. Segundo Doyle, o velho professor Joe Bell tinha a capacidade incrível de localizar e encaixar detalhes através de truques curiosos. O autor chegou a dizer que se o professor fosse detetive, ele "certamente iria reduzir esse fascinante, mas desorganizado negócio [atividade detetivesca], a algo semelhante a uma ciência exata". 


Sal Paradise e Dean Moriarty são Jack Kerouac e Neal Cassady

Para os leitores e fãs mais atentos, essa informação não é nova. As principais obras de Kerouac partem da técnica de fluxo de consciência, falando de si mesmo e de tudo o que ocorria com amigos e conhecidos ao seu redor. Por isso, sorte sua se você foi (ou é, vai saber) um dos vagabundos americanos comendo uma lata de feijão em um trilho abandonado de algum lugar mais abandonado ainda dos EUA e topou de cara com Jack Kerouac. Você está eternizado agora, amigo.


Peter Pan é Michael Llewelyn Davies

O menino que nunca cresce, é divertido, vive em um lugar chamado "terra do nunca" e é chefe dos "meninos perdidos", além de fazer o temido Capitão Gancho perder a mão para o crocodilo, foi, na vida real, um sujeitinho chamado Michael. Na época em que J.M. Barrie escrevia sobre o seu famoso "menino eterno", o pequeno Michael Davies também fazia travessuras - observadas pelo escritor, que era amigo da família do garoto. Barrie incorporou algumas características de Michael a Peter, como os pesadelos do menino real. Um dos irmãos do pequeno Michael o descreveu como sendo "o mais esperto de todos nós, o mais original, um gênio em potencial", ou seja, o próprio Peter Pan. 


Alice no País das Maravilhas é Alice Liddell

Como já é do conhecimento geral, o autor Lewis Carroll - apontado pelas 'fofocas literárias' como um homem inclinado à pedofilia - utilizou a menina Alice Liddell como fonte de inspiração direta para escrever Alice no País das Maravilhas. Carroll fotografou muitas crianças diferentes, mas ele tinha uma relação especial com a família Liddell, tornando Alice a sua pimpolha favorita. A imagem de Alice publicada acima foi registrada pelo próprio Carroll, quando a menina tinha sete anos de idade, e publicada como miniatura na última página do original de As aventuras de Alice no Subterrâneo (precursor de Alice no País das Maravilhas).


Quer saber quais as outras cinco identidades reais que inspiraram alguns personagens marcantes da literatura? Clique aqui (somente em inglês).