22 outubro 2012

Defendendo Jane Austen

Duas escritoras marcaram a minha vida para sempre (e eu não estou exagerando!): Jane Austen e J.K. Rowling. Hoje, vou me dedicar a defender minha querida Jane. Defendê-la do quê, você deve estar se perguntando. Oras, da crítica, claro!

Ao longo dos anos conheci muitas pessoas (incluindo um professor de literatura da faculdade) que odeiam Jane Austen. Isso mesmo que você leu, ODEIAM JANE AUSTEN. Por quê? Porque, para essas pessoas, ela era anti-feminista. Ela era a Amélia de seu tempo, a boa dona de casa, e escrevia para forçar outras mulheres a seguirem sua vida de opressão e submissão aos homens. A minha crença é que essas pessoas não conheciam absolutamente nada de Jane, de suas crenças, de seus romances. Para evitar que isso aconteça com vocês, vamos entender Jane!

Para começar, qual era o papel de uma mulher na sociedade do século XVIII, XIX? Casar, ter filhos, cuidar da casa. Esse era o papel, o dever, e, normalmente, a única opção que a mulher tinha, especialmente na conservadora Inglaterra. Se ela resolvesse se rebelar contra a sociedade e viver alheia a essas exigências, o que acontecia? Ela morria de fome.


("Sobreviverei de ar puro e luz do Sol!")

Em todos seus romances as protagonistas de Jane se casavam, sim, mas somente com homens lindos, honestos, que as amavam e pelo qual elas estavam apaixonadas também. Opa, esqueci de mencionar uma coisa, todos eram RYYYCOS! Jane Austen malandra só queria dinheiro, certo? Errado. Para que a mulher pudesse viver bem e proporcionar uma vida boa para seus (vários, já que não tinha método contraceptivo na época) filhos, seu marido tinha de ganhar MUITO dinheiro por ano. Não era puro interesse, era necessidade, especialmente no meio em que vivia.

Ela sabia muito bem como era viver com pouco dinheiro e uma família grande, já que tinha seis irmãos e uma irmã. Sabem quanto dinheiro é necessário para alimentar oito bocas? Eu também não, assim como Jane não sabia e nunca soube, porque no fim, apesar de toda a dificuldade, da crítica da sociedade, ela nunca se casou e teve filhos.

Austen acreditava que um casamento não poderia dar certo se fosse por conveniência, ou seja, não acreditava em se casar somente pelo dinheiro, posses ou terras. Como deixa claro em seus romances, ela queria encontrar alguém que pudesse proporcionar uma vida confortável para ela e seus futuros filhos, claro, mas também queria amar essa pessoa.

O que aconteceu com ela então? Casou? Foi feliz para sempre? Teve muitos filhos adoráveis e talentosos como ela? Não. Morreu sozinha e doente mesmo.


(Final feliz! Só que não)
Por isso considero Jane uma das mais brilhantes autoras de romance romântico da história! O mais perto que ela chegou de um grande romance foi quando conheceu Tom Lefroy, e, infelizmente, não pode ficar com ele. Apesar de só conhecer sofrimento, e só ver sofrimento por parte de sua irmã, grande influência nas suas obras, todos os livros de Austen tem um final feliz, como se ela escrevesse a vida que gostaria de ter.

Ao contrário dos argumentos que ouvi de pessoas que detestam seus livros, ela não gostava de pessoas que se casavam por conveniência, como deixa claro em Razão e Sensibilidade ao descrever o detestável Willoughby, ou em Orgulho e Preconceito, com o Sr. Wickham. Vejam só, essa atitude era reprovável para ela independentemente do sexo da pessoa.

Suas protagonistas também deixam claro como Jane pensava em relação a mulheres imaturas, que se apaixonavam rapidamente, que não pensavam antes de agir. Lydia, em Orgulho e Preconceito, e Marianne, em Razão e Sensibilidade, nem sempre são vistas com bons olhos nos livros, e muitas vezes agem de forma egoísta, sem se importar com a consequência de seus atos.

Para mim, o que fica claro em todas as obras de Jane, e o que ela deixou claro ao escolher sobreviver do que ganhava como escritora (muito pouco, pouco dinheiro e pouquíssimo reconhecimento), é que ela era uma mulher tentando viver de acordo com o que acreditava em uma sociedade que jamais a entenderia (e muitos ainda não a entendem!).

("Olha a minha cara de quem se importa com a opinião da sociedade.")

E ela não acreditava nessa baboseira de mulher Amélia e dominada, e sim em uma mulher que entendia as necessidades da vida (dinheiro), sem abandonar o conceito de felicidade (amor). Ela podia escolher casar com um homem pobre e viver como fosse possível, mas acho que essa realidade não era nem reconhecida por Jane, já que ela passava seus dias escrevendo, e vivia com a  família.

Ela não conhecia outro mundo, a não ser aquele que apresentavam para ela. Seus livros demonstram como não gostava do comportamento das pessoas na época e no meio em que vivia, mas não tinha escolha a não ser viver nele. Ninguém era livre nos séculos XVIII e XIX, mulheres muito menos.

Não acredito que ela escrevia querendo dar um exemplo de como as pessoas deveriam ser, mas sim que ela escrevia de acordo com o que conhecia, de acordo com suas opiniões. Publicava, pois  queria ser escritora (mesmo não podendo)  e, cá entre nós, precisava ganhar dinheiro de alguma forma (casando que não era). 

Bem, essa é a minha opinião sobre Jane Austen. O que acham? Concordam, discordam? Deixem comentários, me xinguem, me elogiem, só não falem mal de Jane! A coitada sofreu o bastante em vida.


Por: Gaby