17 outubro 2012

Grandes Escritores: Guy de Maupassant

Inspirada pelas listas dos livros 501 Grandes Escritores, Guia de Leitura: 100 Autores que você precisa ler, e 1001 Livros para Ler Antes de Morrer, vou falar um pouco sobre alguns dos escritores e obras que li e gostei.

Guy de Maupassant  (1830 - 1893)


Henri René Albert Guy de Maupassant nasceu em 1830 na Normandia, formou-se em Direito pelo Liceu de Rouen, leu os grandes clássicos desde cedo. Engajou-se no exército francês na guerra de 1870 na qual trouxe-lhe inspirações para inúmeros de seus contos.
Empregou-se no Ministério da Educação Pública e conheceu Gustave Flaubert que o orientou e o introduziu no mundo literário. Também conviveu com Emile Zola, Daudet e Huysmans e colaborou para diversos jornais.
Maussapant é tido como o inventor do conto na França, pois desenvolveu seu próprio método de descrições para contar uma história, criando um retrato social dos protagonistas diante de personagens e pressões contrastantes de sua época.

O Sedutor (2012) -
com Robert Pattinson e Christina Ricci
Um dos seus romances mais conhecidos é "Bel Ami" que este ano ganhou uma versão cinematográfica - O Sedutor - dirigida por Declan Donnellan Nick Ormerod e estrelado pelo queridinho hollywoodiano da vez Robert Pattinson (Crepúsculo). 

Bel-Ami cuja a primeira edição foi em 1885, narra as aventuras do sedutor Georges Duroy, recém chegado em Paris que descobre de maneira impressionista a amoralidade e decadência do poder dominante do jornalismo.

Meu primeiro contato com Guy de Maupassant foi justamente por Bel-Ami alguns anos atrás, mas na época abandonei a leitura. Achei os primeiros capítulos maçantes, talvez eu não estivesse preparada pra lê-lo naquele momento, por isso pretendo tentar de novo. 

Bom, mas estou aqui pra falar do que li: A Herança e Uma Vida.

A Herança 


Ganhei este livro da amiga Eni e foi que me fez me interessar por Maupassant outra vez, apesar da experiência "negativa" com Bel-Ami.
A Herança é um dos contos de Maupassant em que os mesquinhos valores da pequena burguesia são criticados de forma sarcástica. Desde as descrições físicas e psicológicas dos funcionários públicos até o falso moralismo de alguns parisienses.

Sr. Cachelin é um velho funcionário público que tem como irmã a avarenta, solteirona e rica Dona Carlota que só concederá a rica herança à sobrinha Cora (filha de Cachelin) se a mesma casar-se e dar-lhe um sobrinho-neto. Disposto a desfrutar da herança com a filha o quanto antes, fez esforços para que sua filha se casasse com seu colega de trabalho bem nomeado e jovem - o sr. Lesable.

Casados, mas ainda sem herança da srta. Carlota, Lesable e Cora tentam de qualquer maneira dar um sobrinho-neto herdeiro para a tia Carlota e é aí que a história fica interessante e por muitas vezes engraçada.

"Porque a felicidade é egoísta e dispensa estranhos"

Uma Vida


Pasmem (ou não) mas encontrei este livro em uma daquelas máquinas de livros do metrô de São Paulo.
Já tinha lido a respeito no 1001 Livros para ler antes de morrer e fiquei ansiosa para ler. 
A primeira edição de Uma Vida (Une Vie) foi publicada em 1883 depois de mais de 6 anos para ser concluída. Nesta obra Guy de Maupassant deixa de lado a história política de seu país que era uma das referências em seus contos, para falar exclusivamente da vida da personagem burguesa Jeanne des Vauds desde o momento em que deixa o convento até a sua morte em Caux. 
A história é exatamente o inverso de Madame Bovary de Gustave Flaubert. Jeanne des Vauds sofre uma série de desilusões ao se casar com o egoísta e ambicioso Juliano - o Visconde de Lamare. 

"Como a gente se engana todo dia sobre as pessoas"
Mesmo com todo o sofrimento, Jeanne renuncia a si própria ante a todos os tristes acontecimentos de sua vida: traição do marido, aborto, um filho prematuro que se torna um vigarista, a morte dos pais, a solidão.
Mas como dito na contra capa do livro: "Maupassant não tira nenhuma moral da sua história" e acredito que cada um após ler esta obra, tirará sua própria conclusão ou questionará o comportamento pacifico de Jeanne diante de suas tristes situações.
É um livro triste, por isso marcante para mim. 

Frases escolhidas:

- "O coração tem mistérios que nenhum raciocínio consegue penetrar" - pág 60.

- "As vezes choramos as ilusões com a mesma tristeza com que choramos os mortos" - pág 105.


Os próximos livros que vou ler serão Pensão Tellier e Bola de Sebo. Até mais!