01 outubro 2012

Resenha: Cinquenta Tons Mais Escuros

ALLÔÔÔ, GALERA! Tudo bem? Não? Pois se preparem, porque vai ficar pior! No capítulo de hoje da nossa inquisição literária, apresentarei o ilustre Cinquenta Tons Mais Escuros, porque se vocês achavam que não dava para ficar pior do que Cinquenta Tons de Cinza, vocês estavam redondamente enganados! Dito isso, vamos ao que importa!

Para poder deixar clara a escrotice do segundo livro, tenho que voltar um pouquinho. No final de Cinquenta Tons de Cinza, Anastasia resolve ir para o Quarto Vermelho da Dor (eu chamaria de sala da tortura, mas é menos chique) descobrir o que ser uma namorada submissa realmente significa.


(Acima: futura Anastasia Steele e Christian Grey. “Cadê minha cerveja, mulher?!”)


Christian, mais do que empolgado para lhe dar uma surra de cinto, revela todo o seu lado negro para a inocente Steele. Ela, assustada e em prantos, rejeita os carinhos de seu mestre após apanhar e eles terminam. Seria trágico, se não fosse ridículo e se eles estivessem juntos há mais tempo do que, sei lá, DOIS MESES.

Enfim, o livro começa com um prólogo dramático (bem jeito Crepúsculo de ser), que eu vou pular e mencionar depois, e passa para a primeira semana de trabalho e depressão pós-pseudo-relacionamento da nossa protagonista. Ela para de comer, só dorme, chora e trabalha. Isso porque ela era forte e independente no primeiro livro! O que dois meses não fazem com uma pessoa.


(Acima: garota forte e independente.)


O chefe de Ana fica preocupado ao vê-la muito magra, e busca saber o que está acontecendo. Sabe por quê? Porque ele também gosta dela. Essa menina deve ter sabor de baunilha, só pode. E apesar de notar a preocupação de todos e saber que não conseguiria viver apanhando, Anastasia não resiste e combina de encontrar Christian novamente.

Então, você, leitor(a), pensa, 'Ela não vai perdoá-lo facilmente! Ele a espancou com um cinto, afinal.'. E é aí, querido leitor(a), que você se engana. Christian explica que a burra (não nessas palavras) foi ela. Ela que deveria ter usado a safeword que eles tinham definido (se ela falasse essa palavra, ele parava na hora). O problema não é apanhar, o problema é não saber o quanto você aguenta apanhar. Claro. Óbvio. Duh.


(Final feliz!...só que não)


Tudo volta ao normal depois disso. Ele continua ciumento e possessivo, ela fica cada vez mais submissa, apanha, usa suas favoritas bolas Ben-Wa e assim por diante. Seria um final perfeito (NÃO!), se não fosse uma ex-submissa e a Elena (lembra dela? a mulher que estuprou o Christian e o transformou em sádico?) perseguindo Ana.

Elena e Ana se conhecem em um baile beneficente (lê-se: evento em que os ricos fingem ser bonzinhos e generosos). Lá, essa jovem senhora tem a pachorra de pedir para que Steele não fira os sentimentos de Sr. Grey novamente. Coitadinho! Só porque ele se empolgou com um pedaço de couro não significa que o pobre garoto mereça a dor de ficar sem namorada. Com certeza, Ana que estava errada em deixá-lo só porque não aguentou algumas "cintadas", humpf!

Contudo, Elena é o menor dos problemas. A ex-submissa de Grey leva a perseguição a um outro nível quando resolve invadir o apartamento dele e ficar observando Ana enquanto ela dorme. Eu mencionei que ela está em depressão e tem posse de arma?


(Quem é essa mulher ocupando o meu lugar na cama, Christian? QUEM?!)


O casal feliz se desespera e foge para um lugar e remoto e precário, de forma a esconder melhor sua atual localidade. Ha, claro que não, eles vão para um hotel cinco estrelas, compram um carro caríssimo e depois fazem um passeio de iate. Pra que se preocupar com uma louca armada que está te perseguindo? Cautela é para os fracos!

Por algum milagre, nada acontece enquanto eles estão nessa mini-férias, mas os problemas pioram quando resolvem retornar a vida real. O chefe de Ana, todo fanfarrão, já deixou bem claro o quanto gosta dela, e resolveu convidá-la para acompanhá-lo em uma viagem à Nova Iorque. O que o Christian faz? Compra a empresa na qual Ana trabalha e corta orçamento da viagem, de forma que somente o chefe vá. Super normal, não é?


("Quê? Controlador? 'Magina, querida! Faço isso pelo seu próprio bem)


Só para melhorar, a equipe de detetives (ou assassinos profissionais, vai saber) de Grey não consegue encontrar Leila (a ex problemática), o que põe nossa querida protagonista em perigo. A princípio, Christian se recusa a deixar Ana ir para o trabalho, claro, porque ele manda até nisso, mas após muitas brigas os dois chegam a um acordo: ela vai, sim, acompanhada de um segurança.

Ana trabalha tranquilamente, até sai uma vez do escritório, seguida pelo fiel escudeiro de Grey, e volta sem nenhum problema. Todavia, a sensação que tenho é que todos os personagens do livro são acéfalos, e quando Christian a pega no trabalho e a leva para casa mais tarde, ninguém se preocupa em checar se Leila está lá. E é claro que ela está.


(Espero que você goste de balas...de metal!)

Depois de uma conversa fiada entre as duas morenas, Christian, o motorista e o segurança aparecem e dão um jeito na situação. Como? Com força bruta? Tirando a arma da mão dela? Não. Basta Sr. Grey olhar para a garota de um jeito específico que ela solta a arma e fica na pose de submissa (de joelhos no chão, olhando para baixo), porque no mundo de E.L. James, tudo é possível!

E os problemas não param por aí! Logo após se livrarem de Leila, Ana é quase abusada sexualmente pelo seu chefe - que acaba levando uma surra de Christian, Elena surta e fala para Grey que o amor é para tolos e Christian precisa dela para viver, etc.

Só uma coisa positiva acontece: Ana é promovida no trabalho! Claro, porque seu chefe foi demitido. Sim, ela só tem um mês de experiência, e mesmo assim vira editora chefe. Quem disse que isso não acontece? O mercado de trabalho? Todas as empresas e chefes do mundo? PFFF, e o que é que eles sabem! Nada, assim como E.L. James.

Ignorando todo o drama desnecessário, lembram que eu mencionei um prólogo? Pois é. O prólogo é sobre a infância de Grey. Sua mãe era drogada e seu padrasto um alcoólatra. O prólogo é uma cena da memória de Christian, uma das várias vezes que apanhou do padrasto, depois da mãe apanhar, claro. Ninguém para salvá-lo, ninguém para defendê-lo, nem mesmo a própria mãe. E é por isso que...




Não sabe inglês? Não se preocupem, eu conto para vocês o que ele disse nessa parte do livro. É por isso que ele é sádico e odeia ser tocado em certas partes do corpo. É por isso que ele só namora morenas. Ele gosta de bater em mulheres morenas, pois todas elas parecem com a mãe dele. Ou seja, cada vez que ele fica com uma mulher nova, ele imagina a mãe apanhando. E sente tesão por isso. O relacionamento deles saiu de um livro de Freud? 'Magina!

("Querida, você é a cara da minha mãe! Vem cá para eu te dar uns tapinhas, vem!)


E essa foi mais uma resenha da minha Inquisição Literária. Espero que tenham gostado, e que possam passar essa resenha para alguém que goste desse livro/personagem. Seja lá quem for essa pessoa, ela precisa acordar para a vida. A não ser, é claro, que apanhar e ser a cara da sua sogra sejam características de um relacionamento saudável.

(E ainda falta mais um livro dessa saga...)

Por: Gaby