20 outubro 2012

Tag: Livros + Emoções (por Mara)


Morrissey, cantor e compositor inglês
Assim como a Michelle e a Jana, resolvi aderir à Tag: Livros + Emoções e compartilhar aqui com todos vocês o resultado dessa sinestesia. Antes de tudo, quero expressar que eu não saberia descrever o sentimento exato que brota dentro do seu peito quando você percebe que existe muito mais em comum entre você e seus amigos do que poderia supor. Dito isso, vamos evitar discursos melosos e go ahead:

Que livro fez você se sentir:

1) Feliz:

Pensei, pensei e pensei, mas não me veio nenhum livro à cabeça. Pôxa, será que sou MUITO triste e possuo um daqueles humores depressivos que vigoram o tempo todo e não consigo nem ficar feliz ao terminar de ler um livro? Certamente não. Mas não consigo lembrar de nenhum livro que tenha me feito abrir um sorriso enorme ou descansar na cama com o espírito de mais pura contemplação. E olha que gastei 35 minutos do momento em que comecei a escrever este texto até aqui. Todos os livros que leio me despertam os mais diferentes e variados sentimentos, mas realmente não consigo lembrar de nenhum que tenha me deixado simplesmente feliz. Acho que ele deve estar esperando por mim em algum lugar. (:

2) Triste:

Os Miseráveis, clássico do francês Victor Hugo. 

Chorei o livro quase todo, essa é a verdade. "Testemunhar" o rolo compressor de miséria, fome, injustiça e violência contra o pobre Jean Valjean, assim como com todos os que ele vai encontrar pelo caminho, não é tarefa fácil. No meio de duas grandes matanças, está uma população paupérrima, sem assistência, sem vida. Pessoas passam décadas na cadeia por roubar um pão para não morrer de fome, mulheres são abandonadas à própria sorte com filhos pequenos e precisam se mutilar física e moralmente para sobreviver (trabalho degradante, humilhações, prostituição), crianças são tratadas como insetos e espancadas e a sociedade estratificada não permite ascensão, só repressão. É um corte cirúrgico sem anestesia, expondo realidades nada diferentes do mundo atual. 

Wallpaper do filme Os Miseráveis, com lançamento previsto para 2013
3) Nervosa (com raiva)

Presentes da Vida, da Emily Giffin.

A protagonista é uma idiota, não produz empatia e o livro foi bem abaixo do que eu esperava. Terminei em uma sentada, mas senti uma certa frustração interna. Escrevi sobre isso aqui no Dose. 

4) Nostálgica

Pretinha, Eu?, um dos meus livros preferidos. 

O li pela primeira vez quando era criança mas, volta e meia, sempre o pego novamente. Leitura leve, rápida e que me faz lembrar como as pessoas mudam - e essa mudança começa dentro de casa.


Christian Bale na pele do psicopata americano

5) Assustada

Psicopata Americano, obra sensacional do Bret Easton Ellis.

Eu não tenho o hábito de ler muitos livros de terror pelo terror. Enredos como "o cara que aparece na cidadezinha com a serra elétrica na mão e mata todo mundo", ou o "psicopata que toca o terror no campo universitário", ou o "devorador de virgens", não são leituras do meu repertório. Gosto do terror e do suspense que funcionem como uma reação em cadeia (por mais estranho que isso possa parecer), que tenham um motivo maior do que o sangue, que sejam maiores do que eles mesmos. O Psicopata Americano é, sem dúvidas, um dos livros mais perversos e geniais que eu já li. Bret E. Ellis consegue dar um surto racional às insanidades homicidas de Patrick Bateman. O livro é tão bom, tão bom, que eu realmente me assustava e já tive pesadelos noturnos com ele (juro!). Escrevi sobre ele aqui e recomendo que você leia. Meu temor - assim como o horror da obra - são fundamentados. 

6) Surpresa

As aventuras de Sherlock Holmes - Arthur Conan Doyle

Eu sempre me surpreendo. Os aforismas de Holmes, sua sagacidade, observação clínica dos acontecimentos e seu temperamento ácido são imbatíveis! Ainda estou pensando sobre isso, mas se existem livros que me arranquem felicidade, talvez todos os volumes das Aventuras de Sherlock Holmes estejam bem próximos disso. 

7) Desapontada

Eles Eram Muitos Cavalos - Luiz Ruffato

Admiro a capacidade de Ruffato de não poupar ninguém, mas isso não foi suficiente para que eu não me sentisse confortável ou empática com o livro. Certamente, "é um livro que não pode faltar na sua estante", mas talvez precise faltar na minha.

8) Angustiada, aflita, agoniada

Psicopata Americano - Bret Easton Ellis.

Tópico número 5, por favor.

Betty Page comodamente lendo
9) Confusa

Contos de Amor, de Loucura e de Morte, do Horacio Quiroga

Sei de todas as aflições ao estilo Edgar Allan Poe que Quiroga passou, culminando em suicídio. Talvez por isso, já sugestionada pela vida do autor, a obra me pareceu um círculo de confusões sentimentais: tristeza, desilusão, amor, doação, lembranças. Terminei de ler, sentei na cama e fechei os olhos. Não consegui processar mais nada depois disso e dormi.