02 novembro 2012

1001 Livros: As Horas

02. As Horas - Michael Cunningham

Em março fiz esse post, onde eu começava a minha série de posts sobre os 1001 livros para ler antes de morrer. Depois de tanta demora, voltei para falar de um dos melhores livros que eu li neste ano, As Horas. O primeiro contato que eu tive com esse livro foi através de sua adaptação para o cinema. Rapidamente ele entrou para a minha lista de filmes favoritos e fiquei ansiosa para ler o livro. Até que neste ano, a Eni me presentou com o mesmo. 

O livro é dividido entre três personagens e três épocas distintas. Temos Clarissa Vaughan em Nova Iorque, no final do século XX. Ela é uma lésbica de meia idade que vive uma relação completamente ambígua com seu amigo gay, Richard. Ele a apelida de Mrs. Dalloway. No final dos anos 40, temos Laura Brown, grávida, vivendo em Los Angeles com seu marido e seu filho. Ela lê a obra Mrs. Dalloway e se sente inquieta vivendo na rotina entediante. E voltando mais no passado, temos uma fictícia Virgina Woolf, atormentada por sua própria mente, vivendo com o marido no campo e escrevendo a obra Mrs. Dalloway.

Elenco do filme "As Horas"
O livro é considerado denso e de fato é, mas não há como não se envolver com a escrita de Cunningham. É quase um prazer voyerístico acompanhar a vida inteira dessas mulheres em apenas um dia. Clarissa está organizando uma festa para seu amigo Richard, busca perfeição em cada detalhe. É aniversário do marido de Laura Brown, ela busca perfeição ao fazer um bolo para ele, que sai errado. Virginia busca perfeição em seu livro, Mrs. Dalloway, em que a protagonista começa dizendo que ela mesma compraria as flores. 

Épocas distintas, vidas aparentemente diferentes, mas todas ligadas de alguma forma, seja pela busca da perfeição nos mínimos detalhes, o sentimento de frustração com elas mesmas e o tom melancólico que permeia suas vidas. Cunningham com sua escrita delicada, mas ao mesmo tempo complexa, nos insere no mundo dessas três mulheres e é impossível sair imune dele. 

O autor recebeu o Prêmio Pulitzer em 1999.

Michael Cunningham