Celton (ou sobrevivendo da própria arte)

Lacarmélio Alfêo de Araújo é um homem de coragem.
Vende suas artes pelas ruas de BH, seja debaixo de chuva ou sol escaldante.
Lacarmélio desenha, cria, edita e publica suas próprias histórias em quadrinhos, o Celton, desde a década de 80.
Lacarmélio é um sobrevivente.

Conheci Celton como a maioria dos belorizontinos: num sinal de trânsito. É ali, diante de carros, ônibus, buzinas e caos que Lacarmélio os vende (pelo preço módico de R$2) suas criações.
Já havia o visto em outras ocasiões em lugares distintos e - acreditem - MUITO longe um dos outros.
A primeira vez que o avistei foi na Av. Amazonas, depois na Savassi e por fim (quando adquiri um exemplar de Celton) no viaduto da Av. Cristiano Machado.
Lacarmélio, como sempre, foi hiper simpático na hora de vender seu "produto" e parou alguns segundos (em meio a um engarrafamento monstro) pra falar com a gente.


A história de Celton e Lacarmélio se mesclam em uma só: o homem, mito, que em suas aventuras encorajam as pessoas a encarar seus sonhos e trabalhar com afinco por eles. Ambos são exemplos de dedicação a uma causa, liberdade e luta pelos objetivos. 
Aos poucos, Celton e Lacarmélio, são reconhecidos (na história e vida real) como personagens interessantes que levam a vida "gauche" nesse mundo de pessoas que preferem se contentar com o que já tem.

Os cenários de Celton são sempre Belo Horizonte, por vezes São Paulo ou Rio de Janeiro. Os traços são experientes e, pasmem, me lembrou muito Carlos Zéfiro (apesar da temática não ser a mesma).
O acabamento da revistinha é melhor que muita publicação bem patrocinada por aí e Lacarmélio não abre mão da boa qualidade, apesar do preço cobrado ser muito pequeno.
Ele faz isso por amor e vocação.

O post de hoje foge da resenha mas não poderia ser diferente, pois fiquei impressionada com a história desse mineiro que não desiste de sua busca: manter os quadrinhos brasileiros em plena produção, sem precisar se render aos estrangeirismos.

Parabéns, Lacarmélico, ganhou mais uma fã!

Comentários

  1. Que história incrível! É uma verdadeira história de amor e dedicação mesmo!
    Fiquei super curiosa para conhecer os quadrinhos dele, pena que moro tão longe.
    Parabéns pela iniciativa de divulgar o trabalho!!

    Beijos,
    http://pitadadecultura.blogspot.com.br/

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    1. Gabriela, não sei se Celton vende pela internet.
      Em todo caso, quando eu reencontrar Lacarmélio, eu pretendo comprar alguns exemplares para serem sorteados aqui.
      Fique de olho,bjs

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  2. Velho, um dia estava eu perdida no Bairro Prado. Vi ele no sinal e resolvi trocar umas ideias e de quebra comprar uma HQ dele. Quando o perguntei se ele sabia que ônibus me levava a região da Pampulha, ele falou que iria me dar uma carona de moto e tentar vender algo na Antônio Carlos.


    Loucura total! Huahuahauha

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  3. Que ideia genial a desse cara! Adoro gente assim.
    Ao invés de esperar sentado a oportunidade de ter seus trabalhos conhecidos e reconhecidos, ele corre atrás de verdade.
    Jana, quando o encontrar novamente lembra de pegar um quadrinhos pra mim?
    A gente acerta isso ai. ;)
    Fala pra ele vender pelo blog tbem, não vi nenhum e-mail de contato p/ comprar online.

    Beijão.

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    1. Eni, pode deixar flor...tô planejando mandar um email pra reencontrar o Lacarmélio e entrevistar ele pro Dose...além de conseguir uns exemplares de Celton pra todos.
      :)

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