21 novembro 2012

O diário e os livros de Anne Frank

O Diário de Anne Frank é um dos livros mais conhecidos no mundo, é um diário escrito pela adolescente judia Anne Frank em seu esconderijo de 1942 a 1944 na Holanda durante a 2ª Guerra Mundial.
Anne Frank, sua família e a família van Pels esconderam-se no anexo do sótão localizado atrás do escritório de seu pai Otto Frank. Durante dois anos, Anne escreveu sobre seus pensamentos de adolescente, sua rotina e a rotina das famílias no anexo, além de comentar notícias que recebia sobre a Guerra. 
"Nós costumamos perguntar, em desespero: 'Qual é o sentido da guerra? Por que, por que as pessoas não podem viver juntas em paz? Por que toda essa destruição?'"

Uma das coisas que me chamaram a atenção no Diário, foram as várias demonstrações de curiosidade e amor pela leitura que Anne tinha e que apesar de não poder frequentar a escola, continuava com seus estudos e adorava ler livros. 
As famílias conseguiram sobreviver no esconderijo durante esse tempo, também por ajuda de outras pessoas: alguns funcionários e amigos de Otto Frank e Hermann van Pels que traziam alimentos, objetos (em geral) e livros.

Anne Frank
"Nós esperamos ansiosamente pelo sábado. Parecemos um punhado de crianças com um presente. As pessoas comuns não sabem o quanto  os livros significam para alguém escondido. Nossas únicas diversões são ler, estudar e ouvir o rádio."

A título de curiosidade, separei um trecho do livro/diário em que Anne descreve os interesses literários de cada um no anexo. 

Terça-feira, 19 de maio de 1944
Os interesses de nossa família no Anexo

(Uma pesquisa sistemática sobre cursos e leituras)

Hermann van Pels
Sr. van Pels - Nenhum curso; procura muitas coisas na Enciclopédia e no Dicionário Knaur; gosta de ler histórias policiais, livros de medicina e romances, empolgantes ou banais.
Sra. van Pels - Cursos de inglês por correspondência; gosta de ler romances biográficos e, às vezes, outros tipos de romances.
Peter van Pels - Está estudando inglês, francês (curso por correspondência), taquigrafia em holandês, inglês e alemão, correspondência comercial em inglês, marcenaria, economia e às vezes, matemática; lê raramente, algumas vezes, geografia.
Fritz Pfeffer - Está estudando inglês, espanhol e holandês, sem resultados visíveis, lê de tudo, segue a opinião da maioria.
Otto Frank

Sr. Frank - Está estudando inglês (Dickens!) e um pouco de latim, nunca lê romances, mas gosta de descrições sérias e secas sobre pessoas e lugares.
Sra. Frank - Curso de inglês por correspondência; lê qualquer coisa, menos histórias policiais.
Margot Frank - Curso de inglês, francês e latim por correspondência, de taquigrafia em inglês, alemão e holandês, trigonometria, mecânica, física, química, álgebra, geometria, literatura inglesa, literatura francesa, literatura alemã, literatura holandesa, biblioteconomia, geografia, história moderna, biologia, economia; lê de tudo, de preferência religião e medicina.  
Anne Frank - Taquigrafia em francês, inglês, alemão e holandês, geometria, álgebra, história, geografia, história da arte, mitologia, biologia, história bíblica, literatura holandesa; gosta de ler biografias, chatas ou empolgantes, e livros de história (âs vezes, romances e leituras leves).
Além de ler e estudar, Anne gostava muito de escrever e queria ser jornalista e escritora. No período que passou escondida, escreveu 14 contos e 16 ensaios. 

"Depois da guerra, eu gostaria de publicar um livro chamado O Anexo Secreto. Resta ver se conseguirei, mas meu diário pode servir de base."

Na manhã de 4 de agosto de 1944, o esconderijo foi descoberto e as famílias levadas pela Polícia de Segurança. Anne Frank morreu de tifo em fevereiro de 1945 no campo de concentração Bergen-Belsen na Alemanha. O único sobrevivente foi Otto Frank que anos depois editou e publicou o diário da filha.

"Quero continuar vivendo depois da morte!"