14 novembro 2012

Olhos Azuis, Cabelos Pretos - Marguerite Duras [7 livros em 7 dias]

A escritora francesa e diretora de filmes Marguerite Duras (1914-1996), nascida no Vietnã, compôs diversas peças de teatro, novelas, filmes e narrativas curtas ao longo dos seus 81 anos. Seu trabalho foi associado ao movimento chamado nouveau roman (novo romance) e com o existencialismo. Entre algumas de suas obras mais conhecidas estão "O Amante", "A Dor", "O Amante da China do Norte" e "O Deslumbramento", mas sua bibliografia é vasta, contendo 48 obras publicadas e 19 filmes.


“O Amante” (1984) indicado como sendo um dos 1001 Livros Para Ler Antes de Morrer, foi sua obra mais lida e traduzida, que ganhou diversas adaptações para o cinema, e foi considerado o seu livro mais autobiográfico, recebendo o Prêmio Goncourt, o mais importante da literatura francesa e se consagrou como sua obra mais célebre.

Mas a obra aqui em questão “Olhos Azuis, Cabelos Pretos” (Les Yeux bleus, Cheveux noirs, 1986) nesta edição da Círculo do Livro (100 páginas), me surpreendeu em dois aspectos, pela forma contada, e pelos elementos utilizados. Não se trata de um romance convencional, e para compreendê-lo muito bem (coisa que até agora eu não consegui), deve-se sentar, ler e só parar na última palavra, porque é esse o ritmo que a leitura exige.
Sabe uma história estranha de se ler? No final me perguntei em que parte eu havia me perdido, e o que eu não havia compreendido, mas que de várias formas me trouxe reflexões, e até hoje me pego pensando sobre a história, os personagens, os diálogos, como cenas cotidianas aleatórias da vida alheia, não como uma história com começo, meio e fim.

Cada parágrafo parece descrever uma fotografia, uma imagem congelada. Bom, se seguirmos a mente de uma diretora de cinema, nesse sentido fica mais fácil entender os porquês, basta a nós, leitores, termos a mesma visão apurada da autora e montarmos esses quadros. É simples e não é.

A certa altura me vi angustiada com a história, que não possui “João” nem “Maria”, narrada em terceira pessoa, no meio da narrativa a autora corta a cena e leva o leitor à um palco de teatro usando parágrafos curtos, que, segundo a autora, são "verdades pouco reproduzíveis em palavras".

Nenhum nome é citado, mas temos os personagens “ele”, um homem que aparentemente não gosta de mulheres apesar de conotar específica admiração por “ela”, uma suposta garota de programa (não fica bem claro na história) que sai com vários homens, e o casal tem em comum a lembrança de um terceiro personagem, o jovem de olhos azuis, cabelos pretos.

O homossexual é apaixonado por uma visão, apenas conheceu o tal rapaz de vista. Ela, ama uma ilusão, conhecia-o apenas por encontrá-lo em um hotel, mais nada.

Ambos se conhecem em um bar e travam um acordo: vão morar juntos num lugar isolado. Mas, ele não fala e nem toca nela, só paga-lhe para estar ali e ela, fica. Com o passar do tempo essa mulher apaixona-se por esse homossexual que por vezes tem medo dela, por vezes tem nojo, mas que insiste em vê-la nua e que lhe toca enquanto ela dorme, ou, finge que dome...


Encontrei este livro num sebo, por módicos R$3,00, e pelo nome da autora levei-o sem pestanejar, mas sem fazer ideia do que se tratava. Tempos passado na estante, ele é escolhido para ser um dos 7 livros que eu leria no ritmo de 7 dias ininterruptos, e juro pra vocês que quando eu começar a entender esta história, volto aqui para fazer uma resenha decente.