24 novembro 2012

Viúvas em fuga e controle climático


Sidney Sheldon é um nome carimbado na lista dos mais vendidos do The New York Times. Não, isso não é pouca coisa. Amado pelo público e rejeitado pela crítica, Sheldon desenvolvia narrativas de suspense com dose tripla de assassinato-intriga-medo. O trabalho de roteirista deu a Sidney Sheldon uma capacidade cinematográfica de desenvolver as tramas dos seus livros, cheios de mulheres corajosas, homens nocivos e alguma coisa de muito valor em jogo. A fórmula deu certo para os dezoito romances publicados, rendendo ao autor descendente de judeus alemães e russos a marca de 300 milhões de livros vendidos.

Sidney Sheldon, o vovô do suspense.
Enquanto a crítica continua esbofeteando o trabalho de Sidney Sheldon, um dos últimos livros do escritor, que morreu em 2007, é lançado três anos antes da sua morte: "Quem Tem Medo de Escuro?" (Are You Afraid Of The Dark?, editora Record, pág. 378, 2004). A narrativa não foge à regra: Um grupo de quatro pessoas, em pontos diferentes do planeta, são assassinadas em circunstâncias que transparecem suicídio. Duas viúvas inconformadas, Diane Stevens e Kelly Harris, se veem às voltas em uma perseguição acirrada e a eterna "busca pela verdade". Os maridos eram funcionários da bilionária empresa KIG (Kingsley International Group), comandada por um ambicioso e aquilino executivo de nome Tanner. O grupo em questão trabalhava com desenvolvimento de tecnologia de ponta voltada para estratégia militar, telecomunicações e questões relativas ao meio ambiente, ou seja, 90% dos interesses político-empresariais que têm dominado o mundo desde a Guerra Fria (ou desde sempre). 

Para descobrirem o que aconteceu aos seus maridos e os outros cientistas mortos, Diane e Kelly empenham uma tentativa de fuga contínua, com chances remotas até mesmo de respirar ou mudar a roupa de baixo. Assim como o "Grande Irmão", Tanner Kingsley tem olhos e ouvidos em todo lugar, conseguindo identificar onde as mulheres estão e o que estão fazendo. Para completar, o executivo faz uso dos famosos capangas para os trabalhos sujos (os nossos conhecidos jagunços dos coronéis, sabe?), e toca o terror na vida de qualquer um que queira destruir as intenções dele de 'dominar o mundo' - como diria Cérebro, o ratinho inteligente da nossa infância.

O tom de suspense dá a tônica da narrativa e o leitor pode acompanhar a saga de duas viúvas artistas e endinheiradas (uma pintora e outra modelo), que se deslocam de um lugar para o outro com muita facilidade e são excepcionalmente inteligentes. Quanto a isso, sem maiores problemas. Mesmo sabendo que organizar viagens gera providências e burocracias acima do desejado, o leitor pode engolir toda essa peripécia aérea e terrestre em nome de uma trama bem construída, o que é o caso. Repetições existem e comparações com as obras passadas também. Mas isso não tirou o meu ímpeto de continuar lendo e acabar esbarrando em um único assunto que ficou - e continua - martelando minha cabeça por dias: a possibilidade do controle climático.

Vista do local onde o projeto HAARP funciona

No final do livro, há um posfácio onde Sheldon aponta os Estados Unidos e a Rússia como os dois países capazes de controlar o clima do mundo. Com certeza, o autor tomou por base dados e informações sobre o assunto, mas ainda assim o material é escasso. Pesquisando para escrever este texto, tive contato com informações superficiais sobre a HAARP, projeto militar dos EUA que pode se tornar uma verdadeira arma geofísica. Com o controle das propriedades físicas e elétricas da ionosfera terrestre, existe forte possibilidade de manipular o clima do mundo, provocando um cem número de catástrofes naturais. Estamos falando aqui de terremotos, furacões, enchentes, maremotos, incêndios e outros cataclismos que podem acontecer em áreas delimitadas. 

Interessante o toque em um assunto como esse, tão atual, e que lança no leitor uma pitada grande de curiosidade sobre o tema, muitas vezes rotulado de "ficção" ou "teoria conspiratória maluca". Para mim, "Quem Tem Medo de Escuro?" veio em um bom momento e me faz pensar sobre como todos nós ainda estamos no escuro em relação a um monte de informações que nos dizem respeito. Assim como a capa do livro na versão brasileira, nós estamos espionando o futuro das nossas vidas pela fechadura da porta ou, no máximo, por uma pequena fenda. Não conhecemos nada, nossas informações são superficiais e tudo o que parece ser não é. 

Se o livro do Sidney Sheldon vale a pena? CLARO que vale. Recomendo que você leia e, de quebra, pesquise, enverede, teste possibilidades. Para facilitar um pouquinho o trabalho, aqui vão alguns links sobre o tema: