03 janeiro 2013

Ecce Homo – Como se chega a ser o que se é

Ecce Homo - Eis o homem!
Essa espécie de autobiografia escrita em 1888 pelo filósofo alemão Friedrich Nietzsche (saúde!), foi seu penúltimo livro escrito antes de falecer, dois anos depois, de “loucura” causada pela sífilis, em Weimar na Alemanha.
Nos capítulos Por que sou tão sábio, Por que sou tão inteligente, Por que escrevo livros tão bons e Por que sou um destino, Nietzsche praticamente se declara “dig din dig din dig din sou foda” (e ele é!), e faz criticas cruas, sem hesitar, contra a moral (principalmente a ligada ao Cristianismo), a sociedade alemã da época, a religião, a maioria dos grandes filósofos, e até mesmo contra sua própria família, especificamente mãe e irmã.
 
Antes mesmo deste ateu e imoralista declarado, falecer, sua irmã Elisabeth Foester (que era simpatizante do movimento hitlerista), se apossou dos escritos não publicados do irmão, tomando para si os direitos autorais das obras, modificando alguns dos escritos e tentando ligar as ideias de Nietzsche ao Nazismo, e favoritando o partido, obviamente.

Mas ao contrário do que se pensa, Nietzsche não era anti-semita (nem niilista!!! [o que era Nietzsche, afinal, além de um übermensch?]), ele, inclusive, abominava e criticava qualquer forma de racismo (aliás, o que é que Niet não criticava, me diz!), e em Ecce Homo ele deixa bem claro, com as palavras mais explícitas possíveis que apesar de ser natural da Alemanha e ter passado boa parte da sua vida entre os alemães, ele não suportava a raça, justamente por se considerarem a raça suprema, ariana, a mais pura e toda aquela conversa nazista.

Há um trecho em Ecce Homo (mais especificamente na página 24) em que o autor faz uma dura critica à sua mãe e irmã, porém, durante sessenta anos esse trecho foi censurado por Elisabeth e substituído por outro, feito pela própria, tecido de elogios às duas. Sacanagem!
Imagina o que Nietzsche diria sobre isso se tivesse tido a oportunidade.

Já em estado catatônico devido a sífilis, ao lado
da irmã, Elisabeth.

Complementando o capítulo Por que escrevo livros tão bons, ele cita suas mais importantes obras e faz pertinentes e importantes comentários pessoais sobre cada uma delas, são:
I – O Nascimento da Tragédia
II – As Intempestivas
III – Humano, Demasiado Humano
IV – Aurora
V – O Alegre Saber (A Gaia Ciência)
VI – Assim Falava Zaratustra
VII – Além do Bem e do Mal
VIII – Genealogia da Moral
IX – Crepúsculo dos Ídolos
X – O Caso Wagner

Super-Nietzsche

Ecce Homo além de uma autobiografia e uma auto-análise psicanalítica, é também um guia aos leitores deste sem-Deus que, nesta obra, percorre sua própria vida sob todos os aspectos: físico, intelectual, psicológico, social e espiritual. Nietzsche se analisa e fala de si próprio, com evidente exaltação, mas tecendo perversas criticas contra ele mesmo, simplesmente por ser homem, um ser humano, demasiado humano.

Eu pessoalmente preferiria ter lido este livro após ter lido toda a sua coleção de obras, por soar como uma “conclusão” de vida e carreira, portanto, faz mais sentido e é melhor compreendido por quem já o conhece mais a fundo. Mas ao ler Ecce Homo, além de conhecer mais sobre o autor, pude compreender melhor a mente deste notável pensador mau-humorado que tanto admiro. Também já conheci sua opinião sobre religiões após a leitura de “O Anticristo”, e já defini como meu próximo livro de filosofia a sua Magnum opus “Assim Falava Zaratustra”.
Nietzsche é definitivamente o meu filósofo favorito.


Ficha Técnica:
Título original: Ecce Homo – Wie man wird, was man ist
Autor: Friedrich Nietzsche
Gênero: Filosofia; Autobiografia
Editora: Escala
Páginas: 123
Ano: 2006
Preço sugerido: 5,00





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