07 janeiro 2013

Morte Súbita e Uma Breve Comparação

OK, para começar, eu sou suspeita para falar de J.K. Rowling. Sou fã, FÃ, (!!) de Harry Potter, tão fã que cheguei a ir na última pré-estreia fantasiada. Por ser tão fã, estranhei várias críticas que ouvi e li sobre seu novo livro, Morte Súbita, por sorte ganhei o livro de aniversário, e devo dizer...


Sou foda, dig din, dig din
O livro é muito bom! Vários elementos do livro tem a cara da Rowling, a escrita continua brilhante e a qualidade da sua tragicomédia me surpreendeu. Infelizmente, muitos fãs dela não gostaram, mas não creio que essa recepção negativa ocorreu por ele ser ruim e sim ser por ele ser o completo oposto de tudo que ela já escreveu.

Tudo começa com a morte súbita de um personagem que assombra todos os outros pelo resto do livro: Barry Fairbrother (não taquem pedras em mim, não dei spoiler, isso está escrito na própria sinopse do livro). Barry fazia parte do parish council, a junta paroquial, que em qualquer outra cidade não costuma representar nada. 


Acima está escrito tudo que uma junta paroquial faz. 
Entretanto, Pagford é uma cidade pequena, daquelas que os vizinhos adoram fofocar e se meter na vida dos outros, um pouco de poder já representa muito e fazer parte da junta paroquial é quase como ser o Primeiro-Ministro da Inglaterra (só que não). 

No livro, todas as famílias tem um problema, uma briga, um interesse escuso, algo, relacionado a junta paroquial, e a morte de Barry (e a morte de sua influência sobre os outros membros da junta) afeta a cada uma dessas famílias e seu integrantes. 

Não vou mencionar mais nada, vale a pena ler o livro e descobrir o que acontece! Todavia, para aqueles que são fascinados por suspenses de ficar na beirada da cadeira roendo as unhas de ansiedade, terror de dar gritos ou romances avassaladores esse livro será muito chato de ler. 

O livro é chocante em algumas partes, mas sua principal temática é a natureza humana, a realidade. O que faz a morte desse personagem ser tão impactante nessa pequena sociedade é como todas as pessoas de seu círculo reagem a sua morte, agem de acordo com seus interesses sem pensar muito nos outros e acabam proporcionando (direta ou indiretamente) o acontecimento crítico do livro (que eu não falarei qual é). 


Para quem gosta de saber um pouco mais sobre a mente humana, entender o que passa na alma de cada um e observar como pequenos atos causam grandes consequências, vale muito a pena ler. A percepção de Rowling é fenomenal e ela é capaz de descrever as coisas mais tristes e bizarras sobre o ser humano. Para quem é fã dela e de Harry Potter, vale a pena ler um trabalho muito mais maduro, uma Rowling mais ousada, algo diferente.

I'm awesome and I know it! And I'm not afraid to show it.


Uma Breve Comparação

De um lado, um inofensivo castelo de bruxos, cheio de monstros e fantasmas, de outro, uma aterrorizante cidadezinha, cheia de pessoas sem um pingo de compaixão.


Harry Potter e Morte Súbita, impossível ver qualquer semelhança, certo? Errado. Para começar, Rowling ama ter uma quantidade relativamente absurda de personagens em seus livros, então, se você pretende ler só nos finais de semana, melhor começar a treinar a memória! Pelo que me lembro, temos oito principais famílias, com uma média de três integrantes em cada. Cada um com uma história. Boa sorte. 

Outra semelhança inevitável é sua forma de escrever. Um exemplo, muitos fãs de HP detestaram o protagonista no quinto livro da série, pois ele tinha entrado em uma certa depressão e ficava reclamando o tempo todo. Tudo que se passa na mente do personagem, seus desejos que ele nega o tempo todo, seus medos, tudo, você, querido leitor, sabe. Como eu disse antes, ela tem uma percepção incrível e sabe descrever o lado mais obscuro de seus personagens. 


Assim como em Harry Potter, todos os personagens, suas histórias, interesses, paixões, etc, estão interligados e a ação de um sempre afeta o outro. 

Diferenças? Essas são várias! Logo nas primeiras páginas me lembro de ter ficado com os olhos arregalados ao ler um palavrão. Não é como se eu não falasse ou ouvisse palavrões no dia-a-dia, o choque foi ler um palavrão em um livro de uma escritora que, até então, só escrevia livros infanto-juvenis. 

O gênero do livro é, também, a grande diferença e o grande choque. Ao contrário do altruísmo, coragem, benevolência e compaixão que vemos em Harry Potter, todos lutando contra o mal (yay!), Morte Súbita mostra um lado mais real, e mais triste do ser humano. 

E, é claro, ninguém tem varinha mágica ou vira-tempo nessa história (bem que eles queriam ter, especialmente no final do livro).

Enfim, deixo um conselho para vocês: caso sejam fãs, superem o choque e as diferenças e deem uma chance para uma história fantástica de uma autora que vocês já admiram; se esse não é o caso, deem uma chance para um livro completamente diferente do que ela já escreveu até agora. Seja como for, o leiam!