23 janeiro 2013

(Preparem os lencinhos) O Menino do Pijama Listrado


Se você for uma pessoa que se emociona fácil, compre umas caixinhas de lencinhos, prepare um copo de leite quente, um travesseiro e uma bela série de comédia para assistir após ler esse livro. Não querendo dar spoiler, mas já dando um spoiler, esse livro é triste. Bem, não podia ser diferente, já que a história se passa na época da Segunda Guerra Mundial. 





O livro começa de forma tranquila, apresenta uma família normal, pai, mãe, irmã e irmão. A família teve de se mudar por causa do trabalho do pai, um oficial de alto escalão da SS, mas Bruno, o garotinho, não gosta do lugar, não entende muito bem o que seu pai faz, mal sabe pronunciar o nome do local onde moram (ele chama de "Haja-Vista"...lembra o nome de algum campo horroroso na Alemanha?), e vive irritando o pai quando erra o título do seu chefe e o chama de "Fúria". Nem preciso mencionar quem é o cara simpático que merece esse apelido, certo?

Bruno, cansado de ficar o dia todo trancado em casa e motivado pela boa e velha curiosidade infantil, resolve contrariar a ordem de seus pais e explorar o quintal gigantesco de sua casa. Lá ele acha uma cerca enorme, e do outro lado da cerca, quem diria (!), um garotinho da idade dele. 

Somos praticamente iguais! Só que não.
Shmuel se torna o novo e único amigo de Bruno. Bruno, todo sapeca, sempre dá um jeito de escapar de dentro de casa após as aulas com seu tutor judeu (Liszt) e ir brincar com seu amigo igualmente judeu. Judeu para cá, judeu para lá, campo de concentração visível da janela do seu quarto, o que acontece com a curiosidade do Bruno? Aumenta, claro. 


Bruno começa a questionar sua irmã, o tutor e até Shmuel sobre o que acontece do outro lado da cerca e, mais especificamente, o que acontece com os judeus. Ele não descobre nada de muito útil ou concreto, já que sua irmã não sabe o que responder, Liszt está ficando assustadoramente mais magro e aparentemente doente a cada aula (e também não fala nada), e Shmuel parece saber tanto quanto ele. 

Num belo dia, Bruno tem a chance única de descobrir o que há do outro lado da cerca, e é então que...

Que eu não vou contar, claro. Esse é um livro fininho que vale muito a pena ser lido. O final é chocante, e o que mais me impressionou no final é que ele não dá aquela sensação de "OK, acabou", mas sim faz um milhão de perguntas surgirem na sua mente. Sério, leiam esse livro (ou pelo menos vejam o filme). 

Curiosidades


Ao contrário do que fez em seus trabalhos anteriores, em que o autor, John Boyne, passava meses planejando e aperfeiçoando seus livros, John escreveu o primeiro rascunho de O Menino do Pijama Listrado em apenas dois dias e meio, quase sem dormir até terminar. Queria ter uma inspiração dessas e fazer um dos mais emocionantes best-sellers da história dos best-sellers. OK, exagerei, é que esse livro vendeu...

CINCO MILHÕES DE CÓPIAS!

O que não parece muito perto de livros como Senhor dos Anéis, Harry Potter, Cinquenta Tons de Baboseira Cinza, etc, mas pensem bem, ele escreveu esse livro em apenas dois dias e meio. Poxa, foram os dois dias mais produtivos da vida do cara. Ele devia construir um templo para esses dois dias. Adorar esses dois dias. Virar o Santo dos Dois Dias e Meio (eu bem que rezaria pra ele, viu). 

Opa, divaguei! Apesar de ter sido muito bem recebido pelo público, nem todos gostaram da obra. Benjamin Blech, um importante rabino ortodoxo que mora em Nova Iorque, condenou o livro dizendo que ele é "não apenas um conto de fadas, mas uma profanação" (ouch!). Afirmou que, apesar de suas intenções, o livro dá a impressão de que os campos não eram tão ruins assim e os alemães não tinham como saber o que estava acontecendo dentro deles.

Kathryn Hughes, uma historiadora britânica, concordou com a improbabilidade do enredo, mas argumentou que a inocência do Bruno representa a cegueira voluntária dos alemães adultos da época, que se negavam a enxergar o que acontecia debaixo do nariz deles. 

Olha, devo concordar com a Kathryn. Eu acho que o rabino está certo em se sentir ofendido (o Holocausto não pode ser encarado de forma "leve"), mas a forma como Bruno descreve o que acontece a sua volta é perfeita. Não somente é perfeita pois realmente parece uma criança falando, como essa cegueira é um tema explorado em outros livros sobre a Segunda Guerra Mundial, como A Menina que Roubava Livros (outro livro fantástico).

Bem, espero que tenham gostado do post e que leiam o livro! Por hoje é só, até a próxima!

Por: Gaby