Sobre leituras...

Primeira sexta-feira de 2013, meu primeiro post do ano. Pensei muito no que escrever, em responder alguma tag, resenhar algum livro antigo, mas ao invés disso, pensei em falar um pouco sobre uma questão que está na minha cabeça há algum tempo e que já foi tema de discussão entre nós aqui do Dose. Lembro que uma vez, quando eu estava na faculdade, tivemos que ler o livro Cultura Letrada de Márcia Abreu e durante a aula houve uma discussão sobre o que seria boa e má literatura. E chegamos ao inevitável comentário "Pelo menos estão lendo". O que pensar disso?

Eu sou leitora há muito tempo, há mais ou menos 15 anos e já tive todo tipo de livro diante dos meus olhos. Andando no metrô de São Paulo, em horário de pico, você analisa bem o tipo de leitura que as pessoas estão fazendo, e infelizmente, o livro da moda é Cinquenta Tons de Cinza (a Gaby falou dele aqui). Realmente é melhor ler esse tipo de livro do que não ler nada? Engraçado pensar que em 2005 o livro da moda era O Código da Vinci, de Dan Brown. Lembro que uma professora minha dizia "daqui alguns anos ninguém vai lembrar de Harry Potter". O último livro da saga foi lançado em 2008 e até hoje vejo pessoas de todas as idades lendo.

Há temáticas e escritores que alcançam o grande público, como livros de vampiros (pegando carona com o sucesso da saga Crepúsculo), os romances açucarados de Nicholas Sparks, os chick lits e etc. Qual o porquê disso? Fácil assimilação? Linguagem simples? Acho que quase todo tipo de leitura é válida e não estou falando com preconceito, apenas expondo a minha opinião de leitora. Ler um livro é uma experiência única, que deve agregar conceitos à sua vida, ou melhor ainda, ele deve colocar em xeque algumas de suas ideias e te colocar em estado de questionamento. Assim que eu defino um livro bom, os que eu citei acima fazem isso?

Claro que há a literatura de entretenimento, eu mesma adoro a saga de Jogos Vorazes, amo os livros da Bridget Jones e sou fã confessa de Harry Potter, mas não é só isso que eu leio. Como eu comentei na minha retrospectiva de 2012, eu pretendo intercalar diversos tipos de literaturas em 2013, priorizando os clássicos, mas sempre deixando espaço para o young adult e a literatura de horror, que eu tanto gosto. Tudo é uma questão de balanço, de não se prender a um gênero literário apenas, permitir-se conhecer outros mundo existentes nos livros. 

Respondendo a pergunta que eu fiz no primeiro parágrafo, acho que quase todo tipo de leitura é válida, desde que seja um livro bem escrito, com um enredo bem construído e agregue conhecimento. Ler apenas o mesmo tipo de livro, sem desafios, não é o mais correto. Acostumar com apenas um tipo de livro não te desafiará e esse é o melhor efeito que um livro pode causar.

Feliz Ano Novo para todos e ótimas leituras!

Comentários

  1. adorei, Mi!
    muitos compartilham da mesma opinião que a sua, já outros tem toda uma critica depreciativa pronta na ponta da língua a respeito dessas obras, mas acho que o que importa mesmo é o fato da pessoa nunca abandonar a leitura, sempre estar lendo alguma coisa.
    a grande maioria não permanece no mesmo "nível intelectual" durante toda a vida. a tendência é sempre evoluir, e para quem lê, tudo bem se começar a ler "Crepúsculo" na adolescência, desde que na idade adulta passe a buscar uma leitura mais construtiva.
    eu por exemplo, com 15 anos estava lendo Paulo Coelho e "Brida" mudou a minha vida na época, mais pela história em si e pelas identificações do que outra coisa. não ligava muito para a qualidade da escrita, para o vocabulário, se era best-seller, auto-ajuda, ou sei lá o que, simplesmente li porque para a minha idade e para aquela fase da minha vida, era a leitura mais adequada (inclusive foi indicada por um mestre em literatura, olhe só!). hoje em dia tenho inúmeros outros livros bons para ler antes de escolher qualquer outro do Paulo Coelho.
    preferências à gêneros literários é muito relativo e muito pessoal, tem quem goste de fantasia e quem goste de filosofia, mas se a questão é qualidade na leitura, quem definirá é o próprio leitor à si, não tem muito o que questionar. acho sacanagem uma pessoa que já tem um certo conhecimento em literaturas, e até um hábito de leitura diário, descriminar quem tá começando a tomar gosto pela leitura, mesmo que seja através dos livros "da moda". anteontem foi Paulo Coelho e Dan Brown, ontem foi J. K. Rowling e Stephenie Meyer, hoje é E. L. James e amanhã? ninguém sabe o que vai ser, mas que haverá um best-seller vendendo mais que água no deserto, disso não temos dúvida. só que amanhã, os que estavam lendo E. L. James, provavelmente estarão lendo outras coisas, e talvez estejam até mesmo jogando pedras no "Cinquenta Tons de Cinza" assim como eu já fiz com Paulo Coelho. todo mundo tende a cuspir no parto que comeu, principalmente em se tratando de leituras (e em muitas outras coisas de nossa vida).
    o importante é ler, e nunca perder o hábito, ponto. ;)

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  2. Também acho que ler sempre é válido...e mesmo que a pessoa faça leituras "que não prestam" hoje, o bom é ver a evolução disso.
    É ver que aquela mesma pessoa (falo por mim mesma) que lia Paulo Coelho, ou J K Howling, ou E. L. James, foi lendo outros livros e percebendo que existe literatura de muito mais qualidade. Até porque se em algum momento não se ler os ruins, como saberemos quais são os bons?

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  3. Acho que alguém tem que começar por algum lugar né? Eu comecei com a Turma da Mônica, imagina se até hoje estou lendo isso? Acho que vai muito de pessoa pra pessoa, do seu contato com o universo da literatura (que para nós começou cedo, mas pra muita gente pode estar começando agora na fase adulta)... Imagina uma pessoa de 25 anos que começou a ler agora e o primeiro livro que ela vai ler é um russo de 1300 páginas... pode surgir o efeito contrário.
    Eu julgo muito as pessoas pelo livro que estão lendo mas é errado sem saber o tipo de contato com os livros que elas tiveram. Acho que não posso mais falar mal da minha irmã porque ela ama 50 Tons...
    E realmente acho que ler outros gêneros é importante (sabe quando éramos do black metal e tentávamos não gostar de nenhum outro estilo porque era poser, e acabamos ouvindo Placebo e Joy Division escondido? rsrs). Este ano pretendo ler contemporâneos e clássicos também, e só intercalar com terror.

    :)

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  4. Mi, gostei demais da sua postagem ...e da pergunta: Realmente é melhor ler esse tipo de livro do que não ler nada?
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    Beijinhos
    http://marlicarmenescritora.blogspot.com.br/

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  5. Concordo totalmente com você!
    Alguns dizem que literatura açucarada como Nicholas Sparks é algo dispensável, que é algo que não vale a pena ler. Eu acho isso horrível de se dizer. Quantos não começaram a vida literária porque viram algum filme que veio de algum livro dele? Muitas amigas minhas começaram a ler por causa de Querido John!
    E quantos da minha geração começaram a ler por conta de Harry Potter?
    Qualquer tipo de literatura é válida. :)

    Um beijo,
    Luara - Estante Vertical

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  6. Concordo plenamente, Mi. Quem que aguenta só ler erudição? Ultimamente tô adorando fugir das literaturas sérias e teoria lendo um juvenil, um YA. Ach, o que o que importa é que o leitor seja curioso, pesquise, busque e saia mesmo do lugar \o/

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  7. Ótimo texto Michele, eu realmente acho dispensável o tal do 50 tons e não gosto de Nicholas Spark, mas de qualquer forma quase toda literatura bem escrita é válida e bom, alguém tem que começar de algum lugar, e dessa forma vai se apaixonando pela literatura, já li vários livros do Paulo Coelho, já li vários livros bobinhos infanto-juvenil, assim como já li clássicos da literatura mundial (minha meta de vida: terminar de ler Crime e Castigo). E bom o importante é que as pessoas descubram o "mundo mágico dos livros" e se apaixonem mesmo que seja pelos vampiros do crepusculo primeiro!

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  8. Michelle, C.S. Lewis tem um livro que fala um pouco disso, onde ele põe o foco de 'bom' não no livro, mas no leitor. Fantástica a argumentação dele.
    Claire.

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