18 fevereiro 2013

As Vantagens de Ser Invisível - Livro e Filme

Já mencionamos esse livro algumas vezes, aliás, ele foi um dos mais vendidos do ano de 2012, como podem checar nesse post aqui, e depois de tanto ouvir falar do livro, do filme, de tudo, resolvi ler e tirar minhas próprias conclusões. Comecei a leitura achando que seria mais um livro sobre um adolescente qualquer usando drogas e vivendo a vida loka (YOLO!). Não podia estar mais enganada.

O Livro




Charlie não é um adolescente qualquer. Extremamente introvertido e tímido, ele nunca soube como lidar com as pessoas, como fazer (e manter) amizades, e não é só por causa da timidez que ele é assim. Charlie é muito inteligente para a sua idade, e conhecem o ditado "de gênio e louco todo mundo tem um pouco"? Pois é, Charlie tem muito dos dois.


À princípio, a família de Charlie parece ser mais do que normal, o Charlie também dá a impressão de ser só um garoto fechado. Pai, mãe, um irmão mais velho bom em esportes (tão bom que ele consegue uma bolsa de estudos na faculdade), uma irmã do meio popular, e o caçula, Charlie, o nerd.

Porém, conforme a história vai se desenvolvendo, descobrimos segredos íntimos da família de Charlie, irmãs que sofreram abuso sexual de amigos da família, gravidez na adolescência, aborto, o próprio (provável diagnóstico) problema de Charlie - sua despersonalização, etc. 




A história se desenvolve com a ajuda de alguns amigos de Charlie (sim, ele consegue fazer amigos!): Bill, seu professor de inglês (que dá livros para ele durante o ano todo), Sam e Patrick. Ele se apaixona por Sam instantaneamente, como se é esperado de um adolescente com pouca vida social, e fica feliz de saber que Patrick é o irmão (por casamento) dela, e não o namorado. 


Apesar dessa feliz novidade, Sam avisa de cara que por ela ser mais velha, estar no último ano do colegial (ele está no primeiro), etc, eles não podem ficar juntos. Charlie aceita esse fato, como aceita tantos outros na sua vida e segue em frente. 

Graças a Sam e Patrick, Charlie começa a ir a festas, faz outros novos amigos, como Bob, um drogado que adora fazer festas, Mary Elizabeth, a cult e alternativa coordenadora da Fanzine Punky Rock, Alice, e outros. Charlie usa maconha pela primeira vez, faz seus novos amigos rirem e todos brindam em sua homenagem, o que faz nosso jovem protagonista chorar de emoção. 


É assim que fico quando estou feliz, OK?!

Até aí, essa parece apenas mais uma história adolescente qualquer. O menino tímido consegue ter amigos, todos se divertem, todos usam drogas, yay. Entretanto, por trás dessa fachada leve temos a história nada leve de cada personagem. 

Charlie sofreu duas grandes perdas na sua vida: a pessoa que ele mais amava no mundo inteiro, sua Tia Helen, e seu melhor amigo, Michael. Sua tia morreu em um acidente de carro na noite de seu aniversário, algo que o persegue e o assombra sempre, por motivos que eu prefiro não revelar; e Michael cometeu suicídio por se sentir tão distante e tão menosprezado pela sua família.

Veja só, um mero adolescente de 15 anos com histórico de problemas psicológicos (incluindo uma internação), tem de lidar diariamente com a falta do seu melhor amigo...que se matou, e com a culpa que ele esconde sobre  a morte de sua tia, que ele menciona o livro inteiro. Tia essa que o traumatizaria muito mais, só não posso revelar como nem porque. 

Seus novos amigos também não são menos traumatizados. Patrick é gay, e namora escondido um garoto muito popular na escola, garoto esse que já lhe causou muito sofrimento. Sam tem uma reputação, era a vadia da escola antes de conhecer Charlie, mas ela tem seus motivos para ter agido dessa forma, um motivo na verdade (que eu não vou mencionar), algo que também mudaria sua vida para sempre.

Quanto mais eles se aproximam, mais ele é forçado a encarar tudo que sempre se negou a ver, e acaba, de uma forma nada psicologicamente saudável, enfrentando seus problemas. 

Olha nossa cara de felicidade! O que sabemos sobre problemas? Para os olhos de um adulto, nada.

O livro não é somente a história de adolescentes crescendo e virando adultos. É a história de várias pessoas tentando lidar com problemas graves, tentando encontrar a felicidade, a "normalidade" e mais do que tudo, tentando se encontrar.

Acho que é impossível não se identificar com um dos personagens em algum momento. Seja a dor de um relacionamento que chega ao fim, seja saber que alguém que você ama está sofrendo e não poder fazer nada, seja se olhar no espelho um dia e não reconhecer a pessoa que está olhando para você, em algum momento dessa leitura você, querido leitor, vai se ver no meio dessas páginas. 

Além de tudo que mencionei, essa história é cheia de momentos de reflexão, cheia de food for thought. Em um momento, o professor do Charlie fala algo que ficará comigo para sempre, "Nós aceitamos o amor que achamos que merecemos". Outro exemplo de uma pérola nesse livro é a seguinte frase, "Mesmo se não tivermos o poder de escolher de onde viemos, ainda podemos escolher para onde vamos" e essa frase é importantíssima para a história em si, considerando o passado negro de muitos dos personagens.


A escrita é linda. Não sou muito chegada em romances epistolares, mas esse conquistou um espaço (grande) no meu coração. As cartas de Charlie são profundas, íntimas e é como se estivéssemos lendo as cartas de um amigo nosso mesmo, o que nos faz ficar ainda mais apegados ao nosso complicado protagonista. 

Só tenho elogios para esse livro, lágrimas para essas páginas e admiração por esse autor. Ele conseguiu escrever algo tão brilhante e tão simples, e essa minha "resenha" não expressa nem 1% do quanto esse livro me afetou. Foi uma surpresa fenomenal!

O Filme


O filme é muito fiel ao livro. Claro, ele corta algumas coisas, uma delas eu achei crucial e fiquei um pouco incomodada de não ver no enredo, mas foi a única coisa que me incomodou no filme todo. A trilha sonora é ótima e segue muito bem todas as músicas mencionadas pelos personagens, segue o estilo deles e da época (anos 90).

Sou muito fã do Logan Lerman, ele atuou muito bem em Percy Jackson, e em My One and Only. Porém, ele costuma ser o garoto popular nos filmes, o bonitinho, etc, e não achei que ele ia saber interpretar alguém tão antissocial, reservado, mentalmente instável e tímido como o Charlie. Enganei-me novamente. 

Todos atuaram muito bem. Confesso que foi estranho ouvir o sotaque americano sair da boca da Emma Watson, e mais estranho ainda foi ver Nina Dobrev, a famosa Elena de Vampire Diaries, na igreja recebendo uma hóstia, mas de alguma forma tudo se encaixou e o filme superou minhas expectativas.

A fotografia se encaixa no clima da história, nada muito colorido ou brilhante, com exceção de alguns momentos de comemoração do grupo, tudo no filme lembra um filme mais para um público alternativo, não sei se foi essa a intenção, mas acho que combinou com o livro, com a atuação, enfim, com tudo. Resumindo, dou um A- para o filme (se não fosse a cortada que eles deram na gravidez e subsequente aborto da--ops, não vou falar)! 

Resumindo, o livro mereceu seu lugar como um dos mais vendidos de 2012, o filme merece muitos elogios, e vale muito a pena gastar horas e horas com essa história emocionante e profunda de um adolescente não tão comum quanto pensamos!

Espero que tenham gostado do post, espero MUITO que vocês leiam o livro. Por hoje é só e até a próxima, pessoal!