23 fevereiro 2013

Entre guerreiros, donzelas e romances de banca

Em qualquer banca de revista e jornal você pode encontrá-los. Geralmente, eles ficam na prateleira de revistas femininas. Na capa, a imagem de um casal apaixonado, se abraçando ou beijando ardentemente. Podem atender pelos nomes de Sabrina, Júlia, Bianca e por aí vai. Desde os meus 13 anos, eu tenho o hábito de ir à banca comprar jornal (sim, ADORO jornal impresso!), livros de bolso e, claro, os "romances de mulher". Curiosamente, o meu último romance estilo 'Sabrina & Cia' não foi encontrado entre os amontoados de revista sobre pele, cozinha e beleza, mas em uma estante da Livraria Saraiva

Créditos: Livros & Fuxicos
O Guerreiro Guardião (original Her Irish Warrior, editora Harlequin - Saraiva, 2012, pág. 288), escrito por Michelle Willingham, tem os ingredientes necessários para estar na preferência de todos aqueles que amam a 'literatura de banca'. A narrativa traz o romance improvável do guerreiro irlandês Bevan MacEgan com a bela dama normanda Genevieve de Renalt. Tudo começa com a jovem aristocrata fugindo do seu noivo, um sujeito fisicamente bonito, mas psicologicamente doente e sujo, que a agredia brutalmente. Em uma dessas fugas, Genevieve encontra os irmãos Bevan e Ewan MacEgan e ajuda-os a se libertarem de Hugh Marstowe, seu noivo e usurpador das terras que os irmãos irlandeses reivindicam. Por conta disso, Bevan decide ampará-la e auxiliá-la. Desde o começo, a atração de Bevan por Genevieve é notória e impedida (claro!) pelo passado tenebroso do guerreiro irlandês. 

O romance segue a fórmula que faz sucesso no mercado editorial e filmes hollywoodianos: amor entre casal jovem impossibilitado por circunstâncias do destino. Homem forte, gostosão e atraente, com muitas posses e cujo único objetivo é manter a fêmea segura. A mulher, por sua vez, é meiga, feminina e fraca, sempre pronta a fazer tudo por amor. Foi assim na saga Crepúsculo, com a humana Bela sempre em posição de dependência do seu amado vampiro. Mas isso é outra história, já comentada com muito humor pela Gaby.

Quem pode resistir a um guerreiro gostosão e viril, minha gente?
No livro de Michelle Willingham, o rumo dos acontecimentos não é diferente da fórmula. O suposto rancor que deveria existir entre os dois, já que irlandeses e normandos brigavam por território e defesa dos seus clãs, começa a dar lugar a um amor tímido e uma atração sexual desenfreada. Entre um beijo daqui e uma frieza dali, os dois rivais vão se transformando em um casal que precisa se livrar dos fantasmas do passado. Genevieve é bonita, sensual, disposta a ser mãe e a fazer seu marido feliz. Bevan é atraente, masculino, protetor e rico. Nada poderia ser melhor, não é?

Ah, meu guerreiro machão!
Trabalhando com estereótipos e personagens do imaginário feminino, Michelle Willingham, que cresceu entre a Tailândia, Alemanha e Inglaterra, monta essa série de romances históricos (?) conhecida como 'Os Irmãos MacEgan'. Uma irresistível família irlandesa de guerreiros machos e sensuais trazem à tona a mistura de guerras e erotismo, amor e domínio de terras, tudo bem comum à época medieval. Em "O Guerreiro Guardião", o leitor também vai poder encontrar o cenário de costumes dos dois povos, como o fato das mulheres normandas não amamentarem seus filhos e não participarem do trabalho doméstico, diferente do costume das irlandesas. O livro também mostra que enquanto na Normandia os homens deveriam ensinar suas mulheres a serem submissas e obedientes, os clãs da Irlanda priorizavam a igualdade e respeito. Tenho lá minhas dúvidas quanto a esse procedimento, já que o domínio masculino é absoluto na Idade Média, mas cabe uma pesquisa mais detalhada sobre o tema para emitir opiniões contundentes.

O romance é agradável, traz um final surpreendente e mostra que alimentar fantasmas nunca é uma boa opção, e que é preciso esquecer para viver. Fora isso, você ainda pode encontrar a suavidade de cenas sexuais com muitas preliminares, mostrando tudo o que uma mulher procura em um homem (mesmo que seja apenas ideal) e que um homem procura em uma mulher (idealizada, claro). 


Plus:

Acesse o site da autora e descubra que outras séries de leite e açúcar queimado podem estar esperando por você, além de conferir fotos de paisagens lindíssimas!

Recomendo enfaticamente que você dê uma lida no livro ao som da música 'The Highwayman', de Loreena McKennitt, uma narrativa trágica que faz meu coração oscilar entre a beleza e a tristeza toda vez que a escuto.