17 fevereiro 2013

Êxtase pós-leitura: O Amante de Lady Chatterley


Escrito em 14/02/13 à lápis e papel, as 21h após ler as últimas páginas de "O Amante de Lady Chatterley", durante uma tempestade, à luz de velas, porque estávamos sem energia.

O que? Já acabou? NÃO!!! Volta, volta. Termina direito isso, Lawrence!
Tem volume 2?
Continuação?
Capítulo 20?
(Atenção ao uso de termo cliché) final comovente! Não do tipo convertido em lágrimas, exaurido em soluços agarrada ao lencinho, mas que expande alma, que fala coisas que já sabemos, mas sob uma nova perspectiva, à maneira de D. H. Lawrence, que me deixou a-pai-xo-na-da.
Mas, estou irremediavelmente inconformada! Me recuso a aceitar este final, belo em prosa, em âmago de sentimentos, em exprimível essência, deste exímio narrador que é D. H. Lawrence, mas torturante ao leitor que seguiu linhas após linha, na ansiedade trêmula de um desfecho, pobre, que seja! mas um final recôndito ao meu desejo de um final. Existe um final sim, na cabeça de cada um dos leitores de "O Amante de Lady Chatterley", que há de interpretar o literal final à sua maneira.

Primeira edição autorizada na Inglaterra, em 1960
pela Penguin, trás na capa o emblema da fênix, referência a uma obra póstuma do autor, que faleceu em 1930

No tocante, considero o melhor romance (de ideias!) inglês que um dia tive o privilégio de ler. Incrível, que me deixou com sede de mais, e neste sábado, sem pestanejar, assim que vi no sebo um exemplar capa dura de "Mulheres Apaixonadas" do mesmo escritor, já me agarrei e me apoderei em troca de uma arara apenas. O livro, entrou para a minha meta de leitura para 2013, o escritor, para a minha listinha de "Melhores e Mais Amados Escritores".
Que escrita admirável, sensível, humana, visceral! Doutor de alma, psicanalista dela, do tipo que trata-a tratando-se; que usufrui de sua própria compreensão e sabedoria para aprender e ensinar sobre a existência humana, sobre amor, sexo, classes sociais, desde o nobre ao mais ignóbil, do mais honroso ao mais vil, Lawrence esbofeta e acalenta quem o lê, com a sua percepção apurada e sua opinião sobre a sociedade na época - que aliás, continua sendo atualíssimo! -, mas com um afago à alma dos inquietos.
Suspiros profundos. Lindo! Que livro lindo! Polêmico na época em que foi escrito, por conter palavrões, sutis descrições das partes íntimas do homem e da mulher, relatos de atos sexuais com a mais profunda fidelidade, e do amor despertado entre dois corpos e almas, lady e couteiro, ambos, calejados pelas agruras de seus respectivos casamento sem sucesso.

O guarda-caça Mellors e Lady Chatterley,
cena do filme de mesmo título (1981)

Nem as 38 páginas seguintes com "Comentários sobre 'O Amante de Lady Chatterley" nessa edição da editora Folha, feitos pelo próprio escritor, me servem de consolo para este final. Em partes sim, pois trata-se de uma opinião de Lawrence a respeito do amor, de valores morais, do cristianismo e da sua influência aos mais debilitados de conteúdo e informação, da pureza e do propósito do sexo carnal entre seres humanos, de sua obra censurada e proibida - reprodução e venda - na Europa por ser de conteúdo "pornográfico", e dos exemplares pirateados nos Estados Unidos que não lhe renderam um centavo de lucro, dentre outros comentários assaz relevantes sobre a obra.

Leitoras procuram avidamente pelos trechos mais picantes de
Lady Chatterley, depois que o livro foi liberado para publicação (1960)

E a esta altura você deve estar se perguntando ai, "mas do que se trata essa história, afinal? por que é que é tão incrível assim?" e eu te respondo que, ainda hei de escrever uma resenha "formal", assim que eu parar de me estapear (mentalmente, né, não imaginem minhas bochechas vermelhas de tapa, por favor) a fim de acordar deste sonho lúcido de nome "O Amante de Lady Chatterley".

E as mulheres atualmente se emocionando com "Cinquenta Tons de Cinza", "Toda Sua" e afins, ora, convenhamos!

Emocionada,
Eni.